Faltando pouquíssimos dias para a estreia no PS5, “Marvel’s Wolverine” virou piada na internet antes mesmo de chegar às lojas. Entre memes, críticas aos designs e acusações de jogabilidade guiada demais, entenda de onde veio a onda de hate e o que é exagero.
O meme do Subway Surfers que definiu a polêmica
Tudo começou quando a imprensa e criadores de conteúdo tiveram acesso às primeiras horas de “Marvel’s Wolverine“, novo jogo da Insomniac Games. Clipes de gameplay começaram a circular, e parte do público reclamou de uma estrutura guiada demais. Nas cenas, Logan parece avançar quase sozinho, enquanto o jogador apenas reage a obstáculos ou aperta botões na hora certa.
Foi aí que nasceu a brincadeira que tomou conta das redes. Usuários editaram trechos do jogo lado a lado com “Subway Surfers”, o famoso jogo de celular de corrida infinita. A piada pegou tanto que virou praticamente o resumo da recepção do jogo na internet, com direito ao apelido de “Subway Surfers com DLSS 5”.
Vale um contexto importante, porém. A comparação usa justamente um dos trechos mais roteirizados exibidos até agora. Nas prévias mais completas, o jogo mostra combate, furtividade, exploração e desafios opcionais. Ou seja, há bem mais interação do que simplesmente segurar o analógico para frente. A dúvida real sempre foi outra: quanto da campanha inteira se pareceria com o trecho que virou meme?
A boss fight comparada a um jogo de Ben 10
A polêmica não parou no meme de corrida infinita. Um fã montou uma comparação entre a luta do Wolverine contra um Sentinela gigante e uma boss fight de “Ben 10: Protector of Earth”, jogo de 2007. As duas lutas seguem estruturas parecidas: enfrentar um inimigo enorme, atacar pontos fracos do corpo dele e desviar dos golpes.
O vídeo lado a lado rendeu acusações de cópia contra a Insomniac. É importante deixar claro, no entanto, que não existe qualquer prova de inspiração direta. Enfrentar chefões gigantes atacando pontos fracos é uma mecânica comum em jogos de ação há décadas. Ainda assim, parte do público esperava algo mais icônico de um confronto contra Sentinelas, e a sensação de “já vi isso antes” alimentou a frustração.
Designs criticados e o climão com as personagens
A crítica mais pesada, porém, recaiu sobre o visual de alguns personagens. Jean Grey foi chamada de feia por boa parte da internet após aparecer em trailers e materiais promocionais. Houve quem saísse em defesa da personagem, argumentando que iluminação, ângulos de câmera e expressões faciais em certos cortes prejudicaram o modelo. Mesmo assim, a repercussão negativa se estendeu a outras personagens, como Mística e Lady Letal.
Outro momento que gerou discussão foi um clipe mostrando Logan rendido e de joelhos enquanto a Mística intervém para salvá-lo. Parte da internet acusou a Insomniac de enfraquecer o Wolverine para valorizar uma personagem feminina, leitura que outros fãs consideraram exagerada para uma cena isolada fora de contexto.
O rumor de romance que o estúdio precisou desmentir
Teve ainda o caso da palavra “anseio”. O diretor de narrativa Walt Williams usou o termo em entrevista para descrever a relação entre Logan e Dentes-de-Sabre. Foi o suficiente para parte do público concluir que os dois teriam um romance no jogo. James Stevenson, diretor de comunidade da Insomniac, precisou ir às redes desmentir o rumor, confirmando que a relação segue sendo a clássica rivalidade fraterna dos quadrinhos.
Somou-se a isso a promessa de um Wolverine mais sentimental e humano na narrativa. Para uma parcela dos fãs, isso soou como uma suavização de um personagem historicamente casca-grossa, o que gerou ainda mais reclamação nas redes.
Fake Time Events e a luzinha que guia demais
Nas críticas de jogabilidade, dois pontos incomodaram bastante. O primeiro foram os Quick Time Events exibidos em trechos recentes de gameplay. Se o jogador não apertar nenhum botão, a cena simplesmente continua sozinha, sem consequência. A comunidade passou a chamar esses momentos de “Fake Time Events”, argumentando que seria melhor usar cutscenes normais.
O segundo ponto é a sinalização excessiva do caminho, com indicadores visuais guiando o jogador em um jogo já linear. Para parte do público, isso passa a sensação de que o jogo subestima a inteligência de quem está no controle.
O erro de marketing que alimentou tudo
Um fator agravou toda a situação: boa parte do público esperava um mundo aberto no estilo “Marvel’s Spider-Man” até bem pouco tempo atrás.
Somente com a pressão já enorme, o diretor geral Mike Daly confirmou em entrevista que “Marvel’s Wolverine” não é mundo aberto, e sim uma sequência de missões lineares. Se isso tivesse ficado claro desde o primeiro trailer, talvez metade das comparações com jogos de corrida infinita nem tivesse ganhado força.
O que a crítica achou de verdade
Com o jogo já nas mãos da imprensa especializada, dá para comparar o hate com a recepção real. “Marvel’s Wolverine” estreou com nota em torno de 78 no Metacritic, a pontuação mais baixa de um jogo original da Insomniac desde 2016, abaixo dos três jogos do Homem-Aranha do estúdio. Ainda assim, é uma nota dentro da faixa positiva.
Os elogios mais comuns foram ao combate brutal, à apresentação visual e à construção do Logan como personagem. Já as críticas recorrentes bateram exatamente onde o hate apontava: repetição no combate, estrutura linear que às vezes deixa a desejar, personagens secundários rasos e uma campanha de cerca de 15 horas. O preço de R$ 400 na versão padrão também segue como um dos maiores alvos de reclamação do público brasileiro.
No fim das contas, “Marvel’s Wolverine” não parece ser a vergonha que os memes sugerem, mas também não é o novo fenômeno da Insomniac. Alguns problemas, como os designs, podem ser corrigidos em atualizações. Outros, como a estrutura da campanha, vieram para ficar. Resta saber se a polêmica afetará os planos futuros do estúdio, incluindo o rumorejado jogo dos X-Men que apareceu em vazamentos antigos.






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