Em 2006, a Capcom lançaria o jogo Onimusha: Dawn of Dreams, que viria a ser o último game da linha principal da saga Onimusha. Ao longo dos 20 anos seguintes, a franquia sobreviveu apenas de títulos alternativos, como o spin-off Onimusha Soul, além de mangás e o anime lançado na Netflix.
Agora, finalmente, a Capcom trouxe essa amada saga de volta, e de forma monumental. Onimusha: Way of the Sword não apenas traz a saga dos samurais da Capcom de volta, mas a revitaliza de forma que muitos sequer esperavam.
A jornada de Musashi

O protagonista do título é Miyamoto Musashi. Um samurai considerado lendário da história do Japão. E sim, muitos dos eventos e personagens de Onimusha são inspirados em figuras e eventos históricos. Isso acontece desde o primeiro game da saga, e permanece sendo assim. Essa, inclusive, não foi a primeira vez que vimos Musashi em um título da franquia Onimusha. Ele já protagonizou o anime da Netflix lançado em 2023. E provavelmente o anime inspirou o retorno de Musashi como protagonista no novo jogo.
No game, Musashi está na sua jornada para ser o espadachim mais forte do Japão, desafiando vários guerreiros. Isso até ele cruzar o caminho com os impiedosos Genma. Após ser superado pelos monstros, Musashi recebe uma Manopla Oni, passando a receber habilidades provenientes dessas criaturas místicas. Nisso, Musashi agora está envolvido até o pescoço na batalha milenar entre Oni e Genma.
Um detalhe interessante, é que o Musashi de Onimusha teve o rosto inspirado no ator Toshiro Mifune. Esse seria um ator super famoso na história do Japão, conhecido por interpretar o próprio Musashi em uma aclamada trilogia de filmes que conta a vida do samurai. O ator faleceu em 1997, mas a Capcom pôde usar o seu rosto no Musashi mais uma vez com permissão da família.
Gameplay renovada e atualizada

Veteranos da franquia, principalmente quem jogou a primeira trilogia com câmera fixa inspirada nos primeiros Resident Evil, provavelmente vão estranhar o caminho que Way of the Sword seguiu em relação à gameplay. Temos aqui um jogo de ação e aventura em terceira pessoa linear. Nós vamos para os lugares, enfrentamos os inimigos, coletamos itens, e voltamos pra nossa base de operações.
Além dos mapas lineares, temos a cidade de Kyoto, que serve como uma espécie de mundo aberto. Temos liberdade de andar pelo mapa coletando itens e enfrenando inimigos. E conforme vamos avançando na história, vamos liberando novas áreas. Também temos algumas sidequests pra realizar conforme vamos avançando na aventura.
Algo que foi expandido até mesmo do Dawn of Dreams são os elementos de RPG. E sim, existem aqui. Mas são mais tímidos. Como todo o game da franquia, quando derrotamos nossos inimigos, eles dropam almas que podemos absorver com a Manopla Oni. Essas almas têm efeitos diferentes dependendo das cores. As amarelas, por exemplo, recuperam vida, enquanto as azuis aumentam a barra das armas especiais. As vermelhas, por outro lado, funcionam como uma espécie de moeda, o qual podemos usar para comprar itens.
Coleta de itens também é muito importante, pois além de serem itens que podemos usar em batalha, pra recuperar vida ou aumentar nossos atributos, por exemplo, também existem itens essenciais para upar o Musashi. E com esses itens, que a gente consegue explorando ou vencendo inimigos, podemos upar o traje, a manopla ou a espada do Musashi, além de desbloquear habilidades. E com isso, o personagem vai evoluindo junto da história.
Combate técnico e viciante

