Resident Evil é fiel aos games mesmo com trama original, diz diretor

Andre Luiz

A nova adaptação de Resident Evil chega em setembro carregando uma polêmica desde o anúncio. O filme dirigido por Zach Cregger não acompanha nenhum dos rostos consagrados da franquia da Capcom, escolha que gerou reclamação imediata entre jogadores.

A queixa dos fãs

O protagonista é Bryan, vivido por Austin Abrams, um entregador de materiais médicos tentando sobreviver de bicos. Ele aceita transportar uma encomenda sigilosa até a cidade mais famosa da série, Raccoon City, justamente na pior noite possível.

Nenhum dos heróis clássicos aparece. A ausência de nomes como Chris Redfield e Leon Kennedy foi lida por parte do público como desperdício de material consagrado.

O argumento do diretor

A defesa dele parte de uma percepção pessoal. Segundo o cineasta, em entrevista ao ComicBook.com, nenhum filme anterior entregou a sensação que ele tem ao jogar os títulos originais.

O raciocínio é interessante. Ele afirma que os jogos têm zumbis, sim, mas que a identidade deles está na atmosfera, no ambiente e na tensão constante, elementos que ele considera profundamente cinematográficos e nunca bem representados nas telas.

Há ainda o argumento do vírus. Para ele, a proposta não é a lógica clássica dos filmes de mortos-vivos, porque tudo que é biológico sofre mutação naquele universo, o que permite ir muito além do zumbi comum.

O que a prévia já mostrou

O material divulgado apresenta criaturas bastante distantes do padrão. Aparecem uma figura enorme escondida em uma galeria e uma quimera formada por vários corpos fundidos, que segundo o diretor cresce ao longo da projeção.

A estrutura promete ser enxuta. São cerca de 95 minutos concentrados na fuga do protagonista, sem grandes desvios narrativos.

A promessa que já foi feita antes

Aqui entra a memória que a cobertura internacional esqueceu. Em 2021, o elenco da tentativa anterior garantiu exatamente a mesma coisa, prometendo fidelidade absoluta aos games. Aquele filme não convenceu público nem crítica. A palavra fidelidade, portanto, virou promessa recorrente e pouco confiável nessa franquia específica.

Existe uma ironia ainda maior no histórico. A série protagonizada por Milla Jovovich, criticada justamente por se afastar dos jogos, arrecadou mais de 1,2 bilhão de dólares ao longo de seis filmes. Valores em moeda estrangeira, claro, variam conforme o câmbio.

Para quem não acompanha games, uma explicação ajuda. Survival horror é o gênero em que o jogador enfrenta munição escassa, espaço apertado e inimigos que não podem simplesmente ser eliminados no tiro. O medo vem da falta de recursos, e não do susto barato.

O histórico das tentativas

Cada adaptação seguiu um caminho diferente. Os longas dos anos 2000 começaram como leitura livre e terminaram em ação exagerada, enquanto o streaming apostou em uma releitura radical construída em torno da corporação vilã e do vírus.

Houve também animações seguindo personagens dos games. Nenhuma dessas tentativas conseguiu unir aprovação de jogadores e desempenho comercial ao mesmo tempo.

O que pesa a favor

A escolha tem lógica defensável. Personagem desconhecido significa liberdade total de roteiro, sem a obrigação de respeitar cronologias que os jogos ainda estão escrevendo. Também vale registrar o currículo do diretor, vindo do terror autoral. É perfil bem diferente dos cineastas de ação que assumiram a franquia antes.

A estreia norte-americana de Resident Evil está marcada para 18 de setembro. A distribuidora ainda não divulgou a data brasileira.

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