Matt Damon revelou o truque de câmera usado por Christopher Nolan para criar os monstruosos Lestrigões. A solução envolveu dublês de alturas extremas e uma profissional surpreendente.
Entre tantos números impressionantes de A Odisseia (The Odyssey), um detalhe técnico vem roubando a conversa entre os fãs. Christopher Nolan deu vida às criaturas mitológicas do filme com efeitos práticos e pouquíssimo uso de computação gráfica, incluindo os assustadores gigantes que atacam a tripulação de Odisseu.
Atenção: o texto a seguir contém spoilers leves de uma das sequências do longa. Se você ainda não assistiu, talvez prefira voltar aqui depois da sessão.
A cena dos gigantes
No caminho de volta da Guerra de Troia, Odisseu e seus homens atracam em ilhas para reabastecer. Em uma dessas paradas, o grupo adentra uma floresta e se depara com um exército de gigantes, os Lestrigões, criaturas canibais da mitologia grega que na tela aparentam ter cerca de quatro vezes a altura do herói de Matt Damon.
A surpresa está em como o efeito foi obtido. Nada de gigantes digitais. Em participação no podcast Happy Sad Confused, Damon explicou que a produção recorreu à velha e boa perspectiva forçada, técnica de enquadramento que engana o olho ao posicionar atores de estaturas muito diferentes em distâncias calculadas da câmera.
Quando fizemos a perspectiva forçada com os Lestrigões, havia dublês que tinham todos 2,13 metros. Depois contrataram dublês com menos de 1,52 metro, e a minha dublê era uma mulher. Então há planos no filme em que você vê esses gigantes pairando sobre mim (tradução livre)
A dublê que virou assunto
O detalhe mais curioso da revelação é justamente esse. Para vender a ilusão de escala, o dublê de Damon na sequência foi uma mulher, a canadense Devyn Dalton, que mede cerca de 1,37 metro. No mesmo papo, o ator fez questão de elogiá-la, contando que a abraçou e agradeceu pelo trabalho ao conhecê-la no set, brincando que ela tinha os braços mais impressionantes que ele já viu.
Dalton não é novata. Seu currículo inclui trabalhos de captura de movimento na franquia Planeta dos Macacos e participação em O Bom Gigante Amigo. Após a repercussão, ela publicou registros de bastidores nas redes sociais mostrando a diferença brutal de altura entre as equipes de dublês, descrevendo a batalha dos Lestrigões como um esforço coletivo épico e uma experiência inesquecível.
Ciclope de marionete e porcos animatrônicos
Os gigantes são só a ponta do iceberg artesanal. A aguardada sequência do Ciclope foi realizada com uma marionete gigantesca, suspensa dentro de uma caverna real na Grécia, região das gravações que incluiu locações como a icônica praia de Voidokilia.
Já a passagem envolvendo os porcos, conhecida de quem leu o poema de Homero, utilizou animatrônicos. É o pacote completo da filosofia de Nolan, diretor que construiu a carreira privilegiando soluções físicas diante da câmera, como os fãs acompanham desde os primeiros mistérios em torno do projeto.
Uma produção de escala irrepetível
O compromisso com o real foi além dos monstros. A maior parte do filme foi rodada em locações verdadeiras, ao longo de 91 dias de filmagem em seis países, incluindo Marrocos e Grécia, em meados de 2025.
Em entrevista à revista GQ antes da estreia, Damon contou o espanto de chegar a castelos abandonados e praias desertas escolhidas para as gravações, questionando como alguém imaginou ser possível filmar naqueles lugares. O ator também expressou a sensação, compartilhada durante as filmagens, de que este pode ser o último filme desse tipo, já que, na visão dele, dificilmente cineastas continuarão recebendo recursos para rodar produções dessa forma. Nolan, vale registrar, já rebateu publicamente o pessimismo do amigo, classificando a visão como derrotista.






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