O último episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão trouxe uma quantidade relevante de mortes que realmente importam para a trama. A questão é que muitas delas não aconteceram da mesma forma que no livro Fogo e Sangue, de George R. R. Martin, provando que a série realmente está disposta a tomar liberdades em relação ao original.
Por que a série muda tanto
A explicação está no formato do livro. A obra é apresentada como crônica histórica escrita por meistres, com versões conflitantes sobre o que teria acontecido de fato.
Aquilo dá liberdade enorme à produção. A série original tinha material narrativo direto para adaptar, enquanto esta precisa escolher entre relatos que se contradizem.
A Batalha de Tumbleton
O confronto em Tumbleton segue as linhas gerais do texto. Daemon é enviado para tomar a cidade, contando com exércitos aliados e com o apoio de um cavaleiro montado em dragão.
A traição estraga o plano. Ulf White decide não seguir ordem alguma, e o dragão Asaprata passa a atacar os dois lados indiscriminadamente. As mortes de dois lordes acontecem de forma distinta. No livro, Roderick Dustin e Ormund Hightower caem em combate direto, e a série acrescenta o ataque do dragão como causa final.


A personagem que não existe no livro
Uma das perdas do episódio é invenção da produção. Kat, esposa de Hugh Martelo, não aparece em nenhuma página do material original.
A função dela é clara. A perda serve para preparar o arco do personagem na temporada final, dando motivação pessoal ao que os livros tratam como oportunismo.
O confronto com a fé
Nada parecido com isso acontece no texto de GRRM. Rhaenyra jamais entra em conflito aberto com a instituição religiosa em Fogo e Sangue. O próprio Alto Septão é criação da série. O personagem chamado Balman não existe no livro, assim como a ordem de execução dada pela rainha.
A mudança tem propósito narrativo. Ela cria justificativa direta para a revolta popular que o material original atribui a outros fatores.
A perda mais dolorosa
Helaena Targaryen morre no episódio, como acontece no livro. As circunstâncias, porém, foram completamente reescritas. No texto original, a motivação é outra: a personagem recebe umanotícia devastadora sobre o filho, elemento que a série eliminou ao cortar aquele personagem da adaptação.
A produção substituiu aquilo pelo cativeiro. Ela passa semanas confinada e submetida à crueldade da cunhada, o que a série usa como origem do sofrimento dela. Um detalhe visual amarra tudo, quando Alicent Hightower tem uma visão de borboletas no caminho de volta à capital, resgatando anotações que a filha fizera no começo da temporada.

O peso das alterações
Mudanças assim já geraram atrito nos bastidores. O próprio Martin manifestou insatisfação com escolhas feitas por adaptações anteriores, tema recorrente na franquia. A produção também sabe usar detalhes visuais como pista. Pequenos elementos de figurino já carregaram significado dentro da série, prática que se repete no episódio final.
A relação entre as duas protagonistas sempre foi o coração da trama. O público acompanha aquele vínculo desde a primeira temporada, e o episódio final o transforma em crueldade aberta.
Vale lembrar de onde a série veio, aliás. Nossa cobertura registrou o anúncio da produção como aposta da emissora para suceder a série original, missão que ela cumpriu com folga. A Casa do Dragão também tem histórico de acertos, porém. Várias alterações anteriores ajustaram inconsistências deixadas pela produção original, o que mostra que nem toda mudança é problema.
O elenco também mudou ao longo do caminho. O salto temporal que trocou as intérpretes principais na primeira temporada dividiu opiniões e hoje parece decisão acertada. O autor segue envolvido com o universo, apesar das divergências. Nossa cobertura registrou o entusiasmo dele com a produção quando a série ainda estava em desenvolvimento.
A quarta e última temporada de A Casa do Dragão chega em 2028.





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