Remake de Final Fantasy 6 precisaria de até 5 jogos

Vinicius Miranda

Naoki Yoshida e Naoki Hamaguchi esfriaram o sonho dos fãs durante evento na Alemanha. Segundo os veteranos da Square Enix, o clássico é grande demais para caber numa trilogia.

Os fãs que sonham com um remake de “Final Fantasy VI” nos moldes da série “Final Fantasy VII Remake” receberam um banho de água fria direto da fonte. Durante o Fan Festival de “Final Fantasy XIV” em Berlim, Naoki Yoshida, o famoso Yoshi-P, explicou por que um projeto desses seria ainda maior do que a releitura do sétimo jogo. Ao lado dele no palco estava Naoki Hamaguchi, diretor da trilogia do remake, que reforçou o recado com uma dose de bom humor e outra de realismo.

Por que o remake de Final Fantasy 6 é tão complicado

Final Fantasy 6 – Divulgação / Square Enix

A conversa aconteceu no painel Naoki’s Room, quando os dois diretores da Square Enix foram questionados sobre os jogos que marcaram suas vidas. Hamaguchi respondeu que “Final Fantasy VI” é a razão de ele ter escolhido trabalhar com games, ocupando um lugar especial em seu coração. Em seguida, brincou com o efeito colateral dessa resposta: toda vez que ele diz isso a um jornalista, no dia seguinte surge uma matéria afirmando que ele fará o remake do jogo. Por isso, o diretor fez questão de repetir, rindo, que não está produzindo nada do tipo.

Foi então que Yoshida entrou na conversa para explicar a matemática do problema. Segundo o produtor, o desejo dos jogadores é compreensível, mas a escala dos clássicos torna a conta assustadora.

Claro que eu entendo os sentimentos dos jogadores, mas é preciso pensar a respeito. Olhe para Final Fantasy VI. É um jogo incrivelmente enorme. A escala é simplesmente imensa, e o mesmo vale para outros títulos, como Final Fantasy VIII e Final Fantasy IX. Se fôssemos refazer esses jogos, provavelmente acabaríamos tendo que lançá-los em quatro partes, ou talvez até cinco. (tradução livre)

O argumento faz sentido quando se olha para o original. Lançado em 1994 para o Super Nintendo, “Final Fantasy VI” reúne 14 personagens jogáveis, um mapa-múndi que muda drasticamente ao longo da aventura e uma quantidade enorme de eventos marcantes. Recriar tudo isso com o nível de produção visto em “Final Fantasy VII Rebirth” multiplicaria o trabalho de forma brutal.

O milagre de manter a mesma equipe por dez anos

Hamaguchi acrescentou uma camada menos óbvia ao debate: o fator humano. O diretor contou que se sente abençoado por trabalhar com a mesma equipe há mais de dez anos, atravessando três jogos completos que, juntos, refazem um único título. Segundo ele, pouquíssimos profissionais topariam uma maratona dessas, e manter todo mundo motivado por tanto tempo foi quase um milagre.

O diretor também ponderou sobre o cenário alternativo. Se a cada lançamento fosse preciso montar um time novo do zero, ele não diria que a trilogia seria impossível, mas admitiu que teria chegado muito perto disso. Justamente por essa razão, Hamaguchi explicou que não pode simplesmente prometer um remake do sexto jogo, já que a equação não é tão simples quanto parece. Vale lembrar que a jornada atual nem terminou: “Final Fantasy VII Revelation”, o capítulo final da trilogia, ainda não foi lançado.

E os remakes de Final Fantasy 8 e 9?

O recado do painel vale para toda a era de ouro da franquia. Yoshida citou nominalmente “Final Fantasy VIII” e “Final Fantasy IX” como títulos igualmente gigantescos, sujeitos à mesma lógica das quatro ou cinco partes. Aliás, não é a primeira vez que o produtor toca no assunto. Em 2024, ele já havia reconhecido os pedidos por um remake do nono jogo, mas questionou se seria possível refazê-lo em um único lançamento.

Na mesma ocasião, ao ser perguntado sobre qual clássico gostaria de refazer pessoalmente, Yoshida surpreendeu ao apontar “Final Fantasy III”. Ou seja, mesmo entre os chefes da Square Enix, a fila dos sonhos de remake é longa e variada. O que falta não é vontade, e sim braços, tempo e uma estrutura de produção viável.

Final Fantasy 6 – Divulgação / Square Enix

A fala dos dois veteranos funciona como um ajuste de expectativas honesto. A trilogia do remake começou em 2020 e só será concluída com “Revelation”, previsto para 2027. São mais de sete anos para recontar uma única história. Transportar esse modelo para jogos ainda maiores significaria projetos de década inteira, com custos gigantescos e um risco criativo considerável.

Por outro lado, o painel deixa uma porta entreaberta. Em nenhum momento os diretores descartaram novos remakes de forma definitiva; eles apenas explicaram o tamanho do desafio. Depois do sucesso da série atual, é difícil imaginar a Square Enix ignorando para sempre o apelo comercial de seus clássicos. Talvez a resposta esteja em formatos diferentes, mais enxutos, em vez de superproduções fatiadas.

Enquanto o futuro não chega, quem quiser conhecer a era dourada da franquia pode começar pelo nosso guia sobre por que jogar os clássicos de Final Fantasy, que ensina o melhor caminho pelas versões antigas. E, para acompanhar os planos da dupla de diretores, vale conferir também a vez em que Hamaguchi elogiou o Xbox e defendeu levar a série Remake a mais plataformas. Por ora, o sonho do remake de “Final Fantasy VI” segue vivo. Só não espere por ele tão cedo.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA