Vingadores: Doutor Destino – O Doutor Destino realmente está menos desenvolvido que o Thanos?

Vinicius Miranda

Fãs reclamam que o vilão de Vingadores: Doomsday teve pouca preparação em comparação a Thanos. Um olhar nos números da Saga do Infinito, porém, sugere que a comparação está distorcida.

Com a estreia de Vingadores: Doutor Destino (“Avengers: Doomsday”) marcada para dezembro, cresce entre os fãs uma inquietação específica. Muita gente argumenta que a Marvel Studios não construiu adequadamente a chegada do Doutor Destino, especialmente quando se compara o caso ao de Thanos. O primeiro trailer, apresentado na San Diego Comic-Con, animou boa parte do público, mas não silenciou o debate. Esta análise propõe um olhar diferente sobre a questão.

A Saga do Infinito nunca foi sobre Thanos?

Thanos em Vingadores: Guerra Infinita – Divulgação / Marvel Studios

O primeiro ponto é o mais revelador. Antes de Vingadores: Guerra Infinita, o Titã Louco acumulava aproximadamente dois minutos de tela ao longo de 18 filmes do UCM. Sim, dois minutos. O Doutor Destino, por sua vez, já teve cerca de um minuto na cena pós-créditos de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, sem contar as menções à Latvéria espalhadas pelo longa.

Quando reduzida a números, a diferença encolhe bastante. O que realmente sustentou a construção daquela fase não foi o vilão, e sim as Joias do Infinito. Não à toa, a saga se chama “do Infinito”, e não “de Thanos”. As pedras apareceram de forma integrada em uma sequência de produções ao longo de três fases, funcionando como o verdadeiro fio condutor da narrativa.

Basta relembrar o percurso. A Joia do Espaço surgiu em Capitão América: O Primeiro Vingador e retornou em Os Vingadores. A Joia da Realidade apareceu em Thor: O Mundo Sombrio, enquanto a do Poder ganhou destaque em Guardiões da Galáxia, filme que também mencionou as seis pela primeira vez. Depois vieram a Joia da Mente em Vingadores: Era de Ultron e a do Tempo em Doutor Estranho, até a convergência total nos dois filmes finais.

Thanos ganhou profundidade só no próprio filme

Há outro detalhe que a nostalgia costuma apagar. Antes de 2018, ninguém apontava Thanos como o melhor vilão do UCM. Suas aparições anteriores serviam para gerar expectativa, não para construir personagem. Algumas delas, aliás, envelheceram mal, como a cena do cofre de Odin em Asgard, praticamente ignorada pelos filmes seguintes.

A profundidade do vilão veio inteiramente dentro de Guerra Infinita. Foi ali que o público conheceu sua origem, sua relação com as filhas e sua motivação distorcida. Em outras palavras, não foram os teasers que fizeram Thanos funcionar. Foi o próprio filme que, retroativamente, deu sentido a tudo o que veio antes.

O multiverso foi mais preparado que as Joias

Yggdrasil do multiverso em Loki – Divulgação / Marvel Studios

Aqui está o argumento central desta leitura. Se a Saga do Infinito girava em torno das pedras, a atual gira em torno do multiverso. E esse elemento vem sendo trabalhado com insistência ainda maior. Nos 18 filmes anteriores a Guerra Infinita, as Joias tiveram papel realmente integral em cerca de 8 produções.

Já da Fase 4 em diante, somando filmes e séries, cerca de 11 projetos (contando filmes, séries e animações) colocaram o multiverso como ponto central da trama. Vários deles, como Loki e What If…?, ainda ganharam múltiplas temporadas, ampliando essa conta. Nesse cenário, o Destino funciona como o veículo que traz o tema principal ao primeiro plano, exatamente o papel que Thanos cumpriu na saga anterior.

Por que Destino tem vantagem

Existe ainda um trunfo a favor do vilão. Nos quadrinhos, Victor von Doom é um personagem mais complexo e estratificado que o Titã Louco, com muito mais material para o cinema explorar. Some-se a isso o fato de que ele deve ocupar espaço considerável também em Vingadores: Guerras Secretas, previsto para dezembro de 2027, enquanto Thanos praticamente sumiu do miolo de Vingadores: Ultimato.

Vale contextualizar também a mudança de rumo. A Saga do Multiverso originalmente apontava para ser antagonizada por Kang, o Conquistador, mas o estúdio redirecionou a trama após encerrar a parceria com o ator que vivia o personagem devido aos escândalos. Portanto, Vingadores: Doutor Destino carrega uma missão dupla: funcionar como filme e sustentar uma correção de rota narrativa.

O contraponto que os fãs levantam

É justo registrar o outro lado. Críticos desse tipo de argumento afirmam que a Saga do Multiverso, apesar do volume de projetos, foi menos coesa que a anterior. Muitos títulos tocaram no tema sem construir uma ameaça unificada, algo que as Joias faziam com clareza. Além disso, o público consumia praticamente tudo do UCM na época de Thanos, situação diferente do cenário atual, mais fragmentado entre cinema e streaming.

No fim, a resposta só virá na tela. Se Vingadores: Doutor Destino conseguir dar ao Destino a mesma profundidade que Guerra Infinita deu a Thanos, a discussão sobre teasers vai se tornar irrelevante. O filme estreia em 18 de dezembro de 2026, com direção dos Irmãos Russo e Robert Downey Jr. no papel do vilão.

Para relembrar o que aconteceu com os artefatos que definiram a saga anterior, confira nossa matéria sobre o destino das Joias do Infinito no UCM. E, se quiser revisitar as teorias antigas sobre a chegada do vilão, vale a leitura sobre o gancho que a Marvel teria deixado pronto para introduzir o Doutor Destino. Afinal, alguns planos levam mais de uma década para amadurecer.

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