De Spider-Man a Wolverine: por que a Insomniac gera hate?

Vinicius Miranda

A onda de críticas contra “Marvel’s Wolverine” pode parecer inédita, mas quem acompanha a Insomniac Games sabe que a história se repete. Todo grande lançamento do estúdio nasceu cercado de polêmica. Entenda o padrão e o que ele diz sobre o futuro do jogo dos X-Men.

Um padrão que se repete a cada lançamento

O hate contra Marvel’s Wolverine dominou as redes nas últimas semanas. Memes comparando o jogo a corrida infinita de celular tomaram conta da conversa. Críticas aos designs de personagens e reclamações sobre a estrutura linear completaram o cenário antes mesmo do lançamento, marcado para 15 de setembro no PS5.

Para quem tem memória curta, parece o pior momento da história da Insomniac Games. A verdade, porém, é que o estúdio convive com esse ciclo desde que entrou no universo Marvel. Cada lançamento teve sua própria tempestade, e algumas delas hoje parecem até ridículas em retrospecto.

Puddlegate: quando uma poça d’água virou escândalo

O caso mais emblemático aconteceu antes mesmo de “Marvel’s Spider-Man” chegar ao PS4, em 2018. Fãs compararam trailers antigos com materiais novos e concluíram que uma poça d’água havia diminuído de tamanho, acusando o estúdio de downgrade gráfico. O episódio ficou conhecido como Puddlegate e dominou fóruns por semanas.

O jogo lançou, marcou 87 no Metacritic, vendeu dezenas de milhões de cópias e a poça virou piada interna da comunidade. A própria Insomniac chegou a brincar com o caso depois, incluindo adesivos de poça no modo foto do jogo. Mas o Puddlegate não foi o único atrito da era Spider-Man: as missões furtivas de Mary Jane também foram duramente criticadas por quebrarem o ritmo da ação.

Remaster, rosto novo e o terceiro ato de Spider-Man 2

Marvel’s Spider-Man 2 – Divulgação / Insomniac Games

O ciclo se repetiu nos lançamentos seguintes. O remaster de “Marvel’s Spider-Man” para PS5 trocou o modelo facial de Peter Parker, e a internet reagiu como se o estúdio tivesse cometido um crime. Em “Marvel’s Spider-Man 2”, a missão paralela de Hailey e certas escolhas de roteiro no terceiro ato dividiram a comunidade de novo.

O resultado final, mais uma vez, contrariou o barulho. “Marvel’s Spider-Man 2” estreou com nota 90, a maior da série, e se tornou um dos maiores lançamentos da história do PlayStation. O padrão parecia claro: o hate pré-lançamento da Insomniac fazia barulho, mas raramente se confirmava no produto final.

Por que isso acontece com a Insomniac

O próprio estúdio tem suas teorias. O diretor de comunidade James Stevenson atribuiu parte do fenômeno ao funcionamento das redes sociais, cujos algoritmos amplificam conteúdo negativo por gerar mais engajamento. Na visão dele, o bombardeio constante não representa a opinião real do público sobre os jogos.

Já o diretor de “Marvel’s Wolverine”, Mike Daly, enxerga o copo meio cheio. Em entrevista à TheGamer, ele descreveu o hate como um bom problema, sinal de uma base de fãs apaixonada que se importa com cada detalhe. Daly lembra que o estúdio pode fazer um grande jogo, amado por milhões, e ainda assim haverá quem encontre motivos para reclamar. Há também um fator estrutural: jogos de heróis tão queridos carregam décadas de expectativa acumulada, e qualquer desvio da imagem idealizada de cada fã vira munição.

Wolverine quebrou o padrão (em parte)

Marvel’s Wolverine – Divulgação / Insomniac Games

O caso de “Marvel’s Wolverine” trouxe uma novidade incômoda para essa narrativa. Diferentemente dos episódios anteriores, parte das críticas se confirmou na recepção profissional. O jogo estreou com nota em torno de 78 no Metacritic, a menor de um jogo original do estúdio em uma década. O número fica bem abaixo dos 87, 85 e 90 da trilogia do Homem-Aranha.

As análises validaram reclamações que o hate já apontava, como a linearidade excessiva, a repetição do combate e o excesso de ajuda ao jogador. Ou seja, nem tudo era ruído de algoritmo desta vez. Ainda assim, a nota segue na faixa positiva, sem nenhuma análise negativa registrada, bem longe do desastre pintado pelos memes.

O que isso significa para o jogo dos X-Men

A grande questão agora é o futuro. O famoso vazamento de 2023, resultado de um ataque hacker à Insomniac, revelou um roteiro interno do estúdio. Nele, um jogo dos X-Men aparecia planejado para por volta de 2030, além de um acordo entre Sony e Marvel envolvendo os mutantes válido até 2035. O próprio estúdio já sinalizou publicamente que “Marvel’s Wolverine” abre caminho para uma trilogia ligada aos X-Men.

Se o histórico serve de guia, o hate contra Wolverine não deve descarrilar esses planos, assim como o Puddlegate não impediu Spider-Man de virar fenômeno. A diferença é que, desta vez, a crítica profissional deu razão a parte das reclamações. Cabe à Insomniac mostrar que aprendeu com o tropeço antes de colocar toda a equipe mutante em cena.

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