Batman: Knightfall: Michael Mando comenta papel de Bane

Andre Luiz

Poucos personagens carregam tanta expectativa sonora quanto Bane. Depois da interpretação marcante vista no cinema em 2013, qualquer nova versão precisa se justificar. Em conversa com o ComicBook.com durante a San Diego Comic-Con, Michael Mando explicou como construiu a voz do vilão para Batman: Knightfall, animação com classificação adulta prevista para agosto.

A preparação que virou solução

O ponto de partida foi contraintuitivo. Segundo o ator, a produção avisou que não queria que ele fizesse uma voz, preferindo interpretação natural.

Ele mesmo assim se preparou. O intérprete decorou o roteiro inteiro e estudou tudo que encontrou sobre o personagem. Ele entendeu que não poderia simplesmente chegar ao estúdio sem base alguma.

O resultado apareceu logo na primeira sessão. Quando pediram para ouvir a voz, ele respondeu que não havia voz nenhuma preparada. O trabalho acumulado, porém, permitiu que tudo se resolvesse em dois ou três minutos.

O conceito por trás da entonação

A construção partiu de uma ideia específica. Para ele, o personagem molda a realidade por meio das palavras, dobrando frases da mesma forma que dobra a vontade das pessoas.

Existe uma camada mais profunda nesse raciocínio. O núcleo da interpretação, segundo o ator, é a dor mascarada por trás da imponência. Ela vem da perda da mãe e da infância passada dentro de uma prisão.

O reconhecimento ao antecessor

A conversa começou com um gesto elegante. Mando abriu elogiando Tom Hardy. Ele afirmou que nunca quis replicar o trabalho de ninguém, nem ser diferente apenas pelo prazer de ser diferente.

bane
Bane foi o vilão final da trilogia O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, vivido por Tom Hardy – Reprodução/Warner Bros.

A postura faz sentido diante do histórico. O vilão já passou por versões bem menos felizes no cinema. Houve até uma abordagem rasa nos anos 1990 pela qual o próprio roteirista pediu desculpas depois.

Houve ainda passagem pela televisão. O personagem apareceu na última temporada de uma série sobre os primórdios de Gotham, em leitura bastante distinta das anteriores.

O que o produtor confirmou

Rick Morales, produtor supervisor do projeto, entrou na conversa para reforçar o elogio. Segundo ele, não houve necessidade de regravação alguma depois da fase de storyboard.

O detalhe técnico impressiona quem conhece o processo. Regravar trechos após a animação ficar pronta é rotina no setor, e o produtor afirma que nenhuma fala precisou ser refeita.

O único trabalho adicional foi pontual. O ator voltou apenas para gravar sons de esforço, aqueles ruídos usados nas cenas de luta.

O filme e a classificação

A estreia norte-americana está marcada para 25 de agosto. Trata-se da primeira parte de uma trilogia, com o segundo capítulo previsto ainda para este ano e o terceiro para 2027.

A classificação restrita a adultos chama atenção. Animações do herói costumam mirar público amplo. Ainda assim, a linha animada da editora já experimentou tons mais soltos antes.

Para quem não conhece a história de origem, uma nota rápida. Knightfall é o arco dos quadrinhos em que o vilão quebra a coluna do herói, publicado no início dos anos 1990 e conhecido no Brasil como A Queda do Morcego. É material pesado, o que ajuda a justificar a classificação escolhida.

O que ainda falta saber

A distribuidora não anunciou data brasileira nem detalhes de dublagem nacional. Considerando a classificação, vale acompanhar como o material será tratado por aqui.

O material promocional de Batman: Knightfall já circula no exterior. Quem acompanha as animações da casa terá referência clara do tom logo nas primeiras cenas divulgadas.

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