VisionQuest precisa resolver o “elefante na sala” sobre Wanda Maximoff

Andre Luiz

A Marvel Studios confirmou na San Diego Comic-Con que VisionQuest estreia no Disney+ em 14 de outubro. Junto veio um detalhe mais pesado do que parece: a produção encerra a trilogia aberta por WandaVision e, especificamente, fecha a história de Wanda Maximoff.

Existe um problema nessa promessa.

A pendência que nunca foi fechada

No desfecho de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a personagem derruba o Monte Wundagore e destrói o Darkhold no processo. O gesto é apresentado como sacrifício. O detalhe incômodo é que ninguém viu corpo algum. A morte jamais foi confirmada de forma direta pelo estúdio, e a cena deixa espaço suficiente para qualquer interpretação.

Muita gente acredita que Agatha Desde Sempre resolveu a dúvida, só que não foi bem isso. O feitiço que prendia a bruxa é quebrado pelo filho de Wanda, e não pela morte dela. A porta, portanto, seguiu entreaberta.

Por que a série não funciona sem essa resposta

O protagonista da nova produção é o Visão Branco, versão que perdeu boa parte da humanidade e ficou bem mais robótica que o original. A trama acompanha a busca dele por memória e por aquilo que o tornava mais do que uma máquina.

Aqui está o nó. Wanda é a origem de tudo isso, porque foi ela quem deu ao personagem algo próximo de uma vida e de um afeto. Uma jornada em busca de humanidade sem passar por ela seria um roteiro furado.

Vale lembrar que a pendência é reconhecida há tempos. O próprio Paul Bettany observou que essa versão do personagem ficou sem desfecho ao fim da série original. O comentário veio anos antes de qualquer anúncio de continuação.

O outro lado do argumento

Existe, porém, um risco na direção oposta que raramente aparece nesse debate. Cravar um destino definitivo fecha uma porta que o estúdio talvez prefira manter aberta. Isso vale ainda mais às vésperas de uma reorganização de linha do tempo.

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Wanda Maximoff em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura – Reprodução/Marvel Studios

Ambiguidade também é ferramenta narrativa legítima. Nem toda ponta solta precisa de nó, e histórias que insistem em explicar tudo costumam perder mistério pelo caminho. A diferença, neste caso específico, está no peso emocional. Não se trata de curiosidade de continuidade, e sim de uma personagem central deixada em suspenso depois de um arco de luto e perda.

O contexto que torna a pressa compreensível

Kevin Feige já indicou que Vingadores: Guerras Secretas funcionará como reorganização narrativa. A ideia é simplificar a cronologia para o público novo. Levar uma pergunta antiga para dentro desse processo seria complicar justamente o que se pretende arrumar.

Outras pontas soltas seguem sem previsão de resposta, como o paradeiro dos Eternos e o rumo abandonado de um vilão anunciado anos atrás. A situação de Wanda parece bem mais simples de encerrar do que essas.

Há um efeito prático nisso tudo. Espectadores que acompanham a franquia de forma casual saíram do cinema em 2022 sem saber se uma das protagonistas mais populares havia morrido. Quatro anos depois, seguem sem saber.

O que fica para outubro

A expectativa de parte do público é ver Elizabeth Olsen em cena mais uma vez, ainda que nada tenha sido confirmado nesse sentido. Uma menção clara ao destino da personagem já resolveria a questão, mesmo sem aparição.

Quem quiser revisitar a origem de tudo antes da estreia pode retomar o que a série de 2021 apresentou. VisionQuest chega ao Disney+ em 14 de outubro.

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