O detalhe que Tom Holland finalmente acertou sobre o Homem-Aranha

Andre Luiz

Fãs no exterior apontam o que consideram o maior avanço de Tom Holland em Homem-Aranha: Um Novo Dia. Depois de dez anos no papel, o ator britânico finalmente teria dominado o sotaque característico do bairro de Nova York onde Peter Parker cresceu. É um elogio legítimo, e também o tipo de coisa que o público brasileiro nunca vai perceber.

O que foi elogiado lá fora

O problema é considerado antigo. O ator sempre convenceu como norte-americano, mas a pronúncia específica do bairro nunca saía perfeita, e às vezes o sotaque britânico dele escapava. Neste filme, segundo alguns, a barreira caiu. Não apenas a fala melhorou, como a linguagem corporal do personagem passou a corresponder ao estereótipo do nova-iorquino.

O exemplo citado é específico. Nas discussões com Frank Castle, papel de Jon Bernthal, o protagonista gesticula de um jeito que quem conhece a cidade reconhece de imediato.

Por que isso não chega ao Brasil

A questão é que os brasileiros perdem totalmente esse detalhe. Sotaque regional é a primeira coisa que desaparece em qualquer processo de localização. Quem assiste dublado ouve outra atuação por completo. Quem assiste legendado até tem acesso ao áudio original, mas dificilmente distingue as variações de pronúncia entre bairros de Nova York.

Isso não diminui o trabalho do ator. Apenas explica por que uma conquista celebrada lá fora passa despercebida em boa parte do mundo.

O que o público daqui percebe no lugar

A dublagem brasileira faz escolhas próprias, e elas importam bastante. A entonação, o ritmo e o registro do personagem são recriados por profissionais que trabalham com um material diferente.

Nosso mercado tem tradição respeitada nisso. Vale lembrar que os dubladores nacionais construíram identidades tão fortes quanto as dos atores originais, ainda que raramente recebam o mesmo reconhecimento.

O reconhecimento entre o público existe, e é grande. Vozes brasileiras consagradas são identificadas de imediato por quem cresceu assistindo àqueles personagens, mesmo quando o rosto por trás delas passa despercebido.

Homem-Aranha e Justiceiro – Reprodução/Marvel Studios/Sony

Esse trabalho aparece em toda parte. Lançamentos de anime, por exemplo, costumam anunciar o elenco de dublagem com o mesmo destaque dado aos atores originais, sinal de quanto o público daqui valoriza isso.

A ironia da comparação

Existe um detalhe curioso na discussão. Os intérpretes anteriores do personagem, Tobey Maguire e Andrew Garfield, também não são de Nova York.

O segundo, aliás, é britânico como Holland. O sotaque perfeito, portanto, nunca foi requisito para o público aceitar um Homem-Aranha.

Existe ainda um efeito curioso nessa distância. Como o sotaque não chega até nós, o público brasileiro avalia a atuação por outros critérios, como expressão facial, timing cômico e presença física, que atravessam qualquer barreira de idioma.

O que fica para o leitor daqui

A lição é sobre camadas de atuação. Boa parte do trabalho de um ator estrangeiro chega filtrada até nós, e isso vale para qualquer filme legendado ou dublado.

Vale a experiência de comparar. Quem viu dublado pode conferir uma sessão legendada, ou o contrário, para perceber o quanto muda.

Homem-Aranha: Um Novo Dia segue em cartaz nos cinemas brasileiros, nas duas versões.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA