Trailer de Resident Evil é enxurrado de comentários de protesto ao fim da mídia física

Vinicius Miranda

O novo vídeo do filme dirigido por Zach Cregger saiu no canal da PlayStation e foi tomado por reclamações sobre discos. A revolta com o fim da mídia física já dura três semanas.

O novo trailer de Resident Evil chegou nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, e virou vitrine involuntária de um protesto. O vídeo foi publicado no canal oficial da PlayStation no YouTube, já que a PlayStation Productions integra a produção do longa. Segundo veículos que acompanharam a repercussão, a seção de comentários foi rapidamente dominada por mensagens sobre o fim da mídia física, e não sobre o filme em si.

O que o novo trailer mostra

Vale separar o conteúdo da polêmica, porque o material tem novidades relevantes. Dirigido por Zach Cregger, o filme não adapta nenhum jogo específico e também não traz personagens conhecidos como Leon S. Kennedy ou Jill Valentine. A escolha foi criar uma história original dentro do universo criado pela Capcom.

O protagonista é Bryan, vivido por Austin Abrams, um entregador do setor médico a caminho de um hospital em Raccoon City. A noite de trabalho vira uma corrida pela sobrevivência quando o surto se espalha. O elenco reúne ainda Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser. O roteiro é assinado por Cregger ao lado de Shay Hatten, e a produção passa por Constantin Film, Vertigo Entertainment, PlayStation Productions e Columbia Pictures.

Por que os comentários fugiram do assunto

A explicação está em outro anúncio, feito no começo de julho. A Sony informou que encerrará a produção de discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Desde então, praticamente toda publicação da marca nas redes vem recebendo o mesmo tipo de resposta.

As mensagens seguem um padrão reconhecível. Boa parte ironiza a intenção de comprar o Blu-ray do filme, enquanto outra repete o lema de não comprar nada sem disco. São comentários anônimos, mas o volume deles chamou atenção porque o vídeo sequer trata de videogames.

Uma campanha que não perdeu força

Resident Evil – Divulgação / Sony Pictures

O ponto mais curioso é a duração do movimento. Reclamações organizadas em redes sociais costumam esfriar em poucos dias. Neste caso, o assunto se manteve ativo por semanas seguidas e migrou até para conteúdos de cinema.

Até o momento, a Sony não se pronunciou publicamente sobre a reação do público. A empresa também não respondeu a pedidos de comentário feitos por veículos internacionais desde o anúncio. Esse silêncio, aliás, parece alimentar a insistência dos usuários.

Quem paga a conta do silêncio

Existe um efeito colateral pouco discutido nessa história. Diretores, produtores e equipes criativas acabam absorvendo o desgaste de uma decisão corporativa que não tomaram. No caso do trailer, o trabalho de dezenas de profissionais foi ofuscado por um debate paralelo.

Por outro lado, a mobilização revela algo legítimo. O público está tentando usar o único canal disponível para se fazer ouvir, já que a empresa optou por não abrir diálogo. Enquanto não houver resposta oficial, a tendência é que o padrão se repita em cada novo lançamento da marca. Portanto, o custo de imagem tende a crescer, e não a diminuir.

Um reboot que aposta em terror puro

Do lado criativo, o projeto representa uma virada de tom. As seis produções estreladas por Milla Jovovich, lançadas entre 2002 e 2017, apostaram na ação e arrecadaram mais de 1,2 bilhão de dólares nas bilheterias, ainda que se afastassem bastante dos jogos. Vale lembrar que valores em dólar variam conforme o câmbio e o período considerado.

A tentativa seguinte, lançada em 2021, foi na direção oposta e prometeu fidelidade aos games originais, sem o mesmo retorno comercial. Agora, Cregger tenta um terceiro caminho, apoiado na reputação que construiu com produções de terror recentes. O filme foi rodado para exibição em IMAX e estreia nos cinemas em 18 de setembro de 2026.

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