Peter Safran confirmou que o Matt Hagen do longa de terror é o mesmo personagem visto em Comando das Criaturas. A forma monstruosa ficará escondida até a estreia.
Uma dúvida antiga dos fãs do novo Universo DC acaba de ser resolvida. Peter Safran, copresidente da DC Studios, confirmou que o Cara-de-Barro (Clayface) do aguardado filme de terror do estúdio é exatamente o mesmo personagem apresentado na animação adulta Comando das Criaturas (Creature Commandos), disponível na HBO Max.
A confusão tinha razão de ser. Quando o longa foi anunciado, houve relatos conflitantes sobre qual encarnação do vilão metamorfo seria adaptada, e mesmo após a definição de Matt Hagen como protagonista restava a dúvida sobre a ligação com a versão folgada e viciada em videogame vista na série. Em entrevista à Entertainment Weekly, Safran cravou que sim, trata-se do mesmo Cara-de-Barro, acrescentando um detalhe importante de cronologia: os eventos do filme acontecem antes dos da animação no cânone do DCU.
Um vilão feito de retalhos

Curiosamente, o diretor James Watkins enxerga seu protagonista como um amálgama. Segundo ele, a produção pinçou elementos de várias encarnações do personagem ao longo das décadas, construindo uma versão própria que, ainda assim, se encaixa na continuidade oficial estabelecida pela série.
Vale um aviso de spoiler leve a partir daqui. Com a confirmação, fica implícito que Hagen eventualmente se transformará na criatura colossal vista na animação, de boca escancarada e olhos cavernosos, e essa metamorfose deve acontecer no próprio filme.
A forma final ficará escondida até a estreia
A aparência monstruosa definitiva, porém, será mantida fora de todo o material de divulgação. A decisão é uma aposta declarada do diretor no poder do mistério, resumida por ele com uma referência ao clássico dos tubarões de Steven Spielberg.
Você não quer mostrar o tubarão. Acho que as pessoas entregam demais. Acredito no poder do mistério, no poder da sugestão e no poder de as pessoas somarem dois mais dois. Acho mais divertido (tradução livre)
Quem já viu o resultado garante que vale a espera. O protagonista Tom Rhys Harries contou que se passou um ano desde que acompanhou a construção da criatura e que mal pode esperar pela reação do público, descrevendo-se em constante admiração pela gigantesca máquina criativa envolvida na produção.
Easter eggs sim, Batman não
E o Morcego de Gotham? A expectativa é de que o Homem-Morcego não apareça no longa, embora fotos de bastidores tenham revelado acenos ao herói e a vilões de sua galeria, incluindo o Coringa. Watkins explicou que existem pequenos ovos de páscoa para os fãs mais atentos, entre referências de nomes, detalhes de fundo e alusões visuais, todos discretos o bastante para não tirar ninguém da história.
O tom autossuficiente parece proposital. O filme deve funcionar de forma majoritariamente independente, o que não é necessariamente ruim, já que um eventual sucesso abriria caminho para Hagen confrontar o futuro Batman do DCU mais adiante, seja ele quem for.
Terror corporal com pedigree

A ficha técnica impressiona. Primeira incursão da DC Studios no gênero do terror, o longa acompanha a assustadora queda de um astro em ascensão de Hollywood até se tornar um monstro sedento por vingança, explorando a perda de identidade e humanidade, o amor corrosivo e o lado sombrio da ambição científica.
Tom Rhys Harries lidera o elenco, acompanhado de Naomi Ackie, David Dencik, Max Minghella, Eddie Marsan, Nancy Carroll e Joshua James. Watkins, de Eden Lake, dirige o roteiro de Mike Flanagan, o mestre do terror de A Maldição da Residência Hill, escrito ao lado de Hossein Amini. A produção reúne Matt Reeves, Lynn Harris, James Gunn e o próprio Safran. A estreia está marcada para 23 de outubro, em clima de Halloween, após o adiamento da data original de setembro.
A confirmação reforça a promessa central do novo DCU, a de que tudo se conecta de verdade, como a própria animação já havia estabelecido ao ser tratada como cânone desde o início. Ver um personagem saltar do desenho para o live-action com continuidade real é o tipo de recompensa que universos compartilhados prometem e raramente entregam.
Há também um peso estratégico no lançamento. Depois de resultados irregulares recentes nos cinemas, a aposta em um terror contido e de orçamento enxuto testa a tese de que o DCU pode abrigar gêneros radicalmente diferentes, caminho que começou bem quando a série animada estreou sob elogios da crítica. Se o Cara-de-Barro assustar e lucrar, a diversidade de tons vira a maior arma da DC.






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