Filme do polêmico ator Armie Hammer, ‘Citizen Vigilante’, é banido na Alemanha

Cheyna Corrêa

A produção dirigida por Uwe Boll teve a classificação negada no país europeu. O diretor chama a decisão de censura, enquanto a crítica aponta um tom anti-imigração.

O novo filme estrelado por Armie Hammer, ator de Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me by Your Name), está no centro de uma grande polêmica. Intitulado Citizen Vigilante, o longa de ação foi efetivamente banido na Alemanha, acusado de “incitar a violência contra imigrantes”. A informação foi dada pelo próprio diretor, o controverso cineasta alemão Uwe Boll, que classificou o caso como censura. A seguir, entenda toda a situação.

Por que o filme foi banido?

Tecnicamente, o filme não foi proibido por um decreto do governo. O que ocorreu é que a FSK, agência alemã responsável pela classificação de conteúdo audiovisual, se recusou a conceder qualquer classificação etária à obra. Sem essa classificação, o longa fica impedido de ser distribuído em cinemas, TV, streaming ou lojas no país.

Segundo o diretor Uwe Boll, a justificativa oficial foi a de que o filme incitava violência contra imigrantes. Ele afirmou ter contratado um advogado para recorrer da decisão, mas perdeu o recurso por seis votos a dois. Para o cineasta, a medida foi uma “decisão deliberada de censura”, usando a proteção à juventude como pretexto.

Sobre o que é ‘Citizen Vigilante’?

A trama de Citizen Vigilante é frequentemente comparada ao clássico Desejo de Matar (Death Wish). Na história, Hammer interpreta Sanders, um homem que, revoltado com a criminalidade, decide fazer justiça com as próprias mãos. Ele passa a perseguir bandidos e autoridades que considera corruptas, tornando-se uma espécie de herói nas redes sociais.

O ponto mais sensível da produção é o seu enredo. O filme começa com uma mãe sendo assassinada por criminosos imigrantes na frente do filho. A partir daí, o protagonista direciona sua violência principalmente contra imigrantes, o que levou a crítica internacional a classificar a obra como uma parábola “anti-imigração”. A revista Variety, inclusive, descreveu o longa como “moralmente falido”.

A polêmica de Armie Hammer em 2021

A escalação de Armie Hammer para o papel principal também gera debate, e o diretor saiu em sua defesa. Isso porque, desde 2021, o ator enfrentou uma série de acusações de abuso sexual feitas por diferentes mulheres. As alegações, que incluíam supostas mensagens com conteúdo perturbador, abalaram profundamente sua carreira em Hollywood.

É fundamental destacar, no entanto, o desfecho do caso. Após uma longa investigação policial em Los Angeles, encerrada em 2023, a promotoria decidiu não indiciar o ator, por falta de provas suficientes. Hammer sempre negou todas as acusações e nunca chegou a ser formalmente processado ou condenado judicialmente por qualquer crime.

Apesar de não ter respondido a processos, o ator sofreu duras consequências profissionais. Ele foi dispensado por sua agência e removido de projetos, como a comédia Casamento Armado (Shotgun Wedding), de 2022. Uma exceção foi o filme Morte no Nilo (Death on the Nile), que manteve sua participação.

A defesa do diretor

Uwe Boll foi enfático ao justificar a escolha do ator, reforçando que ele nunca foi condenado. O cineasta afirmou que escalou Hammer por considerá-lo um grande talento e por ele estar disponível para trabalhar, após ter um projeto cancelado.

O diretor ainda elogiou o carisma do astro. Segundo Boll, Hammer é um sujeito bonito e carismático, que poderia até mesmo interpretar o agente James Bond. Para o cineasta, o ator seria perfeito para o papel, demonstrando total apoio à sua escalação no projeto.

Um retorno conturbado

Para Armie Hammer, Citizen Vigilante representa seu primeiro papel de protagonista em cinco anos. Ainda de acordo com a Variety, ator descreveu o período como uma “experiência brutal”, relatando dificuldades financeiras após ser afastado de Hollywood. O longa surge, portanto, como uma tentativa de retomada de sua carreira.

No entanto, o filme parece dividir ainda mais as opiniões. Ao se associar a um projeto de teor político tão controverso e a um diretor conhecido por provocações, o retorno de Hammer ganha contornos complexos. Resta acompanhar se a estratégia trará o impulso desejado ou se aprofundará o distanciamento do ator da indústria.

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