Em entrevista durante o Summer Game Fest, Kenji Kanno detalhou os planos para “Crazy Taxi: World Tour” e revelou minigames, multiplayer e uma campanha narrativa inédita na franquia.
Vinte anos separam “Crazy Taxi: World Tour” do último jogo completo da franquia. Ainda assim, para o produtor Kenji Kanno, veterano da SEGA e criador original da série, o momento não poderia ser mais oportuno. Em uma apresentação a portas fechadas durante o Summer Game Fest 2026, Kanno mostrou pela primeira vez como o reboot do clássico arcade e do Dreamcast pretende conquistar tanto os nostálgicos quanto uma nova geração de jogadores.
Um jogo para fazer as pessoas sorrirem

Kanno não escondeu que a motivação por trás do retorno é, em parte, emocional. Segundo ele, o mundo precisa de experiências positivas.
Muita coisa no noticiário atual faz a gente não se sentir animado pra viver no mundo. Então, pessoalmente, eu quero que esse novo Crazy Taxi esteja por aí para ajudar as pessoas a sorrir e se divertir.
Para o produtor, a franquia sempre se destacou por gerar apenas emoções positivas, sem qualquer elemento negativo na experiência. Esse posicionamento guia as decisões criativas do novo título. Além disso, Kanno destacou que o projeto faz parte da estratégia da SEGA de reviver suas franquias clássicas, movimento que já inclui títulos como “Jet Set Radio”, “Golden Axe”, “Shinobi” e “Streets of Rage”.
São Francisco repaginada e muito mais
O que Kanno mostrou aos jornalistas presentes gerou uma impressão imediata de autenticidade. A versão de São Francisco recriada em “World Tour” é reconhecível, mas visualmente muito mais rica. O protagonista Axel, com seu cabelo verde e seu táxi amarelo, continua recolhendo passageiros e destruindo cafés e caixas de correio para chegar ao destino o mais rápido possível.
Contudo, o jogo vai além do que a versão original oferecia. Kanno demonstrou um mapa-múndi onde é possível alternar entre diferentes horários do dia e teleportar para missões variadas. Em uma dessas, o táxi amarelo disputa uma corrida tradicional contra um carro esportivo pelas ruas da cidade. Há até indicações de uma história contínua, com Axel conversando e interagindo com os passageiros que recolhe.
O Crazy Taxi original era um jogo de arcade, então não dava para expandir muito. Agora, com esse novo Crazy Taxi, podemos expandir o mundo da franquia, desenvolver o passado dos personagens e dar a eles mais história e profundidade.
Minigames insanos e habilidades especiais
Um dos pontos que mais chamou atenção na apresentação foram os minigames especiais espalhados pelos mapas. Kanno comparou o estilo ao da série “Like a Dragon” (antigamente conhecida como “Yakuza”), e os exemplos confirmaram essa energia.
Em uma das missões, Axel recolhe um pizzaiolo equilibrando uma torre de caixas de pizza com mais de quatro metros de altura. A tarefa é entregar tudo do outro lado do mapa sem derrubar. Em outra, um pescador inicia um minigame no qual o jogador acelera o táxi até o fim de um píer para arremessar uma linha de pesca. Na volta, é preciso dar ré para recolher a captura, que, como era de se esperar, é um tubarão do tamanho de um SUV.
Além desses momentos inusitados, os jogadores também poderão desbloquear habilidades especiais ao longo do jogo, como drifts aprimorados e boosts. Cada mapa global terá atividades exclusivas que complementam o gameplay clássico de corrida com táxi.
Multiplayer finalmente chega à franquia
Outro desejo antigo da comunidade será atendido. Kanno confirmou que “Crazy Taxi: World Tour” contará com um modo multiplayer, algo que os fãs pedem desde 1999.
Mesmo em 1999, muitos jogadores pediam para jogar com amigos. Mas naquela época tínhamos limitações tecnológicas. Agora, em 2026, nossa equipe tem membros muito experientes em jogos multiplayer. O foco principal continua sendo o single-player, mas o multiplayer está lá para os jogadores hardcore ou de fim de jogo que querem passar mais tempo.
A campanha principal levará os jogadores por múltiplas locações ao redor do mundo, com uma narrativa contínua. A SEGA ainda não revelou quais serão todas as cidades disponíveis, mas confirmou que serão cinco cenários globais no total.
Polêmica do uso de IA no desenvolvimento
A empolgação inicial com o anúncio foi parcialmente afetada por uma revelação na página do Steam. O jogo trazia uma nota informando o uso de IA generativa durante o desenvolvimento. A reação negativa foi imediata nas redes sociais.
Porém, Kanno esclareceu posteriormente que a IA foi usada apenas como ferramenta de brainstorming e que todo o conteúdo presente em “World Tour” seria original. A apresentação no Summer Game Fest aconteceu antes dessa polêmica, então o assunto não foi abordado diretamente na demonstração.
O reboot certo na hora certa
O que Kanno apresentou a portas fechadas transmite uma mensagem clara. A SEGA não quer apenas revisitar a nostalgia. A empresa pretende atualizar a fórmula sem perder a identidade que fez de “Crazy Taxi” um clássico nos arcades e no Dreamcast.
Os minigames no estilo “Like a Dragon”, a campanha narrativa e o multiplayer representam camadas novas que podem atrair um público mais amplo. Ao mesmo tempo, a preservação do caos original, da trilha sonora do The Offspring e do visual vibrante garante que os veteranos se sintam em casa.
Se o resultado final entregar o que a demonstração prometeu, “Crazy Taxi: World Tour” pode se tornar uma das surpresas mais agradáveis de 2027. E talvez Kanno tenha razão. Talvez o mundo realmente precise de um táxi amarelo descontrolado para arrancar alguns sorrisos.
“Crazy Taxi: World Tour” tem lançamento previsto para 2027 no PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC (Steam) e Game Pass.



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