Lanternas mescla origens de dois heróis em John Stewart

Andre Luiz

Alerta de spoilers para quem ainda não acompanhou o terceiro episódio de Lanternas. A trama construída por Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King vem entregando revelações constantes sobre a mitologia dos anéis verdes. Uma escolha recente, porém, chamou atenção de fãs mais atentos aos quadrinhos. Partes significativas da história pertencente a Kyle Rayner parecem ter sido transplantadas diretamente para John Stewart.

O detalhe mais evidente surge quando descobrimos que o jovem Stewart frequentou escola de artes antes de ingressar no treinamento como Lanterna Verde. Essa característica se manifesta durante um dos testes de recrutamento. Ele precisa desenhar um prédio inteiramente de memória. Depois recria o relógio do próprio pai como construto de energia. Nos quadrinhos originais, esse traço artístico sempre pertenceu exclusivamente a Rayner, não a Stewart.

Dois personagens, uma única origem

A versão impressa de John Stewart sempre priorizou seu histórico como fuzileiro naval e, posteriormente, como arquiteto talentoso. Essa formação técnica explica por que seus construtos de energia costumam apresentar detalhamento estrutural superior aos de outros Lanternas.

Kyle Rayner construiu identidade completamente distinta: ilustrador freelancer cuja criatividade sem limites tornou-se sua marca registrada dentro da Tropa. Ele materializava desde armaduras mecânicas complexas até criaturas mitológicas elaboradas. Isso provava que o anel funcionava como extensão direta de sua imaginação artística.

Ao emprestar o background artístico de Kyle para Stewart, a produção corre risco de esvaziar futuramente aquilo que tornaria o segundo tão especial. Isso vale caso ele eventualmente apareça no Universo DC. Nada impede que Stewart continue sendo retratado como arquiteto nos episódios seguintes. Mas a menção específica à escola de arte já dilui parte daquela diferenciação criativa exclusiva que Rayner sempre carregou nas páginas dos gibis.

O Lanterna Verde Kyle Rayner – reprodução/DC Comics

O anel disputado ecoa história conhecida

Outro paralelo curioso envolve a estrutura central do conflito em Lanternas. A série constrói tensão em torno de um único anel. Hal Jordan relutante em abrir mão dele enquanto John Stewart aguarda oportunidade para reivindicá-lo como seu. Essa dinâmica remete diretamente à saga clássica. Ganthet, último Guardião remanescente, entrega o anel final a Kyle Rayner após Jordan sucumbir à influência corruptora de Parallax e dizimar toda a Tropa original.

Naquela história dos quadrinhos, Jordan retornava posteriormente como Parallax para reclamar o anel que originalmente lhe pertencia. Isso criava disputa de poder entre ele, Rayner e os próprios Guardiões. A semelhança estrutural com o que estamos vendo entre Hal e John na série é difícil de ignorar. A escalação de Aaron Pierre como Stewart já havia gerado expectativa sobre como a Warner Bros. Discovery equilibraria referências dos quadrinhos com liberdade criativa televisiva. Agora fica claro que essa mistura vai além do esperado.

Onde isso deixa Kyle Rayner?

A pergunta inevitável surge: será que veremos Rayner algum dia no DCU, considerando que elementos centrais de sua história já foram absorvidos por outro personagem? A resposta provável é que sim, eventualmente, mas talvez não tão cedo quanto fãs gostariam. Assim como aconteceu com outras revelações de elenco no universo compartilhado, a Warner Bros. Discovery tende a construir seu roteiro gradualmente, personagem por personagem.

Até o momento, apenas três Lanternas Verdes terrestres apareceram oficialmente: Hal Jordan, John Stewart e Guy Gardner. Este último é interpretado por Nathan Fillion, tanto em Superman quanto na própria série Lanternas. Os episódios 1 a 3 já estão disponíveis integralmente na HBO Max para quem deseja acompanhar essa reconstrução mitológica de perto.

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