Star Wars: como Leia abandonou o treinamento Jedi?

Andre Luiz

Uma dúvida antiga acompanha os fãs de Star Wars desde 2015. Se Leia Organa, vivida nas telas por Carrie Fisher, tinha o mesmo potencial do irmão, por que nunca virou uma Mestre Jedi?

O romance Star Wars: Legacy, integrado ao cânone oficial, finalmente desenvolve a explicação que os filmes apenas esboçaram.

O que o cinema já tinha mostrado

A pista apareceu em A Ascensão Skywalker. Um flashback exibe Luke treinando a irmã e, em seguida, ele explica a Rey o motivo do abandono.

Segundo aquela versão resumida, Leia teria pressentido que o filho morreria ao fim daquele caminho. A justificativa era compreensível, mas ficava no terreno do vago.

O sonho descrito no romance

A nova história leva a personagem ao planeta Tython, ao lado de Rey. As duas procuram uma forma de restaurar o cristal que alimenta o sabre de luz da família. O local abriga um templo Jedi antigo, com forte conexão com a Força.

É ali que Leia passa a ter um sonho recorrente. Nele, ela comanda a Resistência de dentro de uma nave e utiliza a Força para arremessar um caça contra a embarcação inimiga.

Os detalhes mudam a cada repetição, sempre em escalada. Na versão final, ela despedaça um cruzador inteiro apenas com a mente. O pequeno Ben Solo observa tudo fascinado e pergunta se um dia aprenderá a fazer o mesmo.

O medo que estava por trás

Aqui está a chave. O terror da personagem não era morrer, nem exatamente perder o filho em combate.

Ela temia aquilo em que poderia se transformar, e principalmente aquilo que ensinaria. Vale lembrar que Leia já estava grávida durante o treinamento, o que dá outro peso à cena.

O elemento mais perturbador do sonho não é a destruição em si. É o entusiasmo da criança diante dela, sinal de que o garoto veria poder onde a mãe via horror.

A resposta que Luke oferece

O livro apresenta um contraponto interessante pela voz do irmão. Ele descreve um cenário alternativo no qual Leia permanece treinando, e os dois formam Ben juntos, possivelmente mantendo o rapaz no lado luminoso.

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O veterano Mestre Jedi Luke Skywalker – Reprodução/Lucasfilm/Disney

Nessa versão, porém, é Rey quem acaba capturada e convertida pela Primeira Ordem, transformada em arma contra a Resistência. O argumento dele é direto: ninguém salva todo mundo, e a galáxia encontraria a guerra de qualquer maneira.

Luke também acolhe a decisão da irmã sem cobrança. Em resumo, ele reconhece que ela escolheu Han e escolheu a felicidade, e que não existe nada de errado nisso.

A hipótese que fica no ar

Existe ainda uma especulação, sem confirmação no material oficial. A visão sombria poderia ter sido plantada por Palpatine, interessado em tirar do tabuleiro uma Leia plenamente treinada.

Teorias assim acompanham a franquia há décadas. Basta lembrar do longo debate sobre a origem de Rey e a possível ligação dela com o Imperador, que ocupou os fãs por anos antes da resposta chegar.

Por que isso importa agora

O romance cumpre a função que os livros do cânone exercem há tempos. Ele transforma em prosa aquilo que o cinema entregou apenas como gesto. A trilogia sequela dividiu opiniões desde o início, e material assim ajuda a costurar lacunas.

Há também um ganho para a personagem. A saída dela deixa de parecer desistência e passa a soar como escolha consciente. Trata-se de alguém que enxergou o preço e decidiu pagá-lo de outro jeito. A franquia, aliás, segue expandindo essas histórias por várias mídias ao mesmo tempo.

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