X-Men: o mutante que funciona melhor como vilão do que como herói

Andre Luiz

Giant-Size X-Men #1 apresentou ao mundo uma nova formação de mutantes em 1975. O título vinha patinando havia anos e precisava de sangue novo.

Tempestade se tornou uma das grandes líderes da equipe. Noturno virou o irmão mais gente boa do grupo. Wolverine, claro, acabou disparado como o mutante mais popular de todos. Colossus, o gigante de metal com alma de artista, ficou para trás nessa corrida por popularidade.

Um herói que nunca teve profundidade

Chris Claremont pegou o material bruto de Giant-Size X-Men #1 e transformou aquele time na equipe mais popular dos quadrinhos. Ciclope era o líder cabeça-dura. Tempestade, a dama régia. Wolverine, o solitário barraqueiro. Noturno, o garotão da turma. Coube a Piotr Rasputin, o Colossus, ser a alma sensível do bando. Ele tinha um temperamento assustador, mas só queria mesmo uma vida simples ao lado da própria arte.

Um dos momentos mais marcantes do personagem aconteceu em X-Men #125-128. Ali, os mutantes enfrentaram Proteus, filho de Moira MacTaggert com poderes de alterar a realidade. Só metal conseguia feri-lo, e coube a Colossus encerrar a ameaça com um único soco fatal. O ato o destruiu por dentro, mas mostrou ao leitor tanto sua sensibilidade quanto o aço escondido nele. Depois disso, o personagem nunca mais teve um papel de tamanho peso dentro das histórias.

Um padrão que só aparece quando ele se rende à raiva

Colossus seguiu irrelevante por boa parte dos anos seguintes. Ele foi sustentado apenas pelo romance com Kitty Pryde e pela imagem de protetor confiável do time. A morte de Magia, no início dos anos 90, mudou brevemente esse cenário. Ele se juntou aos Acólitos de Magneto, mas isso não trouxe consequência narrativa alguma antes de ele voltar para o lado dos heróis.

Suas fases como Fanático e como hospedeiro da Fênix até renderam bons momentos. Ainda assim, isso não bastou para tirá-lo da irrelevância geral.

Colossus como o Fanático – Reprodução/Marvel Comics

Curiosamente, as versões mais interessantes de Colossus surgiram quando ele parou de ser o protetor de sempre. Em Wolverine: Revenge, ele lidera a Rússia e a Irmandade de Mutantes Malignos. Ele protege o hemisfério oriental à custa do ocidental, o que o coloca em rota de colisão direta com Wolverine.

Já no novo Universo Ultimate, ele integra o Conselho do Criador, vilão principal daquela realidade. Não é coincidência que um Colossus vilão continue voltando à mente dos roteiristas. É praticamente a única vez em que ele soa interessante.

Por que o futuro dele está longe da mansão Xavier

Magneto já provou isso ao longo de décadas de quadrinhos. Vimos isso recentemente ao acompanhar sua guinada sombria em X-Men ’97: um vilão mutante bem construído costuma render histórias mais ricas do que um herói eternamente controlado. Colossus vem sacrificando a própria vida pelos X-Men há décadas. No fim das contas, sobram apenas decepção e desgaste emocional para o personagem.

Sua versão mais marcante fora dos quadrinhos, aliás, também aponta nessa direção. Como já mostramos ao falar sobre a repercussão de Colossus nos filmes do Deadpool, o próprio ator Stefan Kapicic reconheceu o potencial de crescimento do papel dentro da franquia. Uma virada definitiva para o lado sombrio seria a mudança mais drástica possível para o gigante de aço. Talvez seja justamente isso que falta para tirá-lo de uma vez da estagnação de décadas.

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