Reiejtado 2 vezes: por que Steven Spielberg não quer mais dirigir 007

Andre Luiz

Pode parecer surpreendente, mas nem mesmo um dos maiores cineastas de todos os tempos conseguiu realizar o sonho de dirigir um filme de James Bond. Steven Spielberg revelou que tentou assumir a direção de uma aventura do agente 007 em duas ocasiões diferentes, mas foi recusado pelos produtores da franquia nas duas vezes.

Um sonho antigo do diretor

Durante uma participação no podcast The Rest Is Entertainment, enquanto promovia seu novo filme, Dia D, o cineasta relembrou as tentativas frustradas. Fã do espião britânico desde que assistiu ao clássico 007 contra o Satânico Dr. No, Spielberg procurou o lendário produtor Albert “Cubby” Broccoli logo após o estrondoso sucesso de Tubarão, em 1975.

Cheio de confiança após o êxito de seu thriller, o diretor se ofereceu diretamente para comandar o próximo longa da saga. No entanto, para sua surpresa, recebeu uma negativa direta e sem grandes explicações por parte do produtor, que controlava a franquia com mãos de ferro.

A segunda tentativa e o acordo das cinco notas

A vida, porém, deu a Spielberg uma segunda chance de negociar.

Anos depois, após o sucesso de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, o próprio Broccoli ligou para o diretor pedindo permissão para usar a icônica melodia de cinco notas do filme em uma cena de 007 Contra o Foguete da Morte.

Vendo uma oportunidade, o cineasta tentou um acordo, mas mais uma vez ouviu um sonoro não. Apesar da recusa, Spielberg demonstrou sua generosidade e cedeu o uso da música mesmo assim, como ele mesmo relembrou em tom bem-humorado.

“Eu disse: ‘vou fazer um acordo com você. Dou permissão para usar as cinco notas se você me deixar dirigir um filme de Bond‘. E ele disse ‘não’. Mas eu dei as cinco notas mesmo assim. Então eles me recusaram consistentemente, pelo menos o Broccoli. Ele nunca explicou por que não me deixava entrar para a família Bond.”

james bond
Roger Moore como James Bond – Reprodução/Amazon MGM Studios

Quando uma porta se fecha, outra se abre

Embora as recusas possam ter incomodado o diretor na época, o destino tinha planos ainda maiores para ele. Pouco tempo depois, em 1977, Spielberg estava no Havaí com seu grande amigo George Lucas, aguardando o lançamento de Star Wars: Uma Nova Esperança, quando recebeu uma proposta que mudaria sua carreira.

“Quando contei essa história para o George Lucas, ele disse: tenho algo melhor que Bond. Chama-se Indiana Smith, que era o nome na época. Ele me apresentou a premissa da série Indiana Jones, e foi assim que consegui esse trabalho.”

Foi assim que nasceu uma das parcerias mais lucrativas da história do cinema. O personagem, que mais tarde seria rebatizado, deu origem a Os Caçadores da Arca Perdida e a toda a aclamada franquia do arqueólogo aventureiro estrelada por Harrison Ford.

Por que a recusa aconteceu?

Spielberg afirmou nunca ter recebido uma justificativa oficial para as negativas. No entanto, especula-se que sua nacionalidade americana possa ter pesado na decisão, já que a família Broccoli historicamente prezava pela herança britânica da franquia, mantendo um forte controle criativo sobre as produções do espião.

Vale lembrar que, por muitos anos, foi raro ver diretores americanos no comando oficial da saga. Esse cenário só começou a mudar mais recentemente, indicando uma flexibilização na tradição que antes barrava nomes de peso de Hollywood, como o próprio Spielberg.

O futuro de 007 e o presente de Spielberg

Curiosamente, hoje o jogo se inverteu. Questionado se ainda teria interesse em dirigir uma aventura do espião nos dias atuais, Spielberg foi categórico e bem-humorado ao responder que a produção simplesmente não teria dinheiro para contratá-lo, brincando com seu status atual na indústria.

Enquanto isso, a franquia 007 segue em frente sem ele. O aclamado diretor Denis Villeneuve, de Duna, está confirmado para comandar o próximo filme do espião, agora sob o comando da Amazon MGM.Spielberg mantém o foco em seus próprios projetos, com Dia D em cartaz nos cinemas brasileiros.

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