Stranger Than Heaven aposta em novo combate e surpreende os jogadores

Vinicius Miranda

A imprensa testou o novo sistema de luta do game da RGG Studio na Summer Game Fest. A presença do rapper Tupac, porém, roubou a cena na revelação.

O novo projeto do estúdio por trás de “Like a Dragon (Yakuza)” deu o que falar. “Stranger Than Heaven”, da RGG Studio, foi um dos destaques da Summer Game Fest 2026. O jogo chamou atenção por dois motivos bem distintos. De um lado, a surpreendente presença do lendário Tupac Shakur no elenco. Do outro, um novo sistema de combate que promete reinventar a fórmula do estúdio. A imprensa pôde testar uma demo do título, e os detalhes são bem interessantes.

O novo projeto da RGG Studio

“Stranger Than Heaven” é uma nova propriedade da Ryu Ga Gotoku, criadora das séries “Like a Dragon” e “Judgment”. Antes conhecido como “Project Century”, o jogo abandona a ambientação moderna. Desta vez, a aventura se passa em diferentes épocas do Japão do início do século 20.

A trama acompanha o protagonista Makoto Daito em uma jornada de vingança. A história promete abordar temas pesados, como discriminação, identidade e justiça. Segundo o anúncio na SGF, o lançamento está marcado para 15 de janeiro de 2027, para PC, PlayStation e Xbox.

Tupac no elenco do jogo

Tupac em Stranger Than Heaven – Divulgação / RGG Studio

A maior surpresa, sem dúvida, foi a inclusão de Tupac Shakur. O ícone do hip-hop, morto há quase 30 anos, dará vida ao personagem Amaru. A novidade gerou reações mistas na comunidade, levantando debates sobre o uso da imagem do artista.

A RGG, porém, fez questão de reforçar o cuidado com o processo. Segundo a SEGA, o personagem foi criado com a permissão e supervisão do espólio do rapper, a Amaru Entertainment, e de sua família, sem o uso de inteligência artificial. A ideia partiu do rapper Snoop Dogg, que também está no jogo como Orpheus.

Sua imagem e seu espírito seguem vivos, fazia sentido colocá-lo neste jogo.

Um sistema de combate diferente

Fora a polêmica, o foco da demo foi mesmo a jogabilidade. E aqui mora a grande mudança. Agora, os botões controlam de forma separada a mão e o pé de cada lado do corpo, esquerdo e direito.

Na prática, é preciso alternar conscientemente entre os lados para criar combos e ganhar impulso. Trata-se de uma quebra ousada em relação à fórmula clássica da franquia “Yakuza”. O sistema ainda conta com mecânicas de defesa e esquiva, além de uma barra de compostura, presente tanto no jogador quanto nos inimigos.

Armas e controle de turba

O combate não se resume aos punhos. O jogo oferece nada menos que 13 tipos de armas diferentes, embora a demo tenha liberado apenas três delas. Cada uma muda bastante a dinâmica das lutas.

Um grande bastão de metal, por exemplo, permite atingir vários inimigos de uma só vez. Isso é fundamental, já que o controle de multidões parece ser um desafio central do game. Em certo momento, foi possível usar um inimigo enorme a favor, atraindo-o para o meio do grupo e facilitando os golpes.

O chefe e os pontos a melhorar

O ápice da demonstração foi uma luta um contra um. O adversário era um mestre espadachim bêbado, que vagava pelo centro da cidade. Seus golpes causavam um dano altíssimo, tornando a defesa e a esquiva essenciais para sobreviver.

Foi nesse duelo que o novo combate brilhou de verdade. Por outro lado, a demo também expôs alguns problemas. O principal deles foi a sensação de que os inimigos têm vida em excesso. Além disso, o chefe possuía alguns golpes que pareciam um pouco injustos.

No geral, o combate de “Stranger Than Heaven” parece um sopro de ar fresco no gênero. A ideia de alternar os lados do corpo é original e pode criar algo único. Contudo, essa mesma mecânica pode frustrar quem espera uma experiência tradicional de “Like a Dragon”.

Resta saber se a proposta vai funcionar na versão final. As cidades do jogo, mesmo na curta demo, transmitiram muita atmosfera e vida. O título surge como uma aposta importante para a RGG se recuperar de tropeços recentes.

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