Level-5 admite uso de IA em apresentação de Yo-Kai Watch

Vinicius Miranda

A Level-5 confirmou que utilizou inteligência artificial generativa em materiais apresentados durante seu recente showcase, incluindo revelações relacionadas a “Yo-Kai Watch” e “Professor Layton”. O CEO Akihiro Hino pediu desculpas após a reação negativa de parte dos fãs.

A relação entre IA generativa e desenvolvimento de jogos voltou a provocar debate na indústria. Desta vez, o centro da discussão é a Level-5, estúdio japonês responsável por franquias como “Yo-Kai Watch”, “Professor Layton” e “Ni no Kuni”.

Durante uma apresentação digital realizada recentemente, a empresa mostrou novidades de diversas séries. Pouco depois da transmissão, usuários nas redes sociais começaram a apontar possíveis sinais de utilização de IA generativa em diferentes trechos do material divulgado.

CEO da Level-5 reconhece uso de inteligência artificial

A repercussão negativa levou Akihiro Hino, presidente e CEO da Level-5, a se manifestar publicamente. O executivo confirmou que a companhia realmente recorreu à tecnologia durante a produção da apresentação.

Segundo Hino, a intenção era deixar o showcase visualmente mais impactante. No entanto, ele reconheceu que a utilização da tecnologia acabou ultrapassando o limite esperado e afirmou compreender o desconforto provocado entre os espectadores.

Foi inteiramente pelo desejo de tornar a apresentação mais espetacular que incorporamos um processamento que também serviu como experimento utilizando a mais recente IA. Parece que algumas pessoas se sentiram desconfortáveis com isso, então peço sinceras desculpas.

A declaração veio depois que fãs demonstraram frustração com a direção visual adotada pela empresa. Parte das críticas destacou justamente a distância entre o estilo artístico tradicionalmente associado à Level-5 e o aspecto que os usuários identificaram nos materiais da apresentação.

Level-5 afirma que jogos continuam sendo feitos por humanos

Hino procurou diferenciar o uso experimental da tecnologia na apresentação do processo criativo dos jogos que chegam ao público. De acordo com o executivo, elementos fundamentais das produções continuam sob responsabilidade de artistas e outros profissionais.

Na nossa empresa, as partes relacionadas ao charme e à individualidade das obras lançadas, como cenários, designs de personagens e configurações básicas, são todas criadas por mãos humanas.

O CEO também explicou que a Level-5 utiliza ferramentas de IA para digitalizar trabalhos criativos produzidos por pessoas. Entre os exemplos citados está a conversão de artes originais para modelos compostos por polígonos.

Ao mesmo tempo, Hino afirmou que os jogos lançados pela companhia não incorporam dados produzidos de maneira simplificada por inteligência artificial generativa.

Nenhum dado de saída gerado simplesmente por IA é incluído nos jogos que são lançados.

Empresa quer reduzir tempo de desenvolvimento

Uma das justificativas apresentadas pela Level-5 para a adoção de ferramentas de inteligência artificial está relacionada ao tempo de produção. A empresa pretende utilizar ganhos de eficiência para permitir que seus criadores concentrem esforços em outras etapas do desenvolvimento.

Hino defendeu que a redução do trabalho operacional pode liberar tempo para atividades consideradas mais importantes no processo criativo. Na visão do executivo, isso poderia contribuir para melhorar o resultado final dos próximos projetos.

Graças ao tempo criado pela eficiência da IA, os criadores agora conseguem dedicar mais tempo à essência da criação, e acredito que os produtos finalizados estão chegando a um nível que irá satisfazer ainda mais a todos.

A declaração faz parte de uma estratégia mais ampla da Level-5. Segundo o CEO, a companhia trabalha para diminuir consideravelmente o período necessário para produzir seus principais lançamentos.

Atualmente, grandes projetos da empresa podem levar cerca de cinco anos para serem desenvolvidos. A meta mencionada por Hino é reduzir esse ciclo para aproximadamente dois anos, algo que exige mudanças significativas na maneira como os jogos são produzidos.

Executivo promete aprender com a repercussão

Apesar de defender o uso de IA como ferramenta de produtividade, Hino reconheceu que a Level-5 adotou a tecnologia de maneira ampla demais durante a apresentação. O executivo classificou o episódio como uma experiência da qual a empresa pretende tirar conclusões para seus próximos showcases.

É inegável que, desta vez, pelo desejo de criar uma apresentação clara e chamativa, acabamos utilizando IA de várias maneiras. Vamos levar isso como uma lição para a próxima e seguir em frente. Por favor, aguardem a próxima apresentação da Level-5.

O caso mostra como o uso de IA generativa nos games continua sendo um assunto delicado. Mesmo quando a tecnologia é empregada fora do conteúdo final de um jogo, a percepção do público pode ser afetada quando os resultados aparecem em materiais promocionais ou apresentações.

Uso de IA cresce entre desenvolvedores japoneses

A discussão envolvendo a Level-5 acontece em um momento de expansão das ferramentas de IA generativa na indústria japonesa de games. Um levantamento recente sobre desenvolvedores de jogos online no Japão apontou que todos os profissionais consultados na pesquisa declararam utilizar algum tipo de ferramenta baseada na tecnologia.

Isso não significa, necessariamente, que todos os estúdios utilizem IA para gerar arte ou conteúdo diretamente incorporado aos jogos. A tecnologia pode ser aplicada em diferentes etapas, como automação, prototipagem, processamento de materiais e outras tarefas de produção.

No caso da Level-5, a controvérsia deixa evidente que a forma como essas ferramentas são utilizadas e apresentadas ao público pode ser tão relevante quanto a própria tecnologia. Para uma empresa conhecida por sua identidade visual e por franquias marcadas pelo trabalho artístico, essa percepção ganha ainda mais peso.

Agora, resta acompanhar como a Level-5 pretende aplicar as lições mencionadas por Hino em suas próximas apresentações. A empresa mantém o objetivo de acelerar seus ciclos de desenvolvimento, mas terá também o desafio de equilibrar eficiência tecnológica com a identidade criativa que os fãs esperam de suas principais franquias.

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