Poucas trilhas recentes ficaram tão coladas à identidade de um filme quanto a de Batman, dirigido por Matt Reeves. Em entrevista concedida ao site ComicBook.com durante a San Diego Comic-Con, o compositor Michael Giacchino explicou como o tema principal acabou dividindo cena com uma música lançada décadas antes.
A explicação do compositor
Segundo ele, a combinação das músicas foi um acidente completo. As duas coisas aconteceram de forma independente, sem qualquer coordenação entre as equipes.
O detalhe cronológico impressiona. O tema já estava pronto cerca de um ano antes do início das filmagens, escrito durante o período em que ele trabalhava em outro filme de super-herói.
De onde veio a melodia
O processo criativo partiu de conversas com o diretor. A partir delas, o músico ficou imaginando como seria estar no lugar do personagem. Ele visualizou a cena de alguém sentado no alto de um prédio, observando a cidade inteira lá embaixo.

A sensação que surgiu foi de solidão e tristeza. Foi desse estado de espírito que nasceu o tema, algo coerente com a proposta do longa desde o início. Vale lembrar que a sinopse oficial já descrevia um vigilante desiludido e consumido pela própria raiva, bem distante do bilionário sedutor de outras versões.
O encontro que virou marca do filme
A canção mais conhecida entrou depois, por decisão da produção. Quando as duas peças foram sobrepostas, elas simplesmente se encaixaram, por conta de uma progressão de acordes parecida em determinado trecho.
O resumo do próprio compositor é modesto. Segundo ele, funcionou, e pronto.
O que o acaso acabou rendendo
Os resultados foram concretos. A trilha rendeu a ele uma indicação ao Grammy na categoria dedicada a produções audiovisuais.
A faixa do Nirvana, por sua vez, voltou às paradas. Ela virou uma das músicas ligadas a cinema mais ouvidas de 2022, quase trinta anos depois do lançamento original.
Existe uma lição interessante nisso tudo. Boa parte do que o público lê como planejamento autoral é, na prática, coincidência bem aproveitada. O mérito está em reconhecer a hora de não mexer.
Uma observação sobre a canção em si. Ela integra um álbum lançado no início dos anos 1990 e já era conhecida pelo tom melancólico e pelo arranjo arrastado, características que explicam o encaixe com um filme construído sobre luto e isolamento.
A sequência e o retorno dele
O compositor deve voltar para o próximo capítulo, ainda que sem anúncio formal. Nem o estúdio nem a produtora oficializaram a contratação. Ele e o diretor, porém, já manifestaram publicamente a intenção de repetir a parceria.
Seria a sexta colaboração entre os dois. A dupla trabalhou junta em produções de ficção científica e terror antes de chegar a Gotham.
Um detalhe reforça a sintonia. O tema ficou pronto tão cedo que já aparecia no material de divulgação bem antes da estreia, algo incomum em produções desse porte.
Quando o segundo filme chega
A estreia de Batman: Parte II está marcada para 18 de fevereiro de 2028, depois de sucessivos adiamentos. As gravações já acontecem no Reino Unido.
O elenco mantém nomes conhecidos e recebe reforços como Scarlett Johansson e Sebastian Stan. Nenhum dos papéis foi divulgado. Rumores apontam vilões clássicos, mas nada foi confirmado. Vale lembrar que Robert Pattinson assinou originalmente para uma trilogia.






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