A famosa empresa de segurança digital abriu um processo judicial nos Estados Unidos contra o criador de “cracks”. A lista de títulos pirateados inclui gigantes do mercado, gerando um embate direto com a comunidade.
A eterna batalha entre empresas de segurança corporativa e a comunidade de pirataria acaba de ganhar um capítulo legal de grande escala. A companhia responsável pelo Denuvo, o software de proteção anti-pirataria (DRM) mais utilizado e debatido da indústria, abriu um forte processo judicial contra um hacker prolífico. Conhecido nos fóruns da internet apenas pelo pseudônimo “voices38”, o indivíduo é acusado de quebrar ativamente a segurança de dezenas de grandes lançamentos de videogame.
A ação oficial foi registrada nesta segunda-feira no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. Nos documentos, a empresa desenvolvedora acusa a entidade desconhecida de violar flagrantemente as restrições de direitos autorais, removendo a tecnologia antitravamento de pelo menos 26 jogos de PC. Com essa remoção, o usuário permitiu a criação e a distribuição em massa de versões não autorizadas.
A caçada ao hacker voices38 e os jogos afetados

O processo judicial listou nominalmente os 26 projetos que tiveram suas defesas derrubadas pelo programador. A lista inclui pesos pesados do mercado, englobando grandes franquias de horror de sobrevivência e ação desenfreada. Entre os destaques citados no documento oficial estão “Resident Evil Requiem”, “Stellar Blade”, “Pragmata”, “Black Myth: Wukong”, “Hogwarts Legacy”, “Sonic Frontiers” e “Dead Space Remastered”.
Embora a corporação ainda não saiba o verdadeiro nome por trás do pseudônimo, ela adotou uma estratégia agressiva para descobrir a sua identidade. O documento legal forneceu o ID de usuário do suspeito no Discord, sua conta na rede social Reddit e sete perfis diferentes vinculados a ele na loja digital Steam. O objetivo imediato da Denuvo é conseguir autorizações judiciais para intimar essas plataformas de tecnologia, obrigando-as a entregar os dados privados de registro, como endereços de IP e e-mails pessoais.
Apesar da forte pressão legal e do risco iminente de exposição, o alvo da ação não demonstrou preocupação. Em uma resposta direta publicada no popular fórum ‘CrackWatch’, no Reddit, o invasor tranquilizou os seus seguidores.
Está tudo bem. Tudo continuará normalmente.
A polêmica do acesso Kernel e a revolta dos jogadores

Todo esse cenário jurídico ocorre em meio a uma longa controvérsia envolvendo a própria aceitação da ferramenta de segurança. O DRM da empresa é alvo constante de duras críticas da comunidade, pois muitos jogadores relatam que o software causa graves quedas de desempenho (frame rate) e travamentos em computadores perfeitamente capazes de rodar os jogos.
No final do ano passado, a comunidade dedicada à pirataria de jogos desenvolveu um método de invasão que instala um driver no nível Kernel do sistema operacional. Esse nível de acesso profundo consegue interceptar e enganar as verificações de segurança do Denuvo na raiz da máquina. No entanto, muitos usuários ficam extremamente desconfortáveis em conceder acesso Kernel irrestrito a um software criado por invasores anônimos. Devido a esse enorme risco de segurança, a demanda pelos antigos e tradicionais “cracks” — as modificações diretas nos arquivos executáveis distribuídas por figuras como voices38 — continua altíssima na internet.
O que a Denuvo exige nos tribunais?
A companhia não quer apenas interromper as operações do invasor. A empresa está exigindo formalmente que o tribunal obrigue o réu a pagar pesadas indenizações por violar os termos de evasão da lei americana de direitos autorais (DMCA). Além disso, eles solicitaram uma liminar rigorosa que o proíba de burlar a tecnologia da marca em qualquer videogame passado, presente ou futuro.
O uso da palavra “futuro” no processo é crucial para o andamento do caso. Desde que a corporação finalizou e entregou a lista oficial com as 26 infrações iniciais, o hacker voices38 já zombou da segurança da marca novamente. Ele lançou recentemente desbloqueios para os aclamados “Persona 3 Reload” e “Star Wars Outlaws”, provando que a batalha tecnológica entre a gigante corporativa e os invasores independentes está muito longe de um fim pacífico.




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