Por que o revival de “Onimusha: Way of the Sword” funcionou

Vinicius Miranda

Lançado em 4 de setembro, “Onimusha: Way of the Sword” já vendeu mais de 1 milhão de cópias em apenas 24 horas. O sucesso reacende uma franquia adormecida havia duas décadas e mostra que revivals, quando bem executados, ainda funcionam.

Uma franquia que ficou 20 anos parada

Nos tempos de PlayStation 2, a Capcom mantinha um ritmo intenso de lançamentos de “Onimusha”, incluindo diversos spin-offs. Esse fôlego durou até 2006, quando a empresa colocou a série em pausa após “Onimusha: Dawn of Dreams” para concentrar esforços em “Resident Evil”.

Duas décadas depois, “Onimusha: Way of the Sword” chegou simultaneamente a PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC. A resposta do público superou as expectativas. Segundo a própria Capcom, as vendas do primeiro dia ultrapassaram a marca de 1 milhão de unidades. Esse resultado elevou o total histórico da franquia para mais de 10 milhões de cópias vendidas.

Fiel ao DNA da série, sem seguir modismos

Onimusha: Way of the Sword – Divulgação / Capcom

Classificado como um hack-and-slash de espadas, “Onimusha: Way of the Sword” chama atenção justamente por não seguir as tendências dominantes do mercado atual. O jogo não é um soulslike nem aposta em mundo aberto, dois formatos que dominam boa parte dos lançamentos recentes.

Em vez de tentar agradar um público mais amplo, a Capcom optou por polir a fórmula clássica da franquia. O resultado agradou tanto jogadores casuais quanto fãs antigos da série, sem grandes concessões ou mudanças estruturais no formato original.

Combate refinado e a volta do Oni Gauntlet

O sistema de contra-ataques e paradas por timing, conhecido dos fãs como Issen, continua presente. Ele ficou mais fluido e visualmente expressivo, com indicações claras na tela para orientar o jogador. Tudo gira em torno de calcular o momento certo do ataque.

A absorção de almas também retorna como mecânica central. Usando o icônico Oni Gauntlet, o protagonista suga a energia espiritual deixada pelos Genma derrotados. Algumas almas oferecem cura, enquanto outras concedem upgrades ou carregam habilidades especiais. Essa mecânica mantém viva uma das marcas registradas da franquia desde o jogo original de 2001.

Terror e período feudal na medida certa

Em tom, o jogo se aproxima bastante de “Onimusha: Dawn of Dreams”, de 2006. Há muita ação samurai em um mundo mitológico, grotesco e infestado de demônios. Mesmo sem ser classificado como survival horror, o título preserva elementos de terror do jogo original de 2001, algo raro em um hack-and-slash puro.

A estética do Japão feudal se mistura a castelos sombrios, manchados de sangue, e laboratórios subterrâneos infestados de criaturas. Somado a uma narrativa carregada de folclore japonês, o clima resulta em uma ambientação que consegue ser bonita e assustadora ao mesmo tempo.

Miyamoto Musashi, um protagonista com personalidade

Onimusha: Way of the Sword – Divulgação / Capcom

O protagonista, Miyamoto Musashi, foge do arquétipo silencioso comum em jogos do gênero. A ambientação em Kyoto, durante o início do período Edo, serve de pano de fundo para um herói arrogante e relutante no início da jornada. Suas motivações amadurecem conforme a história avança.

Vale lembrar que a franquia nem sempre teve essa identidade tão definida. “Onimusha: Warlords”, primeiro jogo da série, foi lançado em 2001. Na época, era classificado como survival horror de ação, usando câmeras fixas e um design bem próximo ao de “Resident Evil”, incluindo cenários pré-renderizados e quebra-cabeças ambientais. O novo jogo abandonou as câmeras fixas, mas manteve o respeito às raízes de terror que definiram a franquia desde o início.

O que outras revivals podem aprender com esse caso

Com o sucesso do lançamento, a própria Capcom já sinalizou publicamente a intenção de reativar outras franquias adormecidas em seu catálogo. Nomes como “Devil May Cry”, “Dino Crisis” e “Lost Planet” aparecem entre as apostas futuras. A lógica por trás disso é simples: aproveitar um catálogo rico de propriedades intelectuais que, por anos, ficaram esquecidas nas prateleiras.

Nem todo revival tem esse mesmo destino, porém. Casos como “Duke Nukem Forever”, a coletânea remasterizada de “Silent Hill” e “Shenmue 3” mostram que expectativa alta nem sempre se traduz em resultado satisfatório. Muitas vezes, o problema está em uma crise de identidade. Ao incorporar mecânicas e elementos de roteiro estranhos à obra original, o revival acaba afastando justamente os fãs que sustentavam a base da franquia.

Ouvir os fãs sem perder a própria identidade

O maior ensinamento de “Onimusha: Way of the Sword” talvez seja este: dar ouvidos à comunidade sem abandonar a essência da obra original. Fãs apaixonados costumam identificar problemas em potencial muito antes que as próprias desenvolvedoras percebam, e ignorar esses sinais é um risco real.

A cultura de revivals está em franca expansão, com apostas recentes de Nintendo e de estúdios como Crystal Dynamics e Flying Wild Hog. Nesse cenário, o exemplo de “Onimusha” serve como um lembrete simples. Trazer uma franquia de volta funciona melhor com um objetivo claro: atualizar a experiência para o público atual, não reinventar algo que os fãs já amavam do jeito que era.

Confira nossa review sobre Onimusha: Way of the Sword:

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