Bungie planeja sublocar grande parte de sua sede após demissões em massa

Vinicius Miranda

A Bungie, estúdio responsável por Destiny 2 e Marathon, está avaliando a possibilidade de sublocar a maior parte de seu campus em Bellevue, no estado de Washington. A medida acontece após uma sequência de demissões significativas e reflete a adoção de um modelo de trabalho descrito pela própria empresa como “digital-first”.

Estúdio confirma intenção de sublocar espaço físico

Em comunicado enviado ao site The Game Post, a Bungie confirmou que está explorando opções para sublocar parte de seu campus corporativo. O veículo identificou um anúncio referente a mais de 210 mil pés quadrados de área locável dentro do prédio da empresa, com um contrato que pode se estender até 2035.

Apesar do tamanho da área envolvida, a companhia faz questão de reforçar que a notícia não deve ser interpretada como sinal de um fechamento iminente do estúdio. Segundo a Bungie, a decisão reflete principalmente a realidade atual de uma equipe muito menor do que era há alguns anos, somada à consolidação de um modelo de trabalho remoto que já vinha sendo adotado internamente.

De acordo com a própria empresa, a transição para um formato de trabalho digital começou há vários anos, e a decisão de reduzir o espaço físico ocupado reflete tanto as novas necessidades da equipe quanto a eficácia demonstrada pela colaboração remota ao longo desse período.

Uma sede pensada para tempos mais ambiciosos

Marathon
Marathon – Divulgação / Bungie

O prédio em questão foi ocupado pela Bungie ainda durante um período de expansão da empresa, motivado por um plano liderado pelo então CEO Pete Parsons para transformar o estúdio em uma operadora de múltiplas franquias.

De lá para cá, porém, o cenário mudou bastante: Parsons deixou o cargo, seu sucessor também saiu da empresa, diversos projetos que estavam em fase de incubação foram cancelados, o desenvolvimento de Destiny 2 chegou ao fim, e Marathon — o único outro jogo lançado pelo estúdio na última década — vem enfrentando dificuldades para manter uma base sólida de jogadores.

O que aconteceu com os outros projetos da Bungie

Em determinado momento, relatos indicavam que a Bungie chegou a ter entre cinco e seis jogos em desenvolvimento simultâneo, incluindo Marathon e Destiny 2, além de um suposto projeto de fantasia com elementos semelhantes aos de Genshin Impact.

Boa parte dessas iniciativas parece ter sido abandonada pouco tempo depois da aquisição da Bungie pela Sony, negócio avaliado em US$ 3,6 bilhões. Executivos do estúdio já foram criticados publicamente sob a suspeita de terem inflado artificialmente o número de projetos em incubação como forma de valorizar a empresa antes da venda.

O impacto das demissões nas equipes de Destiny 2 e Marathon

Destiny 2
Destiny 2 – Divulgação / Bungie

Após o encerramento do ciclo de desenvolvimento de Destiny 2, a Bungie anunciou que a maior parte da equipe responsável pelo jogo seria demitida, justificando a decisão com o argumento de que o MMO não vinha atingindo as expectativas nos últimos anos. Parte dos desenvolvedores de Marathon — projeto cuja equipe chegou a somar centenas de profissionais, muitos deles vindos originalmente do time de Destiny 2 — também foi afetada pelos cortes.

Como resultado dessas reduções, a equipe atual dedicada a Destiny 2 ficou tão enxuta que a própria Bungie já admitiu não conseguir garantir respostas rápidas a problemas relatados pelos jogadores, como bugs, ainda que o suporte básico dos servidores continue sendo mantido.

Marathon segue seu caminho rumo à terceira temporada, mas com uma base de jogadores bem menor do que a registrada no lançamento. Apesar de ainda ser um jogo bem avaliado por parte da comunidade, o título tem enfrentado dificuldades para se firmar no mercado, e o conteúdo da segunda temporada não foi suficiente para reverter esse cenário.

Bungie mantém presença física em Bellevue

Mesmo com a intenção de sublocar a maior parte do espaço disponível, a Bungie afirma que continuará mantendo uma presença física em Bellevue, ainda que reduzida.

Enquanto trabalha no futuro de Marathon e avalia novas iniciativas, o estúdio segue tentando se reposicionar dentro de um mercado cada vez mais competitivo, mesmo após anos de expansão frustrada e uma reestruturação profunda desde sua aquisição pela Sony.

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