O Universo DC comandado por James Gunn prepara sua guinada mais radical até agora. Cara-de-Barro, longa dedicado ao clássico vilão do Batman, chega em outubro como o primeiro filme de body horror da nova fase, e o diretor James Watkins explicou que tipo de experiência os espectadores devem esperar.
Uma calibragem delicada
Em conversa durante a San Diego Comic-Con, o cineasta comentou uma sequência já mostrada no material de divulgação, em que o protagonista reage de forma extrema ao ver o próprio rosto desfigurado.
Segundo ele, o filme vai além do que aparece ali, e há outros momentos ainda mais intensos. A preocupação, porém, é com o equilíbrio.
Não quero que as pessoas fiquem enojadas. Momentaneamente, talvez, mas tem que ser um prazer. Não pode ser sombrio. Não pode ser algo que se tolera. Precisa haver alegria nisso, uma alegria coletiva. Então você tenta calibrar, porque as pessoas têm tolerâncias diferentes para as coisas.
O diretor comparou a proposta à montanha-russa mais pesada disponível, com a ressalva de que ninguém deve cair do assento. Ele acrescentou que apresentou uma proposta bastante clara ao ser convidado para o projeto, e o body horror era peça central dessa visão.
Como o personagem chegou aqui
Esta é a segunda aparição da figura na nova continuidade. Antes, ele já havia surgido na animação Comando das Criaturas, em versão dublada por Alan Tudyk. O longa retrocede no tempo para mostrar a origem.

Na trama, Matt Hagen é um ator em ascensão que tem o rosto desfigurado por um criminoso e recorre a um tratamento experimental para recuperar a aparência. O procedimento funciona, mas cobra um preço devastador.
Criado nos anos 1940 e reformulado diversas vezes ao longo das décadas, o vilão sempre foi um dos casos mais trágicos da galeria de Gotham, justamente por misturar vaidade, perda de identidade e monstruosidade física. Vale lembrar que a produção integra o mesmo cânone estabelecido desde o início da fase, quando a equipe da série animada confirmou que tudo ali contaria para os filmes seguintes.
Bastidores movimentados
O caminho até as telas teve percalços. Mike Flanagan escreveu o roteiro original e chegaria a dirigir, mas deixou o posto por conflito de agenda com outros compromissos. Watkins assumiu, e Hossein Amini foi contratado para reescrever o texto.
O elenco reúne Tom Rhys Harries no papel principal, ao lado de Naomi Ackie como a cientista responsável pelo tratamento, Max Minghella como um detetive de Gotham, além de Eddie Marsan, David Dencik, Nancy Carroll e Joshua James. Entre os produtores estão Gunn, Peter Safran, Lynn Harris e Matt Reeves.
Uma aposta fora do padrão
O movimento chama atenção pelo risco calculado. Diferentemente de Superman e Supergirl, este longa aposta em classificação restrita e em um gênero pouco explorado por adaptações de quadrinhos, com orçamento enxuto para os padrões do setor.
A estratégia dialoga com a diversidade de tons prometida para o Capítulo Um: Deuses e Monstros, que reúne projetos bastante distintos entre si. Antes da estreia, marcada para outubro, o público ainda verá a série Lanternas, prevista para agosto.






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