O Batman sempre foi o humano que vence quem não deveria vencer. A edição anual de Detective Comics lançada neste ano nos Estados Unidos, porém, leva essa lógica a um novo patamar. Com roteiro de Tom Taylor e arte de Nicola Scott, a história coloca o herói frente a frente com Lobo e apresenta o item mais destrutivo já atribuído a Bruce Wayne.
O conflito nasce de uma acusação. O caçador de recompensas czarniano foi contratado para capturar o herói, apontado como responsável pelo assassinato de um rei extraterrestre. A perseguição começa em tom de brincadeira, com Lobo se divertindo às custas do adversário. A virada acontece quando o morcego decide encerrar a diversão.
A arma que muda a escala do personagem
O recurso é pequeno e discreto. Bruce joga uma espécie de cápsula na boca do caçador e explica o conteúdo em seguida.
Dentro daquele objeto está o núcleo comprimido de uma estrela anã, que ele pode expandir quando quiser. Ao acionar o mecanismo, o alvo seria incinerado de dentro para fora, com calor equivalente ao de milhares de sóis em miniatura.
O controle funciona de forma engenhosa. O herói mantém um dispositivo acionado em ritmo constante para impedir a detonação. Interromper o padrão significa ativar a arma.
Por que a regra dele não é violada
A justificativa aparece na própria história. Bruce Wayne argumenta que o adversário é funcionalmente imortal, e por isso não precisa se conter como faria com qualquer outro oponente.
Segundo os cálculos apresentados por ele, a regeneração completa levaria cerca de três anos após a pulverização. Na prática, seria uma sentença de prisão biológica, não uma execução.
O raciocínio é elegante e também um pouco incômodo. Ele revela um personagem disposto a encontrar brechas técnicas no próprio código moral quando a situação aperta, algo que os quadrinhos costumam explorar com menos honestidade do que aqui.

Para quem não conhece em detalhes: Lobo é um mercenário espacial criado nos anos 1980, último sobrevivente do próprio planeta e conhecido justamente por não morrer de jeito nenhum. Essa característica é o que torna a solução do roteiro possível.
Não é a primeira invenção exagerada
O arsenal do herói já acumula itens difíceis de justificar. Há a armadura criada para enfrentar Darkseid, o traje projetado especificamente para derrotar os integrantes mais fortes da Liga da Justiça e inteligências artificiais de contenção.
Existem ainda tecnologias obtidas por engenharia reversa a partir de equipamentos de outros mundos. Vale lembrar que o personagem estreou em 1939, quando a mesma revista o apresentou como um detetive urbano sem nada de extraordinário nas mãos.
O risco que quase ninguém discute
Aqui está a leitura mais interessante da história. Boa parte dessas criações representaria ameaça planetária se caísse em mãos erradas, e os próprios quadrinhos já mostraram isso acontecendo mais de uma vez.
O código pessoal do Batman limita o uso que ele faz da tecnologia. Não limita, porém, o uso que terceiros fariam dela, e essa distinção raramente entra na conversa quando alguém celebra a genialidade do personagem.
Onde acompanhar
A edição já está disponível no mercado norte-americano, sem data brasileira anunciada até o momento. Quem acompanha a linha atual da editora pode se situar pela fase iniciada com a proposta DC All In, que reorganizou boa parte das revistas.
Vale lembrar que a publicação mensal do herói segue apresentando novidades com frequência, incluindo vilãs criadas especificamente para o universo dele nos últimos anos.






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