Capcom explica sumiço dos spin-offs de Resident Evil

Vinicius Miranda

Produtor da franquia revelou por que a empresa parou de lançar derivados como Revelations e Outbreak. O motivo, segundo ele, é simples: falta tempo e gente disponível.

A Capcom vive um verdadeiro momento de ouro com Resident Evil, emendando remakes aclamados e novos capítulos de sucesso. Mesmo assim, uma parte dos fãs sente falta de um ingrediente que marcou a série no passado: os spin-offs, aqueles jogos derivados que expandiam o universo entre um lançamento principal e outro. Agora, o produtor Masachika Kawata explicou por que esses títulos andam sumidos, e a resposta é mais prática do que os fãs imaginavam.

Por que os spin-offs de Resident Evil sumiram

Em entrevista à revista Game Informer, reproduzida pelo site Nintendo Everything, Kawata abordou diretamente a ausência prolongada de derivados. Segundo ele, o problema não é falta de vontade ou de ideias, mas sim de recursos humanos. As equipes da Capcom estão totalmente comprometidas com os grandes projetos da marca, sem fôlego para tocar produções paralelas ao mesmo tempo.

Talvez existam muitas pessoas por aí que gostariam de ver mais spin-offs, mas, honestamente, a equipe está dando tudo o que tem agora, trabalhando em coisas como nossas novas entradas, tipo Requiem, ou remakes. Então, sinceramente, é aí que nossos esforços estão concentrados no momento. Estamos tão focados em despejar nossa energia nisso que não acho que sobre muita coisa para um spin-off agora. (tradução livre)

A fala deixa claro o tamanho da operação. A Capcom não é um estúdio pequeno e trabalha em muito mais do que apenas Resident Evil. A empresa toca simultaneamente franquias como Monster Hunter, além de projetos novos como “Pragmata” e “Onimusha: Way of the Sword”. Nesse cenário, cada equipe precisa escolher onde colocar sua energia.

Uma seca que já dura quase uma década

Resident Evil Revelations 2 – Divulgação / Capcom

Para dar contexto, vale relembrar a linha do tempo. O último derivado com foco realmente em campanha solo foi o problemático “Umbrella Corps”, um jogo multiplayer mal recebido que os fãs preferem esquecer. Já o último derivado mais dedicado à narrativa foi “Resident Evil: Revelations 2”, lá em 2015. De lá para cá, a Capcom apostou em uma sequência de jogos principais, remakes e algumas experiências multiplayer que não emplacaram.

Kawata mencionou nominalmente séries derivadas como Revelations e Outbreak ao explicar que nenhuma delas está em desenvolvimento no momento. Portanto, quem torce por um retorno desses subgêneros terá de esperar um bom tempo. A prioridade, por ora, é outra.

A estratégia dos remakes anuais

O produtor também revelou a lógica por trás da enxurrada de remakes. Segundo Kawata, produzir um jogo totalmente inédito todos os anos seria uma tarefa hercúlea e arriscada. Por isso, revisitar clássicos e reconstruí-los ajuda a Capcom a manter Resident Evil como um lançamento praticamente anual, sem sobrecarregar as equipes de forma insustentável.

Além disso, os remakes cumprem um papel financeiro estratégico. O produtor explicou que o sucesso comercial dessas releituras ajuda a bancar não só os novos capítulos da série, mas também propriedades intelectuais totalmente novas, como o próprio “Pragmata”. Ele descreveu esse modelo como um ciclo virtuoso que a empresa teve a sorte de encontrar. Não à toa, Kawata classificou os remakes como igualmente importantes que os jogos principais.

O que vem pela frente

Os números explicam a confiança da empresa. “Resident Evil Requiem”, que também é o nono capítulo principal da saga, foi lançado em 27 de fevereiro de 2026 e se tornou um dos maiores sucessos do ano. O jogo acumula nota 89 no Metacritic e chegou a PC, PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

Olhando adiante, o próximo grande lançamento confirmado é o remake de “Resident Evil Code: Veronica”, clássico originalmente de 2000, com janela prevista para 2027. Há ainda rumores de uma expansão para “Requiem”, além de relatos não confirmados de que um remake do “Resident Evil” original já teria entrado em produção. Especula-se também que “Resident Evil 10” possa chegar apenas por volta de 2030. Vale reforçar que nada disso foi oficializado pela Capcom, tratando-se de informações de bastidores.

A explicação de Kawata é honesta, mas divide opiniões. Por um lado, é difícil reclamar de uma franquia que entrega remakes de altíssima qualidade e capítulos principais bem avaliados, quase todos os anos. O modelo funciona, agrada a crítica e vende muito. Nesse aspecto, os fãs saem ganhando.

Por outro lado, os derivados sempre foram um espaço para experimentação. Foi em spin-offs que a série testou câmeras diferentes, coadjuvantes queridos e histórias fora do arco principal. Perder essa válvula criativa significa uma franquia mais previsível, ainda que mais consistente. Para muitos veteranos, essa troca tem um custo simbólico.

No fim, tudo indica que a Capcom encontrou uma fórmula lucrativa e não pretende mudá-la tão cedo. Enquanto os derivados não voltam, dá para matar a saudade revisitando os clássicos modernos. Vale relembrar a repercussão da gameplay apavorante do remake de “Resident Evil 4”, um dos maiores triunfos desse ciclo. E, para quem acha que o universo Capcom ainda tem muito a explorar em outras mídias, confira nossa lista de videogames que também merecem virar filmes. Por ora, o recado da produtora é claro: remakes e capítulos principais primeiro, spin-offs depois.

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