Sony quer continuar apostando em jogos live-service

Vinicius Miranda

Apesar de fracassos recentes, o presidente da PlayStation reafirmou a aposta da empresa no gênero. A estratégia mira primeiras e terceiras partes, com lançamentos em PS5 e PC.

A relação entre a PlayStation e os jogos de serviço ao vivo, os chamados live-service, nem sempre foi tranquila. Ainda assim, a Sony segue confiante no modelo. Em entrevista recente à revista japonesa Famitsu, Hideaki Nishino, presidente e CEO da Sony Interactive Entertainment, reafirmou que a empresa pretende continuar investindo no gênero. O objetivo, segundo ele, é revitalizar o mercado por meio de conteúdos próprios e de parceiros.

A declaração chama atenção pelo momento. Recentemente, a PlayStation amargou tropeços notáveis no segmento, como o fracasso de Concord e o encerramento das atualizações de “Destiny 2”. Mesmo assim, a companhia aposta que o modelo ainda tem muito a oferecer.

A visão de Nishino sobre o live-service

Para o executivo, os jogos de serviço ao vivo têm potencial para alcançar jogadores em escala global. Por isso, a Sony não quer apenas divulgar seus próximos títulos, mas também aprimorar os jogos já existentes no médio e longo prazo. Nishino ressaltou que fornecer conteúdo novo de forma contínua é essencial nesse tipo de game.

Acreditamos que os jogos de serviço ao vivo são um conteúdo que atrai usuários em nível global, então queremos continuar revitalizando o mercado por meio de conteúdos de primeiras e terceiras partes.

O presidente também destacou que o gênero ainda é relativamente novo, com muitos desenvolvedores experimentando abordagens diferentes. Diante desse cenário, a empresa pretende “seguir encarando desafios”. Como exemplo concreto, ele citou o lançamento ainda neste ano de “MARVEL Tokon: Fighting Souls”, novo título de serviço ao vivo da própria Sony.

Single-player no console, multiplayer também no PC

Marathon – Divulgação / Bungie

A entrevista também esclareceu a estratégia de plataformas da empresa. Segundo Nishino, os jogos single-player desenvolvidos internamente continuarão exclusivos do PlayStation, com foco em refinar a experiência que só o console oferece. Já os jogos live-service multiplayer terão o PS5 e o PC como plataformas básicas de lançamento.

Essa divisão faz sentido do ponto de vista do gênero. Afinal, títulos online dependem de uma grande base de jogadores para prosperar, e o PC ajuda a ampliar esse alcance. A lógica reforça a aposta da Sony em equilibrar a força de suas franquias narrativas com a busca por sucessos no competitivo mercado multiplayer. A empresa, vale lembrar, vem de um ano financeiro recorde, com mais de 16 milhões de PS5 vendidos.

Os desafios de um caminho arriscado

A aposta, no entanto, divide opiniões. Para parte da imprensa e do público, insistir no live-service é arriscado, dado o histórico recente de fracassos. “Concord”, por exemplo, foi descontinuado poucas semanas após o lançamento, em um dos maiores tropeços do setor. Críticos lembram ainda que o mercado está saturado e que poucos títulos do gênero realmente vingam.

Por outro lado, a Sony tem motivos para otimismo. O gênero também já lhe rendeu acertos, como o sucesso de “Helldivers 2”. Nishino, inclusive, avalia que “Marathon”, lançado em março, teve boa recepção, ainda que o desempenho comercial do jogo seja alvo de debate. A verdade é que um único grande êxito pode compensar diversas tentativas frustradas, o que ajuda a explicar a persistência da empresa.

Entre a cautela e a ambição

A fala de Nishino reflete um equilíbrio delicado. De um lado, a Sony reconhece os desafios e adota uma postura mais cautelosa, mantendo seus jogos single-player como exclusivos. De outro, não abre mão de disputar o lucrativo mercado de serviço ao vivo, mesmo após contratempos. É uma estratégia que tenta unir o melhor dos dois mundos.

O futuro também passa pelo hardware. O executivo deu pistas sobre novos formatos de console, em uma estratégia que dialoga com a evolução do PlayStation Portal e alimenta rumores sobre um possível portátil de nova geração. Tudo isso mostra uma empresa atenta às mudanças no comportamento dos jogadores, que vem buscando diversificar a forma como o público acessa seus jogos.

No fim, resta saber se a persistência da Sony será recompensada. Com novos títulos a caminho, os próximos anos serão decisivos para definir o real espaço do live-service na estratégia da PlayStation. A torcida dos fãs, claro, é por jogos de qualidade, independentemente do modelo.

E você, acha que a Sony está certa em insistir nos jogos live-service? Conta pra gente nos comentários!

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