Nova do MCU é reformulado e agora será filme com roteirista de ‘Loki’

Vinicius Miranda

O projeto do herói cósmico deixou de ser uma série de streaming e agora caminha para os cinemas. Michael Waldron assume o roteiro e pode até dirigir o longa.

Depois de anos travado, o projeto do Nova na Marvel Studios finalmente ganhou um rumo concreto. Segundo o site Deadline, o roteirista Michael Waldron foi contratado para escrever uma nova versão da história do herói cósmico. A grande mudança, no entanto, está no formato: não se trata mais de uma série para o streaming, e sim de um filme. A informação surge poucos dias depois de um rumor que parecia ter sido desmentido, mas que, no fim das contas, tinha fundamento.

De série cancelada a longa-metragem

Nova – Divulgação / Marvel Comics

A trajetória do projeto ajuda a entender a confusão. A Marvel confirmou publicamente a intenção de levar Nova ao Universo Cinematográfico Marvel em 2022, e desde então os relatos sobre o formato se contradiziam. Sabir Pirzada, roteirista de Cavaleiro da Lua, chegou a desenvolver um roteiro para uma série. Essa versão acabou engavetada.

Agora, de acordo com o Deadline, Waldron entrou para apresentar uma abordagem inteiramente nova. Fontes ouvidas pelo veículo afirmam que ele assina o roteiro com a possibilidade de também assumir a direção, caso o projeto avance. Vale reforçar que o filme estaria em estágio bem inicial de desenvolvimento e que nem a Marvel nem os representantes do roteirista se pronunciaram oficialmente.

Quem é Michael Waldron

O nome não é estranho para quem acompanha o UCM. Waldron escreveu Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e foi o showrunner de Loki, uma das séries mais elogiadas do Disney+. Além disso, ele está envolvido nos roteiros de Vingadores: Doutor Destino e Vingadores: Guerras Secretas, ao lado de Stephen McFeely. Fora da Marvel, também é um dos criadores da comédia Chad Powers.

Em outras palavras, poucos profissionais têm hoje uma visão tão ampla dos rumos do estúdio. Esse detalhe é relevante, porque sugere que o filme do Nova pode ter sido pensado desde já como peça de encaixe no que vem depois da atual saga.

O que sabemos sobre a trama (e o que ainda é rumor)

Nova – Divulgação / Marvel Comics

Praticamente nada foi confirmado. Circulavam informações de que Aniquilus seria o vilão da versão em série e de que tanto Richard Rider quanto Sam Alexander apareceriam na história. Contudo, com a mudança de formato e de roteirista, esses planos podem ter sido completamente reformulados. Tudo isso permanece no campo da especulação.

A aposta mais provável entre observadores é que o longa parta da destruição das Tropas Nova por Thanos, evento ocorrido fora de tela pouco antes de Vingadores: Guerra Infinita. A corporação foi apresentada ao público no primeiro Guardiões da Galáxia, em 2014, o que na época gerou expectativa de que Rider surgisse dentro daquela franquia. James Gunn, porém, nunca demonstrou muito interesse pelo personagem.

As pistas deixadas pela versão em série

Brad Winderbaum, chefe de streaming, televisão e animação da Marvel Studios, já havia descrito o projeto televisivo como uma produção coral, com um elenco variado de personagens. Ele também comparou o tom pretendido a franquias como Star Trek e Battlestar Galactica. Resta saber quanto dessa proposta sobrevive na transição para o cinema.

Nos quadrinhos, aliás, existem duas gerações principais do herói. Sam Alexander estreou na revista Marvel Point One, em novembro de 2011, e ganhou série própria em fevereiro de 2013. O adolescente do Arizona herdou o capacete do pai desaparecido e assumiu o manto após ser treinado por Gamora e Rocket Raccoon, integrantes dos Guardiões.

Kevin Feige já avisava: tempo é relativo

O presidente da Marvel Studios comentou o assunto anos atrás, quando questionado sobre a demora para o personagem chegar às telas.

Tempo é uma coisa relativa, certo? Eu falava sobre Doutor Estranho uns oito anos antes de o filme sair. Então potencial imediato é algo relativo. Mas claramente não estamos fugindo do lado cósmico das histórias, que é exatamente onde as Tropas Nova e o próprio Nova se encaixam. (tradução livre)

Por que o cinema faz mais sentido para o Nova

A mudança de formato é a informação mais importante aqui, e ela diz muito sobre o momento da Marvel. O estúdio passou os últimos anos revendo a estratégia de televisão, reduzindo o volume de séries e concentrando esforços nos lançamentos que realmente movimentam bilheteria. Nesse cenário, um herói cósmico com escala espacial gigantesca funciona melhor na tela grande.

Existe também uma lacuna evidente a ser preenchida. Com os Guardiões da Galáxia encerrando o ciclo comandado por Gunn, o setor cósmico do UCM ficou sem um protagonista claro. Nova poderia ocupar exatamente esse espaço, com a vantagem de já ter sua mitologia parcialmente estabelecida em tela. Por outro lado, o risco é real: o personagem não tem o reconhecimento popular de um Homem-Aranha, e o público anda visivelmente cansado de origens novas.

Para o estúdio, portanto, trata-se de uma aposta calculada. Contratar um roteirista de confiança, que já domina o quebra-cabeça narrativo dos próximos anos, reduz o risco de descompasso. Ainda assim, nada garante que o filme será aprovado. Enquanto isso, vale relembrar como a Marvel vem costurando o desfecho da Saga do Multiverso e como a despedida dos Guardiões da Galáxia encerrou uma era no lado cósmico do UCM.

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