Bane foi o vilão final da trilogia O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, vivido por Tom Hardy - Reprodução/Warner Bros.
Ninguém esperava ouvir aquele sotaque abafado e ameaçador novamente, muito menos em uma faixa de hip-hop. Tom Hardy surpreendeu fãs de Batman ao ressuscitar sua interpretação vocal de Bane. O personagem foi imortalizado em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Agora reaparece em contexto completamente inusitado: um álbum de rap colaborativo lançado nesta semana.
O longa de 2012, dirigido por Christopher Nolan, encerrou de forma grandiosa a trilogia estrelada por Christian Bale como o Cavaleiro das Trevas. Naquela produção, Hardy interpretou o mercenário musculoso que invade Gotham City decidido a quebrar o herói física e psicologicamente. Sua transformação corporal impressionou a crítica na época, mas foi justamente a voz peculiar do vilão que gerou debates acalorados entre espectadores mundo afora.
Quatorze anos depois, o sotaque retorna
A faixa se chama “Grim-Visaged War”, parte do álbum de estreia Czarface Meets Frankie Pulitzer. Nela, Hardy recita um monólogo extraído de Ricardo III, peça clássica de William Shakespeare, utilizando exatamente aquela entonação distintiva criada para o filme de Nolan. O projeto reúne o ator, atuando sob o pseudônimo Frankie Pulitzer, com o coletivo Czarface, formado por Inspectah Deck, 7L e Esoteric.
A escolha do sotaque na verdade vem de um homem chamado Bartley Gorman, lutador de boxe sem luvas e cigano romani. Eu queria trazer influência latina, mas um latim romani, diferente do latino comum.
Bane na clássica cena do avião de O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Reprodução/Warner Bros.
Hardy revelou essa origem inusitada em entrevistas anteriores sobre o processo criativo por trás do personagem. Gorman é figura relativamente obscura fora dos círculos de boxe tradicional britânico. Essa referência explica parte da dificuldade que muitos espectadores tiveram para compreender integralmente os diálogos do vilão durante a exibição original nos cinemas.
Polêmica sonora que virou marca registrada
Nolan precisou ajustar posteriormente a mixagem sonora do longa após reclamações generalizadas sobre inteligibilidade das falas. Mesmo com os ajustes, legendas continuaram sendo praticamente indispensáveis quando o filme chegou ao mercado doméstico em DVD e Blu-ray.
Eu sou uma dessas pessoas que realmente gosta disso, para ser sincero. Trilhar um novo caminho através de algo que já é uma peça consagrada no mundo todo.
Essa declaração de Hardy resume bem sua filosofia artística: abraçar riscos criativos mesmo sabendo que dividiriam opiniões. A carreira do ator sempre trafegou por escolhas ousadas, desde filmes independentes britânicos até blockbusters hollywoodianos, sempre buscando personagens fisicamente e vocalmente transformadores.
Não é estreia musical do astro
Apesar da surpresa geral, essa não representa incursão inédita de Hardy na música. Nos anos 1990, o ator já gravava faixas sob o pseudônimo Tommy No. 1, muito antes de se tornar uma das figuras mais reconhecíveis de Hollywood. Czarface Meets Frankie Pulitzer foi lançado em 28 de agosto, trazendo quinze faixas ao todo. O projeto une definitivamente dois universos aparentemente distantes: cinema blockbuster e hip-hop underground.
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