Onimusha: Way of the Sword exige jogar os anteriores?

Vinicius Miranda

A franquia Onimusha retorna após vinte anos sem um capítulo principal inédito. Diante disso, uma pergunta domina as discussões da comunidade. É necessário jogar os títulos antigos antes de encarar Onimusha: Way of the Sword? A resposta curta é não. A resposta completa, porém, merece alguns detalhes importantes.

A Capcom confirma: é um recomeço

Onimusha: Way of the Sword – Divulgação / Capcom

O diretor Satoru Nihei e o produtor Akihito Kadowaki já esclareceram a questão em mais de uma entrevista à imprensa internacional. Segundo eles, Way of the Sword funciona, na prática, como um reboot. A história é totalmente independente e tem pouquíssima conexão com os jogos anteriores. Kadowaki chegou a afirmar que o novo título se passa em um mundo completamente diferente do visto na série clássica.

A decisão foi deliberada. De acordo com o produtor, a intenção da Capcom é que veteranos e novatos comecem a história exatamente do mesmo ponto. Assim, todos vivem a mesma experiência ao mesmo tempo, sem lição de casa obrigatória. Ou seja, ninguém precisa correr atrás de quatro jogos de PlayStation 2 para acompanhar a trama.

E o anime da Netflix?

Onimusha – Divulgação / Netflix

A dúvida também vale para o anime Onimusha, lançado pela Netflix em 2023. A confusão é compreensível. Tanto a animação quanto o novo jogo têm Musashi Miyamoto como protagonista.

Nos dois casos, o rosto do espadachim é inspirado no lendário ator japonês Toshiro Mifune. Ainda assim, Kadowaki foi categórico ao negar qualquer ligação entre as duas obras. O jogo não é continuação, prelúdio ou adaptação do anime. São projetos separados.

Por que a dúvida existe

A pergunta faz sentido para quem conhece o histórico da série. Todos os capítulos principais lançados entre 2001 e 2006 são conectados narrativamente. Eles compartilham o mesmo universo, ambientado no período Sengoku. A luta contra os Genma e as forças de um Nobunaga Oda possuído atravessa toda a saga clássica, de Onimusha: Warlords até Onimusha: Dawn of Dreams. Quem entrasse no meio dessa sequência perderia contexto de verdade.

Way of the Sword quebra essa lógica. A ambientação muda para uma Kyoto sombria do início do período Edo, corrompida pela Malícia. O elenco de personagens é inteiramente novo. Apenas os pilares conceituais da série permanecem: os demônios Genma, a Manopla Oni e a clássica absorção de almas dos inimigos derrotados.

O que os veteranos ganham a mais

Onimusha 3
Onimusha 3: Demon Siege – Divulgação / Capcom

Isso não significa que a bagagem dos fãs antigos seja inútil. Segundo Nihei, o jogo não tem conexão direta com os títulos clássicos, mas presta homenagens a vários elementos daquela era. Um exemplo já identificado pela imprensa internacional é um inimigo do novo jogo claramente inspirado em uma criatura tentacular de Warlords. Quem jogou os originais vai reconhecer referências desse tipo espalhadas pela aventura. Quem nunca jogou, por outro lado, não perde nada essencial da trama.

Para os curiosos que quiserem visitar o passado da série, o caminho é acessível. Onimusha: Warlords ganhou remaster em 2019. Já Onimusha 2: Samurai’s Destiny recebeu o mesmo tratamento em 2025. Ambos estão disponíveis nas plataformas atuais e funcionam como um ótimo complemento, ainda que opcional.

Um jogo pensado para novos jogadores

A estrutura do novo título reforça essa proposta acessível. Way of the Sword é uma experiência linear, dividida em estágios, com cerca de 20 horas de campanha. Não há mundo aberto nem centenas de horas de conteúdo obrigatório. O foco está no combate visceral de espadas, nos quebra-cabeças e na atmosfera de fantasia sombria que consagrou a série.

O lançamento acontece em 4 de setembro de 2026, para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2. Uma demo gratuita já está disponível e inclui o embate contra o rival Sasaki Ganryu. Quem mantiver o save da demo ainda garante um brinde cosmético no jogo completo. Portanto, a conclusão é simples. Ninguém precisa de lição de casa para aproveitar o retorno da franquia. Mas quem quiser mergulhar nos clássicos antes da estreia só tem a ganhar em contexto e nostalgia.

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