Troy Baker topa voltar como Joel em novo The Last of Us

Vinicius Miranda

O ator responsável por dar vida ao personagem nos games comentou a ideia de uma prequela ambientada nos primeiros anos do apocalipse. Ele também deixou no ar a possibilidade de a Naughty Dog seguir por um caminho que ninguém previu.

Troy Baker voltou a alimentar as especulações sobre o futuro de The Last of Us. Em entrevista ao programa Access Granted, do site Insider Gaming, o ator que interpreta Joel Miller nos jogos foi questionado sobre uma ideia específica para o próximo título da franquia: uma prequela centrada em Joel e no irmão dele, Tommy, durante os primeiros anos da pandemia do fungo Cordyceps. A resposta dele não confirmou nada, mas indicou disposição total para voltar ao papel caso a Naughty Dog queira.

A proposta de uma prequela sobre Joel e Tommy

The Last of Us – Divulgação / Naughty Dog

A sugestão partiu do próprio entrevistador. Em vez de continuar a história a partir do ponto em que The Last of Us Part II parou, em 2020, a ideia seria recuar no tempo. O recorte iria para o período anterior ao nascimento de Ellie, mostrando os dois irmãos tentando sobreviver lado a lado logo depois do colapso da civilização.

É um pedaço da linha do tempo que os games nunca exploraram diretamente. Sabemos, por diálogos espalhados pela franquia, que Joel e Tommy fizeram coisas terríveis para continuar vivos naquela fase. Também sabemos que a relação entre eles acabou se desgastando. O como e o porquê, no entanto, permanecem em aberto.

O que Troy Baker respondeu

Baker foi direto ao afirmar que aceitaria praticamente qualquer proposta vinda de Neil Druckmann, chefe criativo do estúdio.

Eu estaria dentro de qualquer coisa. Se o Neil decidir que existe um lugar para mim, já aprendi a essa altura a escutar o que ele diz, porque ele é muito inteligente. Existe uma coisa linda no mistério do que aconteceu entre Tommy e Joel, são vinte anos inteiros, um material riquíssimo para escolher. Acho que isso serve de base para uma ótima história. (tradução livre)

Em seguida, porém, o ator fez questão de relativizar o próprio entusiasmo. Segundo ele, também é possível que a Naughty Dog esteja pensando em algo completamente diferente, fora do radar dos fãs. Baker afirmou confiar no estúdio para decidir se o próximo passo será olhar para trás, revisitar algo conhecido ou simplesmente reinventar a franquia. E encerrou dizendo que estará presente no primeiro dia, seja com um controle na mão como jogador, seja atuando.

Por que esse período da história é tão atraente

The Last of Us – Divulgação / Naughty Dog

O intervalo de aproximadamente vinte anos entre o surto inicial do Cordyceps e o encontro de Joel com Ellie funciona como um vácuo narrativo enorme. Praticamente tudo que sabemos sobre esse tempo chega em forma de fragmento: uma frase solta, uma lembrança amarga, uma cicatriz que ninguém explica.

Do ponto de vista de roteiro, isso é ouro. Não há necessidade de contornar o desfecho de Part II, que dividiu opiniões de forma brutal entre os fãs. Também não seria preciso ressuscitar ninguém. Bastaria contar o que já existe implicitamente no universo da série. Vale lembrar que essa possibilidade circula apenas no campo da especulação, já que nenhuma prequela foi anunciada oficialmente.

A Naughty Dog está ocupada com outra coisa

Por enquanto, a franquia segue em silêncio. Druckmann fez algumas provocações pontuais nas redes sociais, mas o foco do estúdio está inteiramente em Intergalactic: The Heretic Prophet, a nova propriedade intelectual da casa, prevista para PlayStation 5. O projeto marca a primeira franquia inédita da Naughty Dog desde o lançamento do primeiro The Last of Us, em 2013.

Além disso, o próprio Druckmann já confirmou publicamente que existe um segundo jogo em desenvolvimento no estúdio, no qual ele atua mais como produtor. A identidade desse projeto não foi revelada. Portanto, qualquer novo capítulo da franquia dificilmente chegaria no curto prazo.

The Last of Us – Divulgação / Naughty Dog

A leitura mais realista é a seguinte: a Naughty Dog construiu, ao longo de quinze anos, um universo denso demais para simplesmente engavetar. A rejeição de parte do público ao rumo tomado em Part II criou um problema criativo real. Continuar de onde a história parou significaria mexer em feridas ainda abertas.

Uma prequela resolveria esse impasse com elegância. Ela devolveria Joel ao centro da narrativa sem contradizer nada, aproveitaria o carisma de Baker e ainda entregaria contexto para decisões que os jogadores nunca compreenderam por completo. Por outro lado, existe o risco da nostalgia fácil. A franquia sempre se destacou justamente por evitar o caminho confortável, e um retorno ao passado poderia soar como recuo criativo.

Para o mercado, a lógica é ainda mais simples. The Last of Us virou uma das marcas mais valiosas da Sony, sustentada também pelo sucesso da série da HBO. Deixar esse ativo parado por tempo demais seria estranho. A dúvida, então, não parece ser se a franquia volta, mas quando e sob qual formato. Enquanto isso não acontece, vale relembrar como a adaptação televisiva alterou detalhes importantes em relação ao game original e como uma mudança sutil deixou o desfecho da série ainda mais poderoso.

O que esperar daqui para frente

Nada foi confirmado. Baker não anunciou projeto algum, e a Naughty Dog não sinalizou datas. O que existe, por ora, é a disposição declarada de um ator que claramente não considera a história de Joel encerrada. Considerando o tamanho da franquia e o apetite do público, é bem provável que essa conversa volte a aparecer nos próximos anos.

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