Homem-Aranha: Um Novo Dia apresenta uma história de origem para a misteriosa personagem de Sadie Sink, que a essa altura todo mundo já sabe quem é. O que nem todo mundo sabe é que essa origem vem de uma ideia antiga dos quadrinhos para ela, como alguns detalhes deixam claro.
O que o filme apresenta
A versão cinematográfica de Jean Grey difere bastante das revistas. Ali, ela e a irmã Sara foram abandonadas pelos pais, incapazes de lidar com os poderes das duas. Sara também é mutante nessa interpretação. Ela tem idade próxima à da protagonista e habilidades quase idênticas, começando pela capacidade de possuir outras pessoas.
O rumo da história é sombrio. A irmã acaba chamando a atenção do Departamento de Controle de Danos, e o resto move a trama.

Como funciona nos quadrinhos
A diferença é considerável. Nas revistas, os pais nunca rejeitaram a filha por ser mutante, e o pai chegou a apoiar discretamente o projeto do Professor Xavier.
Sara era humana comum. A trajetória dela nas páginas é trágica, mas passa longe de qualquer poder mutante.
A ideia que nunca saiu do papel
Aqui está o achado: em 1986, a protagonista havia sido morta ao fim da saga célebre dos X-Men, Fênix Negra, e a Marvel aprovou a ressurreição dela para uma nova formação. Chris Claremont, então o principal roteirista dos mutantes, foi contra. Ele propôs uma alternativa: transformar Sara em mutante e usá-la como substituta da irmã.
A sugestão foi rejeitada. Quatro décadas depois, aquela ideia descartada reaparece de forma inesperada no cinema.
Por que isso impressiona
O detalhe revela profundidade de pesquisa incomum. Não se trata de adaptar uma história publicada, e sim de resgatar uma proposta que jamais chegou às bancas. Irmãos com poderes semelhantes, aliás, não são novidade nos quadrinhos. A família de Ciclope é o exemplo mais conhecido, com vários integrantes dotados de habilidades.
Vale lembrar o peso da saga original da Fênix Negra. Ela já foi adaptada duas vezes no cinema, e a tentativa mais recente chegou a incluir uma participação do próprio Claremont em cena rápida. Aquele período da franquia dos X-Men na Fox foi conturbado por completo. Projetos inteiros foram cancelados durante a transição entre estúdios, deixando histórias planejadas sem qualquer desfecho.

Ideias engavetadas, aliás, são rotina em qualquer estúdio grande. Vale lembrar que roteiros inteiros que nunca viraram filme já foram disponibilizados publicamente, incluindo uma continuação descartada do primeiro longa do aracnídeo.
O que isso sinaliza?
Trata-se de um bom sinal. Se o estúdio começa a fase mutante buscando material tão obscuro, o cuidado com aqueles personagens parece real. A crítica implícita atinge as adaptações anteriores. Aqueles filmes concentravam atenção demais em três ou quatro nomes, deixando o restante do elenco de lado.
A adaptação nova é notável, mas segue sendo coincidência até que alguém confirme. Vale registrar também que os filmes anteriores tropeçaram bastante nas versões de Jean Grey, com produções conturbadas e mudanças de última hora.
O método da Marvel Studios atual também não ajuda a cravar nada. Uma atriz veterana, por exempo, já comentou publicamente que a casa nem sempre trabalha com roteiro fechado, o que torna qualquer reconstrução de intenção ainda mais especulativa.
O que vem pela frente
A Saga do Multiverso caminha para o encerramento em Vingadores: Guerras Secretas. A fase seguinte deve girar em torno dos mutantes, com filme já em desenvolvimento.
Homem-Aranha: Um Novo Dia segue em cartaz nos cinemas. Quem já assistiu tem agora um bom motivo para revisitar aquela cena de infância.




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