O universo de super-heróis mais brutal e sarcástico do streaming chegou ao seu desfecho definitivo no dia 20 de maio. Em entrevista exclusiva ao jornalista Steve Weintraub, do portal Collider, o showrunner e criador da adaptação televisiva, Eric Kripke, abriu o jogo sobre os bastidores do series finale.
Durante a conversa, o diretor justificou suas escolhas criativas para o sangrento confronto no Salão Oval, explicou os motivos que o levaram a descartar o final original dos quadrinhos de Garth Ennis e deu detalhes sobre o futuro da franquia no Prime Video.
A rejeição ao clone de Black Noir e a dinâmica entre Bruto e Hughie
Para quem leu as HQs originais, o confronto final da série trouxe caminhos bem diferentes. Nos quadrinhos, é revelado que o Capitão Pátria (Homelander) foi manipulado e enquadrado pelo Black Noir, que na verdade era um clone perfeito do líder dos Sete, criado secretamente pela Vought para ser uma arma de contingência.
Kripke foi categórico ao afirmar que essa reviravolta nunca funcionaria na televisão:
As pessoas amam essa reviravolta, mas isso nunca foi satisfatório para mim. Acompanhamos Antony Starr por todas essas temporadas para, no final, descobrir que ele não fez nada do que pensava que fez porque, na verdade, era o Noir? Eu nunca faria essa versão.
Apesar de ignorar o plot do clone, o diretor manteve a essência do material original na relação de dependência moral entre Billy Bruto (Butcher) e Hughie (Jack Quaid). Segundo Kripke, o plano de Bruto de recrutar o jovem para ser a sua “consciência” e impedi-lo de ir longe demais foi o arco mais longo da série, culminando no momento em que Hughie precisa atirar no próprio amigo para evitar o genocídio global de supers com o vírus.

Capitão Pátria: “Um covarde com queixo de vidro”
Outro ponto alto da entrevista envolveu a desconstrução do maior vilão da série nos seus minutos finais. Kripke explicou que era fundamental para a narrativa mostrar o Capitão Pátria implorando por sua vida diante do pé de cabra de Bruto, traçando um paralelo com a postura corajosa de Francês (Frenchie) ao encarar a morte no episódio anterior.
- A fragilidade do monstro: “Sempre defendemos que, se você tirar os poderes do Capitão Pátria, ele se torna o garoto mais fraco e frágil do mundo. Queríamos demonstrar que ele é um covarde com queixo de vidro”, disparou o showrunner.
- Simbolismo sobre explosões: O criador defendeu que a escolha de um cenário contido como o Salão Oval não foi para evitar vazamentos de roteiro, mas sim para priorizar um final íntimo e emocional em vez de uma batalha de efeitos visuais em grande escala.
O futuro da franquia e um mundo sem o Capitão Pátria
Com o encerramento da jornada de Hughie e Luz Estrela (Starlight) — que Kripke confirmou estar definitivamente concluída —, o foco da produção se volta para os derivados já anunciados pela plataforma, como Vought Rising e The Boys: Mexico.
O produtor revelou que os roteiristas seniores já trabalham nos novos conceitos e que o cenário pós-Capitão Pátria é o que mais fascina a equipe criativa. Sem a Vought para limpar a bagunça, pagar indenizações ou controlar os supers que restaram, o planeta vai se transformar em um verdadeiro “Velho Oeste”, com supers de baixo orçamento tentando ser heróis e outros se convertendo em supervilões.
Além disso, Kripke confirmou que os jovens de Gen V terão um papel central no futuro desse universo, já que a história deles ainda tem pontas soltas para amarrar.
Você achou acertada a decisão de Kripke de dar um fim definitivo ao Capitão Pátria pelas mãos do Bruto ou teria preferido ver a reviravolta clássica com o clone do Black Noir na TV?





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