A Square Enix revelou que a próxima expansão do MMO terá uma série de raides ambientada no universo de Cloud. Parte da comunidade questionou o momento escolhido para a parceria.
O encerramento do Fan Fest de “Final Fantasy XIV“ em Berlim trouxe uma enxurrada de novidades sobre Evercold, a próxima expansão do MMO, prevista para janeiro de 2027. Entre as revelações apareceram detalhes da história e ajustes nos sistemas de combate e de missões. Também houve novas opções de personalização e a apresentação de uma das duas classes inéditas. Um anúncio específico, porém, dominou as conversas: a série de raides da expansão será um crossover com a trilogia “Final Fantasy VII Remake”.
Beyond the Lifestream, o crossover com Final Fantasy VII
A revelação aconteceu na segunda metade da apresentação principal. Foi quando Naoki Yoshida chamou ao palco Naoki Hamaguchi, diretor da série de remakes. Batizada de Beyond the Lifestream, a nova série de raides para oito jogadores estreia com a atualização 8.01 e se estende por três etapas ao longo da expansão.
O conteúdo chegará em três níveis de dificuldade. Entre eles há uma modalidade intermediária inédita, pensada para preencher a lacuna entre o normal e o desafiador. A história ficará a cargo de Motomu Toriyama e da equipe de roteiro do MMO. A supervisão é de Kazushige Nojima, roteirista do jogo original, e de Tetsuya Nomura, diretor criativo da trilogia.
Na arte promocional divulgada, Cloud e Sephiroth aparecem em destaque. Hamaguchi ainda insinuou a presença de outros personagens, sem confirmar nomes. Vale registrar que essa não é a única parceria da expansão. O conteúdo para 24 jogadores, chamado Ghosts of Desire, será um crossover com o anime Neon Genesis Evangelion.
Bastion, a nova classe revelada
A outra grande novidade do evento foi a apresentação de Bastion, primeira das duas classes inéditas de Evercold. Trata-se de um tanque principal que empunha um par de grandes escudos, chamados Skyltborg. O tipo de arma foi visto originalmente em um antagonista da era A Realm Reborn.
A função é especializada em absorver dano e contra-atacar, com feitiços defensivos próprios. A expansão também inaugura um novo arco narrativo. Isso sinaliza um recomeço para a história do Guerreiro da Luz.
Por que parte da comunidade reagiu mal
Apesar do peso do anúncio, a reação não foi unânime. Existe entre os jogadores uma percepção de saturação em torno de “Final Fantasy VII”. A obra marca presença constante no catálogo da Square Enix há décadas, e isso se intensificou desde o início da trilogia de remakes, em 2020.
Há ainda uma leitura mais cética sobre o calendário. Uma parcela do público interpretou a parceria como tentativa de recuperar jogadores afastados. O contexto é a repercussão de Dawntrail, expansão mais recente cuja narrativa dividiu opiniões e teve recepção inferior à da aclamada Endwalker. Nessa visão, trazer o maior nome da franquia para o MMO soaria como uma carta na manga acionada em momento de necessidade.
Por outro lado, quem defende o crossover lembra que incorporar elementos dos jogos solo sempre fez parte da identidade de “Final Fantasy XIV”. O MMO já promoveu parcerias marcantes. Uma delas foi a série de raides escrita por Yoko Taro em conjunto com o universo de “NieR: Automata”. Nesse sentido, o encontro com a trilogia de remakes parecia questão de tempo.
A explicação do produtor
Questionado sobre justamente essa escolha de momento, Yoshida ofereceu uma justificativa bem diferente da leitura cética. Segundo o produtor, a preocupação central era não atrapalhar o trabalho da equipe do remake.
Eu também não queria que adotássemos uma abordagem malfeita nesse crossover, porque não queria distrair a equipe de Final Fantasy VII Remake do trabalho árduo deles. Mas agora Final Fantasy VII: Revelation foi anunciado e a equipe de desenvolvimento está fazendo o esforço final para lançar o jogo. Então, achei que agora seria uma boa oportunidade para fazermos uma grande colaboração. (tradução livre)
O executivo acrescentou que a decisão foi tomada em conjunto com Hamaguchi e com o produtor Yoshinori Kitase. Segundo ele, ambas as equipes estão dedicando esforço considerável ao projeto. Ele destacou ainda que tanto a história quanto as batalhas contra chefes receberam atenção especial nas duas parcerias da expansão.
Outras novidades do Fan Fest
O evento também trouxe um anúncio relevante de plataforma. “Final Fantasy XIV” chega ao Nintendo Switch 2 em 4 de agosto de 2026. A pré-venda já está aberta na loja digital do console. Para garantir estabilidade dos servidores, a Square Enix ofertará cerca de um mês de assinatura gratuita para quem entrar pela nova plataforma.
Sobre a trilogia de remakes, Hamaguchi reforçou que “Final Fantasy VII Revelation” segue previsto para o primeiro semestre de 2027, com a equipe empenhada em cumprir o prazo e atender às expectativas dos fãs.
No fim das contas, a discussão diz menos sobre o conteúdo em si. Ela revela o cansaço de parte do público com a onipresença de um único capítulo da franquia. Para muitos jogadores, contudo, a chance de ouvir a releitura do compositor Masayoshi Soken para os temas clássicos já justifica o retorno ao jogo.





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