A chamada ‘RAMpocalypse’ já elevou o preço de consoles, PCs e até Macs. E, segundo a Lenovo, esse pode ser o novo patamar de preços pelos próximos anos.
O mundo dos games entrou em uma fase cara, e ela pode demorar a passar. A escassez global de memória, apelidada de RAMpocalypse, vem empurrando para cima o preço de praticamente todo o hardware. Xbox e PlayStation já reajustaram seus consoles, o Steam Machine estreará na casa dos US$ 1.049 e a Apple elevou silenciosamente toda a linha de Mac e iPad. No centro de tudo está a demanda insaciável dos data centers de inteligência artificial por memória.
O que é a ‘RAMpocalypse’
O termo descreve a grave falta de chips de memória, como as RAM e os módulos de armazenamento, que atinge o mercado desde 2025. A causa principal é a corrida pela IA: os grandes data centers consomem volumes enormes desses componentes, e isso secou a oferta para o restante da indústria. O resultado aparece direto no bolso do consumidor, com aparelhos cada vez mais caros em todas as categorias.
Vale o registro de praxe: todos os valores citados aqui estão em dólar, podem variar conforme a região e o câmbio, e estão sujeitos a alterações a qualquer momento. Ainda assim, a direção é clara, e ela aponta para cima.
Lenovo prevê um ‘novo normal’ a partir de 2030

Durante a conferência ISC 2026, realizada na Alemanha, um executivo da Lenovo afirmou que os preços da memória dificilmente voltarão aos níveis vistos antes de 2025. A fala, feita em tom de brincadeira, foi de que esses valores “nunca” mais cairão, ainda que a própria empresa tenha esclarecido que o “nunca” se refere, na prática, aos próximos cinco anos ou mais. A leitura é de que, a partir de 2030, o mercado deve se acomodar em um patamar estruturalmente mais alto, mesmo com o aumento da produção.
Essa previsão não está isolada. Fabricantes como SK Hynix e Micron também sinalizam que a escassez deve se estender até por volta de 2030, em parte porque boa parte da produção já está comprometida com contratos de fornecimento de longo prazo.
Três empresas que ditam os preços
Boa parte do problema vem da estrutura do mercado de DRAM, um dos oligopólios mais fechados do setor de tecnologia, com a fabricação concentrada em apenas três companhias: Samsung, SK Hynix e Micron. Com o avanço da IA generativa, o trio redirecionou sua produção para a memória de alta largura de banda usada em data centers, um negócio bem mais lucrativo do que abastecer fabricantes de PCs e consoles. Isso não só agravou a falta de componentes, como deu a essas empresas um enorme poder de impor preços.
O engenheiro Pierre-Loup Griffais, da Valve, resumiu bem essa realidade ao falar sobre a relação com os fornecedores.
Eles nos dão um preço todo mês. E, se a gente disser não, eles simplesmente nunca mais falam com a gente.
Construir uma nova fábrica de chips custa bilhões de dólares e leva anos, o que deixa o setor de games refém desse trio. Para se ter ideia, a própria Microsoft já avisou que os custos de memória e armazenamento dos consoles subiram mais de 2,5 vezes e devem dobrar novamente até o fim de 2027, justificativa usada para os recentes aumentos no Xbox.
Por que os preços dificilmente vão cair
Mesmo que a chamada bolha da IA estoure, a expectativa é de que os preços não melhorem tão cedo. As três fabricantes já gastaram bilhões reconfigurando suas linhas de produção para os chips voltados à IA, e estão presas a contratos que se estendem até 2030. Ou seja, independentemente de a demanda dos data centers esfriar, as obrigações com os gigantes da tecnologia permanecem. Soma-se a isso uma lição amarga deixada pela pandemia: se o público aceita pagar mais durante uma crise, dificilmente os preços recuam depois dela.
Para o universo dos jogos, o impacto é direto. Os custos mais altos de memória e SSD já vêm atrasando planos de nova geração e forçando os estúdios a priorizar a otimização, em vez de simplesmente apostar em hardware mais potente a cada ciclo. Não por acaso, executivos como Phil Spencer já alertaram que não dá para expandir o mercado com consoles de US$ 1.000. Enquanto isso, projetos ambiciosos, como o próximo e poderoso Xbox, terão de lidar com uma conta de componentes muito mais salgada do que no passado.
Se a computação continuar tão cara, o crescimento de toda a indústria pode encontrar uma barreira difícil de transpor. E você, está sentindo essa alta no preço dos seus equipamentos? Pretende adiar a próxima troca de hardware? Conta para a gente nos comentários.






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