E por falar em derrotar inimigos, a parte de combate é, de longe, o maior destaque desse game. Onimusha: Way of the Sword apresenta um combate bem técnico. Não é só “amassar botão”. É preciso estar atento com os movimentos do inimigo e agir de acordo, senão você pode morrer até mesmo pros inimigos rasos dos Genma.
Algo que retornou dos jogos passados é o sistema chamado Issen, que consiste em apertar o botão de ataque no momento certo pro personagem realizar um golpe poderoso antes que o inimigo realize o ataque dele. Mas além do Issen, o combate também consiste em desviar e defender no momento certo. Fazendo isso, o Musashi consegue as melhores oportunidades de contra-atacar os adversários. A defesa no momento certo permite parear os ataques, e fazendo isso deixa os golpes do Musashi mais fortes também. Apenas defender sem parear também funciona, mas é preciso ter cuidado com a barra de stamina.
De qualquer forma, o combate de Onimusha: Way of the Sword é bem técnico. Pra quem está acostumado com combates frenéticos como os de Devil May Cry, por exemplo, pode ter uma certa dificuldade de adaptação. Mas uma vez dominando esse sistema de combate, o jogo fica viciante.
Afinal, Onimusha: Way of the Sword é Soulslike?

É bom deixar bem claro que não, Onimusha: Way of the Sword não é soulslike. A ambientação mais obscura, a barra de stamina e até mesmo a dificuldade principalmente nos chefes pode causar essa impressão. Mas o jogo não é soulslike.
Existem sim características que lembram o Soulslike, como os save points que lembram as “fogueiras” de Dark Souls, por exemplo. E claro, o desafio das boss fights. Enquanto os inimigos comuns são relativamente tranquilos de se combater (principalmente se você dominar o combate do jogo), os chefes são bem mais desafiadores e dificilmente você vai conseguir passar de todos logo na primeira tentativa.
Porém, as semelhanças acabam aí. Não há uma dificuldade traiçoeira, você não perde almas se morrer, e o jogo tem muitos checkpoints. Os pontos de save não vêm do Soulslike, mas sim dos jogos passados, onde isso já era comum e servia para o mesmo propósito: salvar o progresso e upar o personagem. A barra de stamina também é uma semelhança, mas também funciona de forma diferente. Você não perde stamina se movimentando ou golpeando os inimigos. Você perde se for atingido enquanto defende. Então é outro tipo de administração que é preciso ter.
É preciso conhecer Onimusha pra jogar?
Isso é uma pergunta importante. Afinal, esse é o quinto jogo principal da franquia Onimusha. Mas ao mesmo tempo, a saga não recebe jogo novo desde a geração do PS2. Ou seja, são muitos jogadores que surgiram de lá pra cá que nunca ouviram falar de Onimusha. Mas e aí, é preciso ter qualquer conhecimento prévio pra entender Way of the Sword?
Felizmente, a resposta é não. A Capcom sabe que nenhum jogador atual tem a obrigação de saber o que é Onimusha, muito menos de correr atrás de jogar os jogos anteriores. Tanto é que, antes do lançamento do novo jogo, apenas o Onimusha 1 e 2 receberam remasters. Sendo assim, Onimusha: Way of the Sword não exige nenhum tipo de conhecimento prévio pra entender o que está acontecendo tanto na história como na gameplay.
Mas é claro que, se você tiver esse conhecimento, vai apreciar melhor tudo o que vê em tela. Mas o jogo faz questão de deixar tudo devidamente explicado pros novatos. Mas vale ressaltar que não se trata de um reboot. Os jogos passados ainda valem, apesar da história desse novo título ser mais isolada.
Vale a pena?
Onimusha: Way of the Sword valeu os 20 anos de espera. É um game completinho, com um sistema de combate bem técnico e viciante, personagens carismáticos e uma história que te prende. Musashi é um ótimo protagonista, e os coadjuvantes também não ficam atrás.
Pra não dizer que o jogo é perfeito, as sidequests do jogo podem ser cansativas e repetitivas depois de um tempo. Porém, ajuda a incentivar a exploração, o que consequentemente ajuda a melhorar o Musashi pros próximos combates.
Enfim, a Capcom mostrou mais uma vez que sabe fazer bons jogos, e a expectativa agora é que não esperemos mais 20 anos pra termos o próximo capítulo dessa saga tão amada pelos fãs da velha guarda.





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