Entre os anúncios feitos pela Amazon durante a San Diego Comic-Con, um passou relativamente batido fora dos círculos mais dedicados. O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder confirmou Andrew Richardson no papel de Anárion, figura mencionada nas duas primeiras temporadas sem jamais aparecer em cena.
Quem é Anárion nos livros
A ficha do personagem é direta. Ele é filho de Elendil e irmão de Isildur, portanto integrante da linhagem mais importante entre os homens daquele período.
Segundo os apêndices de J.R.R. Tolkien, os dois irmãos escaparam da queda de Númenor e fundaram Gondor juntos. Cada um governou a partir de uma das cidades gêmeas erguidas por eles.
Ambos lutaram na aliança final contra Sauron, mas apenas Anárion morreu em combate, durante o cerco à fortaleza inimiga. Isso significa que o arco dele já nasce com desfecho definido.
Por que ele vive à sombra do irmão
O desequilíbrio tem explicação simples. Isildur é quem corta o anel da mão de Sauron, gesto que define a saga inteira e abre o primeiro filme da trilogia clássica.

Anárion nunca teve um momento equivalente. As adaptações anteriores praticamente o ignoraram, ainda que a série já tivesse anunciado o intérprete do irmão dele desde a formação do elenco original.
A herança dele, porém, atravessa séculos. Os descendentes de Anárion sustentaram a linhagem de Gondor por muito tempo depois da morte dele.
O mistério que a produção construiu
A série soube aproveitar essa obscuridade. Ao longo das duas temporadas anteriores, Elendil e Isildur mencionaram que o parente seguia em Númenor, sem esclarecer de que lado ele estava.
A dúvida não era decorativa. A ilha vivia divisões políticas profundas naquele período, e deixar a lealdade dele em aberto criou expectativa em torno de uma estreia que agora finalmente acontece.
Para quem acompanha só pela série, uma explicação ajuda. Númenor é um reino insular de homens abençoados com vida longa, e a queda dele é um dos episódios mais dramáticos da mitologia criada por Tolkien. Os sobreviventes daquela catástrofe fundam os reinos que aparecem nos filmes clássicos.
O que a escalação indica
Existe uma leitura prática nesse anúncio. Confirmar o personagem sugere que a trama de Númenor vai além do que Isildur sozinho comportaria, apontando para a fundação de Gondor e para a guerra decisiva.
O salto temporal previsto para o início da temporada ajuda nessa costura. Vale lembrar que a produção já havia prometido ampliar o escopo da história a cada ano, e a segunda leva de episódios levou personagens para regiões inéditas do mapa.
Uma correção que vale registrar
Parte da cobertura internacional escorregou em um detalhe cronológico importante. A fundação de Gondor e a guerra contra Sauron não levam à Segunda Era, como se leu por aí. Esses acontecimentos encerram a Segunda Era e inauguram a Terceira, período em que se passam os romances e os filmes clássicos, milhares de anos depois.

Uma ressalva sobre expectativas, ainda assim. Ter o personagem escalado não garante espaço generoso em cena, e séries costumam apresentar figuras importantes aos poucos. O peso real dele só será medido quando os episódios chegarem.
Quem mais chega nesta leva
O elenco ganhou outros reforços relevantes. Jamie Campbell Bower entra como Celeborn, e Adam Young interpreta um orc chamado Marnukh, cuja presença sugere divisões internas entre essas criaturas.
Esse último detalhe é o mais ousado. Orcs com pensamento próprio contrariam a leitura mais tradicional da obra, o que deve render discussão entre puristas. A nova temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder estreia em 11 de novembro.




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