Um drama italiano com um detalhe inesperado para o público nerd chega aos cinemas brasileiros. Três Vezes Adeus, dirigido pela espanhola Isabel Coixet, estreia em 17 de setembro. A protagonista desabafa com um recorte de papelão em tamanho real de um ídolo do K-Pop.
Uma separação e um diagnóstico
A trama acompanha Marta, professora de educação física vivida por Alba Rohrwacher. Depois de sete anos de relacionamento, uma discussão aparentemente banal muda tudo. O chef Antonio, papel de Elio Germano, decide ir embora.
Cada um lida com o fim à sua maneira. Ele mergulha de cabeça na cozinha, enquanto ela se fecha em uma bolha de solidão e silêncio.
O único sintoma que Marta não consegue ignorar é a perda repentina de apetite. Quando descobre que o problema tem causa médica, e não emocional, tudo muda.
O ídolo de papelão
É nesse isolamento que entra o elemento mais curioso do filme. Sem ninguém com quem conversar, Marta encontra no lixo um recorte em tamanho real de um astro do K-Pop. A partir dali, ela passa a dividir os sentimentos com a figura de papelão.
A escolha tem explicação. Coixet explicou que quis se aproximar do que as novas gerações escutam, dos fenômenos e da iconografia que ajudam a construir identidades.
Gastronomia como retrato
A comida funciona como o segundo eixo simbólico. A diretora afirma que o contraste entre a alta gastronomia e a comida de rua serve para definir as trajetórias de cada personagem.
O título original em italiano, “Tre Ciotole”, significa “três tigelas”. A referência são as louças simples obtidas com pontos de supermercado, objeto que abre e fecha a narrativa.
A obra por trás do filme
O roteiro adapta o último livro publicado em vida por Michela Murgia, escritora e ativista italiana morta em 2023. A obra é semiautobiográfica e trata da experiência dela com a própria doença, que tornou pública.
Coixet assina o roteiro ao lado de Enrico Audenino. A cineasta afirma que o filme retoma temas de Minha Vida Sem Mim, de 2003, mas por uma perspectiva oposta.
Recepção e ficha
O longa estreou no Festival de Toronto em setembro de 2025 e passou dos 1,6 milhão de euros de bilheteria na Itália. A Variety classificou o resultado como cativante, e o Cineuropa o definiu como uma meditação agridoce sobre despedidas.
São 120 minutos de duração e classificação para maiores de 10 anos. A distribuição no Brasil fica com a Autoral Filmes.
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