The Witcher 3: a fala de Geralt de Rívia que resume a franquia

Andre Luiz

Lançado em 2015 pela CD Projekt Red, The Witcher 3: Wild Hunt é constantemente lembrado como um dos melhores RPGs já feitos.

Boa parte desse legado se deve ao protagonista, Geralt de Rívia, cuja profundidade é resumida em uma única frase que, segundo uma análise do site CBR, dificilmente será superada por outros jogos do gênero. Trata-se de um momento que escancara a moralidade complexa do personagem.

O rei dos anti-heróis dos games

À primeira vista, a premissa de The Witcher 3 parece simples. Geralt embarca em uma jornada para resgatar sua filha adotiva, Ciri, perseguida pela Caçada Selvagem, um grupo de entidades sobrenaturais. Poderíamos imaginar, portanto, que se trata de um herói tradicional e sem manchas.

A realidade, no entanto, é bem mais nuançada. Como um bruxo, Geralt é um mutante criado para caçar monstros, o que lhe rende o estigma e a desconfiança da sociedade. Essa condição molda uma visão de mundo bastante cínica, na qual ele transita entre a devoção absoluta à filha e a disposição de matar sem hesitar para protegê-la.

A frase que diz tudo

É nesse contexto que surge a fala mais marcante do personagem.

Ao longo da aventura, Geralt é constantemente forçado a fazer escolhas difíceis, ciente de que toda decisão carrega consequências graves. A frase, na verdade, tem origem nos livros do escritor Andrzej Sapkowski, mais precisamente no conto O Mal Menor, da coletânea O Último Desejo.

Na tradução brasileira, Geralt afirma que um mal é um mal, seja ele menor, maior ou médio, pois as proporções são convencionadas e as fronteiras, imprecisas. Em seguida, conclui que, se tivesse de escolher entre dois males, preferiria não escolher nenhum.

A reflexão tornou-se um pilar moral do personagem e foi eternizada no aclamado trailer Killing Monsters, do jogo.

A ironia por trás das palavras

O detalhe mais fascinante é que, logo após pronunciar essa máxima sobre evitar escolhas, Geralt acaba partindo para a luta e o derramamento de sangue. Embora pareça uma contradição, isso faz todo o sentido dentro da obra.

O bruxo sabe que, no mundo real, o pacifismo absoluto raramente é uma opção viável.

Devido às inúmeras ramificações e finais de The Witcher 3, não há como o protagonista atingir seus objetivos sem enfrentar combates mortais. Se dependesse apenas de sua vontade, ele resgataria Ciri em paz, mas a brutalidade do universo ao seu redor simplesmente não permite esse luxo.

Uma moralidade construída com cuidado

Tudo isso reflete a genialidade de Andrzej Sapkowski ao criar o personagem. O autor concebeu Geralt para ser uma figura o mais neutra possível, alguém que tenta seguir um código de conduta próprio. Sob pressão extrema, contudo, manter esse código intacto se torna quase impossível.

É justamente esse conflito interno que transforma o bruxo em um anti-herói tão fascinante. No fim das contas, tanto Geralt quanto os jogadores precisam aceitar uma verdade dura: nem sempre é possível agir com pureza, restando apenas a esperança de causar o menor dano possível àqueles ao redor.

Um legado que continua vivo

Mais de uma década após seu lançamento, The Witcher 3 permanece relevante e continua conquistando novos jogadores, em parte graças a momentos de escrita tão memoráveis como esse. O game está disponível em praticamente todas as plataformas atuais, incluindo PlayStation, Xbox e Nintendo Switch, além de PC.

Enquanto os fãs aguardam o próximo capítulo da franquia, já em desenvolvimento pela CD Projekt Red, vale revisitar a jornada de Geralt de Rívia. Afinal, poucas vezes um jogo conseguiu traduzir dilemas morais tão profundos em uma frase tão simples e impactante.

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