Fim dos discos da Sony pode baratear produção de jogos, afirma analista

Vinicius Miranda

Um analista de mercado enxerga oportunidades na polêmica decisão da PlayStation. Mas o futuro digital acende alertas sobre a posse dos jogos.

A decisão da Sony de abandonar os discos físicos segue gerando debate no mundo dos games. Agora, um analista da indústria reagiu ao anúncio afirmando que o setor tem uma chance de reduzir ainda mais os custos de produção. Vale relembrar que, no dia 1º de julho, a empresa oficializou o fim do lançamento de novos discos para os consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. A medida reacendeu a discussão sobre o futuro da mídia física e sobre o que isso representa para jogadores, lojas e produtoras. Segundo o especialista, apesar das incertezas, a economia de custos parece um caminho claro.

A oportunidade de cortar custos

Para entender o cenário, é preciso ouvir quem analisa o mercado de perto. Piers Harding-Rolls, analista da Ampere Analysis, acredita que essa mudança abre portas para as empresas.

Existe uma oportunidade de reduzir custos ainda mais.

Segundo ele, essa economia poderia vir por meio de cartões de jogo pré-pagos ou alternativas semelhantes. Atualmente, as produtoras são obrigadas a assumir um risco extra ao investir na produção de discos. Além disso, precisam pagar uma taxa de royalties à Sony antes mesmo de receberem qualquer valor pelas vendas.

Portanto, o analista acredita que eliminar os custos da mídia física pode ajudar as produtoras a obterem margens de lucro melhores. Consequentemente, isso compensaria os aumentos de gastos em outras áreas, como os orçamentos de desenvolvimento e de pessoal.

PS5 e PS4 – Divulgação / Sony

Cartões pré-pagos no lugar das caixas?

De acordo com Harding-Rolls, o declínio dos lançamentos físicos representa uma ameaça direta às lojas especializadas em vender games. Por isso, ele acredita que as empresas precisarão criar formas mais criativas de ainda oferecer algum tipo de produto físico.

Dar um ponto final na mídia física vai exigir inovação em torno das vendas de jogos digitais nas lojas, para tentar substituir o negócio perdido.

Nesse sentido, uma das possíveis soluções seria justamente a migração para os cartões de jogo pré-pagos. Afinal, muitos jogadores já estão familiarizados com esse formato, que também é mais barato de produzir.

As caixas de jogos podem encolher

Além da decisão da Sony, outro fator deve acelerar essa transformação. A escolha da Take-Two de substituir os discos de “GTA 6” por códigos dentro das caixas tende a incentivar outras grandes produtoras a fazerem o mesmo.

A medida vai acelerar uma tendência de venda de códigos de download no varejo, em vez da mídia física.

Contudo, uma dúvida permanece no ar. Não se sabe se as produtoras continuarão vendendo esses códigos digitais dentro de caixas de tamanho normal. Se o objetivo principal é reduzir custos, faria sentido abandonar as embalagens físicas ou diminuir seu tamanho para economizar ainda mais.

Os riscos para o jogador e o mercado de usados

Em teoria, uma indústria totalmente digital deveria ser mais sustentável. Afinal, a escassez de memória RAM e outros obstáculos de produção têm afetado negativamente as empresas de games. No entanto, o modelo digital traz preocupações sérias.

O ponto mais delicado é que um ecossistema apenas digital coloca em risco os direitos de propriedade. Como o próprio analista explica, essa mudança também prejudica o mercado de jogos usados.

Isso mina o mercado de jogos de segunda mão.

Vale ressaltar que o histórico da Sony não ajuda a inspirar otimismo. A empresa já removeu produtos digitais adquiridos por usuários sem aviso prévio ou reembolso em ocasiões anteriores. Por isso, a reação dos jogadores ao anúncio foi majoritariamente negativa, chegando a incluir uma petição que pede a reconsideração da medida.

E você, aprova o fim dos discos ou faz questão da sua coleção física? Conte para a gente nos comentários!

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