Estúdio desconversa sobre sequência de Dragon Ball Z: Kakarot

Vinicius Miranda

Questionado na Japan Expo, o presidente da CyberConnect2 não confirmou nem negou um segundo jogo. Para os fãs de RPG da franquia, esse silêncio já vale como esperança.

Uma pergunta feita em um painel na Japan Expo, em Paris, reacendeu uma discussão antiga entre os fãs de Dragon Ball. Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma sequência para Dragon Ball Z: Kakarot, Hiroshi Matsuyama, presidente da CyberConnect2, teria evitado responder objetivamente. Não disse sim, mas também não disse não. E, no vocabulário dos fãs, isso é praticamente um convite ao otimismo.

O que aconteceu no painel

O relato vem de participantes presentes ao evento, que ocorreu entre os dias 9 e 12 de julho no centro de exposições de Paris-Nord Villepinte. Segundo o perfil DBZcom, que acompanhou a apresentação, Matsuyama se manteve bastante evasivo quando o tema surgiu, sem confirmar nem descartar a hipótese.

A única informação concreta que ele teria oferecido é que a equipe segue trabalhando duro em seus projetos licenciados de anime. Vale a ressalva: essa frase pode se referir simplesmente a .hack//Z.E.R.O., o título que a empresa desenvolve atualmente. Portanto, nada foi anunciado.

Ainda assim, o gesto surpreende. A CyberConnect2 vinha sinalizando publicamente uma guinada em direção a projetos próprios, deixando os jogos licenciados em segundo plano por um tempo. Neste ano, aliás, o estúdio comemora 30 anos e chegou a prometer o anúncio de um jogo inteiramente novo.

Por que Kakarot 2 seria tão desejado

Dragon Ball Z: Kakarot – Divulgação / Bandai Namco

Aqui está o ponto que explica a ansiedade. O universo de Dragon Ball nunca teve tantos jogos de luta bons ao mesmo tempo. Dragon Ball: Sparking Zero entregou o simulador de batalhas que a comunidade pedia havia anos, e Xenoverse 3 promete alimentar o público online por uma boa temporada.

O buraco está em outro lugar. Os RPGs da franquia praticamente pararam em Kakarot. Lançado em janeiro de 2020 pela Bandai Namco, o jogo recontou a saga do mangá com carinho pouco comum em adaptações, expandiu momentos e ainda incorporou histórias selecionadas do anime. O resultado foi bem recebido e acumula mais de 10 milhões de cópias, segundo levantamentos recentes.

Nem tudo, porém, foi contemplado. Boa parte de Dragon Ball Super ficou de fora, assim como Dragon Ball GT. É exatamente esse vazio que faz tanta gente sonhar com uma continuação.

Quem é a CyberConnect2

Para quem acompanha jogos de anime, o nome dispensa apresentações. O estúdio japonês é responsável pela série Naruto: Ultimate Ninja Storm, pelos games de Demon Slayer, por JoJo’s Bizarre Adventure e pela franquia própria .hack. Dificilmente existe casa mais experiente no ramo.

Matsuyama, que comanda a empresa, é figura conhecida em eventos internacionais e costuma ser transparente sobre os planos do estúdio. Justamente por isso, a recusa em negar a sequência chamou atenção. Quando alguém acostumado a falar abertamente escolhe não falar, o silêncio pesa.

Esperança sim, expectativa nem tanto

É preciso equilíbrio. Não confirmar algo não é o mesmo que sinalizar algo. Executivos frequentemente evitam respostas diretas em painéis públicos para não frustrar plateias nem antecipar decisões que ainda dependem da detentora da licença, no caso a Bandai Namco.

Dito isso, há razões comerciais sólidas para acreditar. Um RPG que cobrisse Dragon Ball Super, incluindo os arcos de Beerus, Zamasu e o Torneio do Poder, atenderia um público que os jogos de luta simplesmente não alcançam. São experiências distintas. Além disso, a franquia segue extremamente lucrativa e a demanda por conteúdo permanece alta.

O contra-argumento também existe. A CyberConnect2 pode legitimamente querer construir propriedades intelectuais próprias, algo que traz margem maior e independência criativa. Se for esse o caminho, um eventual Kakarot 2 poderia acabar nas mãos de outro estúdio, ou simplesmente não sair.

Nenhum anúncio, nenhuma data, nenhuma promessa. O que existe é uma porta que ninguém se deu ao trabalho de fechar. Para uma comunidade que já se acostumou a ouvir negativas categóricas, isso pode não ser muito. Mas, convenhamos, é bem mais do que nada.

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