Star Trek está prestes a dar um dos passos mais arriscados — e potencialmente mais importantes — de toda a sua história. Enquanto a quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds está no ar, a Paramount se prepara para levar a franquia de volta aos cinemas com um projeto completamente novo, em um momento que mistura grande expectativa e igual dose de incerteza.
Uma franquia construída entre a TV e o cinema
Desde sua estreia original em 1966, Star Trek consolidou-se como uma das séries de ficção científica mais influentes já produzidas, especialmente a partir do salto representado por Star Trek: The Next Generation, em 1987, que expandiu o universo para muito além do elenco original. Ao todo, já foram 13 séries diferentes dentro da franquia, incluindo produções animadas e o formato curto de Short Treks.
Entre essas ramificações, uma das fases mais populares começou em 2009, quando J.J. Abrams reiniciou os personagens clássicos em uma nova linha do tempo para uma sequência de filmes de grande orçamento. Apesar de a essência da marca sempre ter sido televisiva, momentos marcantes como Star Trek II: A Ira de Khan (1982) seguem sendo lembrados como pontos altos absolutos do gênero, reforçando a importância histórica do cinema dentro da trajetória da franquia.
Paramount confirma novo filme com personagens inéditos

No fim de 2025, foi revelado que um novo longa-metragem de Star Trek entrou em desenvolvimento, com John Francis Daley e Jonathan Goldstein — dupla conhecida pelo trabalho em Dungeons & Dragons: Honra Entre Ladrões — assinando o roteiro. O projeto foi descrito como o início de uma nova era para a franquia no cinema.
Durante um painel na San Diego Comic-Con de 2025, os roteiristas deram mais detalhes sobre a proposta, explicando que o filme não trará os personagens já vistos nas produções anteriores de Star Trek no cinema, apostando em uma abordagem completamente nova, ambientada em um período ainda mais distante no futuro do que qualquer coisa já explorada pela franquia até hoje.
Esse formato é particularmente incomum: até agora, todos os filmes de Star Trek surgiram como desdobramentos de alguma série de TV já existente. Construir uma história totalmente inédita, sem esse ponto de partida, é uma aposta arriscada — mas que também pode render um novo fôlego criativo para o universo.
Dez anos longe das telonas
A última vez que Star Trek esteve nos cinemas foi em 2016, com Star Trek: Sem Fronteiras. Desde então, a franquia se manteve praticamente restrita ao streaming, com produções como o longa Star Trek: Section 31 (2025) e séries como Star Trek: Discovery e Star Trek: Picard.
Historicamente, porém, Star Trek sempre funcionou melhor quando equilibrava presença na TV e nos cinemas simultaneamente — como aconteceu nas décadas de 1980 e 1990, período em que séries como The Next Generation coexistiam com o lançamento de filmes como Star Trek VI: A Terra Desconhecida. Esse equilíbrio, no entanto, não é simples de manter, como o próprio mercado de streaming tem mostrado recentemente com outras franquias.
Um filme que não pode dar errado

O cenário atual torna esse retorno ao cinema ainda mais delicado. A audiência das produções recentes de Star Trek vem caindo, e a atual temporada de Strange New Worlds registrou uma queda na avaliação do público em plataformas especializadas. Para piorar, a série Starfleet Academy foi cancelada rapidamente ainda este ano, após não conseguir conquistar a maior parte do público.
Com o fim programado tanto de Starfleet Academy quanto da própria Strange New Worlds em suas temporadas finais, e sem nenhuma nova série confirmada além delas, o próximo filme passa a carregar um peso enorme: pode ser a chance da franquia reconquistar o interesse do público por um bom tempo — ou, em caso de fracasso, empurrar Star Trek para um novo período de hiato prolongado nos cinemas.
O que mais pode vir por aí
Mesmo em um cenário mais pessimista, Star Trek continua sendo uma propriedade intelectual extremamente valiosa, e é improvável que a Paramount abandone completamente outras possibilidades de expansão da marca. Nomes de peso já demonstraram interesse em contribuir com a franquia ao longo dos anos, incluindo o próprio Quentin Tarantino, que chegou a cogitar dirigir um filme de Star Trek, ainda que o projeto nunca tenha avançado.
Um quarto filme ambientado na chamada linha do tempo Kelvin, iniciada por Abrams em 2009, também não está descartado. Outra possibilidade discutida é um spin-off focado no Capitão Kirk dentro do universo de Strange New Worlds, o que, diante da recente guinada da franquia rumo aos cinemas, poderia inclusive ganhar formato de longa-metragem com Paul Wesley no papel principal. Também existe espaço para uma nova versão, recontextualizada, de The Next Generation, seguindo o mesmo caminho adotado pelo reboot de 2009.
Independentemente do rumo que a franquia tomar a partir daqui, a expectativa é que esse novo capítulo cinematográfico ajude Star Trek a manter seu lugar como um dos universos de ficção científica mais queridos já criados.





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