Mudou de ideia? Sony esclarece futuro dos discos físicos e detalha reestruturação de fábrica

Vinicius Miranda

A Sony divulgou um esclarecimento importante sobre os planos para o fim da fabricação de discos de jogos do PlayStation, corrigindo uma interpretação equivocada que havia circulado sobre uma suposta redução drástica na capacidade produtiva da empresa a partir de 2028.

O mal-entendido em torno dos 10%

A confusão teve origem em declarações de Dietmar Tanzer, executivo à frente da unidade Sony DADC, responsável pela fabricação de mídias físicas da companhia. Em determinado momento, Tanzer mencionou que os produtos ligados ao PlayStation representam cerca de metade de todo o volume de produção da fábrica, e citou um número de 10% relacionado ao ano de 2028.

Essa fala acabou sendo interpretada, em um primeiro momento, como uma indicação de que a produção total da unidade cairia para apenas 10% da capacidade atual já em 2028 — uma redução que soaria praticamente como o fim das operações. Posteriormente, porém, um representante da Sony DADC esclareceu ao jornalista Brian Crecente que o número citado se referia, na verdade, a uma queda de 10% no volume geral de produtos, e não a uma redução da produção para apenas uma fração mínima do que existe hoje.

Jogos antigos continuarão sendo produzidos

Outro ponto importante do esclarecimento diz respeito ao que acontece com os títulos já lançados antes da mudança. A partir de janeiro de 2028, a Sony deixará de fabricar discos para novos jogos de PlayStation, mas isso não significa o encerramento imediato de toda a linha de produção física. Segundo a empresa, encomendas de cópias físicas de jogos publicados antes dessa data continuarão sendo atendidas normalmente, o que indica uma transição mais gradual do que inicialmente se imaginava para o fim da mídia física na plataforma.

Dentro da fábrica de Thalgau, na Áustria

Fábrica da Sony – Reprodução

Grande parte dessa produção acontece na unidade da Sony DADC localizada em Thalgau, na região de Flachgau, na Áustria. Atualmente, a fábrica produz cerca de 600 mil discos por dia, volume que deve cair de forma significativa a partir de 2028, justamente pelo fim da fabricação de discos para os novos lançamentos de PlayStation.

Apesar da redução na produção de discos, a Sony afirma que pretende manter inalterado o quadro de funcionários da unidade, atualmente composto por cerca de 300 trabalhadores. A equipe já foi informada sobre o processo de reestruturação, e o plano da empresa passa por requalificar boa parte desses profissionais para atuar em uma nova frente de negócios.

Micro-ópticas: a nova aposta da Sony DADC

Enquanto a produção de discos perde espaço, a Sony DADC vem investindo em um segmento completamente diferente: a fabricação de microlentes ópticas, tecnologia batizada internamente de “Micro Optics”. Segundo a empresa, cerca de 30 milhões de euros já foram destinados ao desenvolvimento dessa nova linha de negócio, que deve se tornar uma área estratégica para a unidade nos próximos anos.

De acordo com Markus Streibl, responsável pela divisão de Micro Optics da Sony DADC, a tecnologia consiste na miniaturização de sistemas e elementos ópticos, permitindo direcionar e focalizar luz em espaços extremamente reduzidos. Como exemplo prático de aplicação, ele cita a possibilidade de uso em setas de direção automotivas capazes de projetar sinais luminosos diretamente sobre o asfalto.

Parte da equipe que antes trabalhava na produção de discos já foi remanejada para atuar na fase de testes dessa nova tecnologia. A expectativa da companhia é iniciar a produção em série de microlentes ópticas já no próximo ano, consolidando de vez essa transição de foco dentro da fábrica.

O que esperar dos próximos anos

Por enquanto, a Sony não detalhou como serão os planos de produção de mídia física a partir de 2029 e nos anos seguintes.

O esclarecimento divulgado recentemente, no entanto, já deixa claro que a redução da fabricação de discos ocorrerá de forma mais progressiva do que os primeiros relatos sugeriam, ao mesmo tempo em que a empresa aposta suas fichas em uma nova área de atuação para garantir a continuidade das operações em Thalgau.

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