Ex-chefe do PlayStation discorda do fim dos discos

Vinicius Miranda

Shawn Layden, lenda da Sony, não concorda com a decisão de acabar com a mídia física. Para ele, a escolha seria movida puramente por planilhas e números.

A polêmica sobre o fim da mídia física no PlayStation ganhou um reforço de peso. Mesmo com a expectativa de que a Sony pare de produzir discos de jogos a partir de 2028, muita gente discorda dessa direção. Entre as vozes contrárias está ninguém menos que Shawn Layden, ex-chefe do PlayStation Worldwide Studios. O veterano, que deixou a empresa em 2019, afirmou que sua opinião sobre o assunto não mudou, mesmo com a indústria ficando cada vez mais digital. Agora, ele explica por que enxerga a movimentação como uma decisão puramente ligada a números e planilhas.

Por que Shawn Layden discorda da Sony?

Ao comentar o tema, Layden compartilhou sua visão sobre a transição para o mundo digital. Ele foi direto ao admitir que não esperava por essa mudança e que segue em desacordo com ela. No entanto, o executivo reconhece que não faz mais parte do dia a dia da empresa.

Segundo Layden, decisões desse tipo costumam ter uma motivação bem clara e fria. Para ele, tudo se resume a uma questão de custos e receitas, uma verdadeira análise de planilha.

Eu não concordo necessariamente com isso, mas também não trabalho mais no ramo. Talvez seja simplesmente caro demais prensar os discos. Se você olha qualquer decisão de descontinuar um produto, geralmente é uma decisão direta de planilha. Quais são as vendas de disco comparadas às vendas digitais?

A questão do “ponto de virada”

Shawn Layden – Reprodução

Um dos pontos mais interessantes de sua fala é a memória histórica do mercado. Layden lembra de uma época em que as vendas digitais representavam apenas 10% do total. Ele vai além, recordando quando esse número era literalmente zero, já que sequer existia uma loja digital.

Com o tempo, essa fatia cresceu de forma exponencial. Diante disso, o executivo explica a lógica empresarial que leva a esse tipo de decisão, o chamado “ponto de virada”.

Maioria não significa totalidade. Existe um ponto de virada em que, se eu tenho 80% da oportunidade, o que representa 95% da receita, qual é o meu incentivo para manter as luzes acesas pelos outros 20%, se isso equivale a apenas 5% do negócio? Em algum momento, fica óbvio que não dá para manter tudo isso funcionando só por essa pequena fatia.

Apesar da lógica financeira, Layden sempre teve uma ressalva importante. Durante seu tempo na empresa, ele resistia à ideia enquanto a banda larga mundial não fosse boa o suficiente. O objetivo era garantir que a experiência de download alcançasse a maioria dos clientes ao redor do mundo.

O alcance global do PlayStation

Vale ressaltar que essa preocupação com o público mundial é um ponto central para o veterano. Layden destaca que o PlayStation sempre teve uma base de fãs mais ampla e espalhada pelo planeta. Por isso, deixar parte desses jogadores para trás sempre foi uma grande preocupação.

O executivo citou até o exemplo de pessoas em bases militares, muitas vezes sem acesso à internet. Para elas, a possibilidade de comprar um jogo físico e simplesmente colocá-lo no console era algo importante. Consequentemente, ignorar esse público seria um risco que ele não gostaria de correr.

Layden acredita, ainda, que a decisão da Sony pode ter um efeito dominó no mercado. Segundo ele, quando a líder da indústria toma uma atitude dessa magnitude, as concorrentes tendem a seguir o mesmo caminho. Dessa forma, Xbox e Nintendo poderiam eventualmente adotar postura semelhante.

As palavras de Layden reforçam o quanto essa transição é delicada. É importante frisar que se trata da opinião pessoal de um ex-executivo, e não de uma posição oficial da Sony. Ainda assim, sua visão traz um raro olhar interno sobre como essas decisões são tomadas nos bastidores.

Para os fãs, especialmente os colecionadores, a fala funciona como um consolo agridoce. Por um lado, é reconfortante saber que figuras respeitadas também valorizam o disco físico. Por outro, o próprio Layden admite que a lógica dos números parece imbatível, tornando um recuo improvável.

Do ponto de vista do mercado, o caso expõe a tensão entre lucro e preservação. Enquanto a mídia física perde espaço, cresce a preocupação com a posse real dos jogos. Vale reforçar que a Sony ainda planeja produzir discos apenas para jogos antigos após 2028.

E você, concorda com Shawn Layden ou já se rendeu de vez ao mundo digital? Conte para a gente nos comentários!

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