Petição contra fim do disco no PlayStation passa de 125 mil

Vinicius Miranda

A revolta dos fãs com a decisão da Sony ganhou um rosto e uma causa. Um abaixo-assinado cresce rapidamente e pressiona a gigante a mudar de ideia.

A polêmica em torno do fim da mídia física no PlayStation está longe de esfriar. Alguns dias após a Sony confirmar que encerrará a produção de discos em 2028, a fúria dos jogadores só aumenta. O anúncio original da empresa segue recebendo notas de contexto na rede social X, enquanto as contas oficiais permanecem em silêncio. Diante desse cenário, os fãs decidiram reagir com todas as ferramentas de consumidor disponíveis. E uma petição específica, em especial, virou o principal símbolo dessa resistência ao ganhar força de forma impressionante.

A petição “Don’t Kill the Disc” viraliza

Imagem do abaixo assinado – Divulgação / Don’t Kill the Disc

Naturalmente, os abaixo-assinados online fazem parte dessa estratégia de pressão. Diversos deles surgiram desde que a notícia desanimadora foi divulgada. No entanto, um em particular se destacou e ganhou tração real entre o público.

Inicialmente notada pelo site Digital Foundry, a petição intitulada “Don’t Kill the Disc” (algo como “Não Matem o Disco”) acumula assinaturas em um ritmo acelerado. A campanha foi criada no Change.org por Jade Pearce, dona da PNP Games, uma varejista canadense especializada em jogos físicos.

O crescimento do movimento impressiona pela velocidade. Poucos dias após o lançamento, a petição já somava cerca de 40 mil apoiadores. Atualmente, o número já ultrapassou a marca dos 125 mil, subindo rapidamente a cada hora que passa.

Quais são os argumentos do abaixo-assinado?

A criadora da petição levanta pontos que foram além da simples nostalgia. Segundo Jade Pearce, os consumidores correm o risco de perder os jogos digitais que compraram. Para embasar o argumento, ela aponta um caso recente e polêmico.

De acordo com a petição, a Sony teria removido centenas de filmes das contas dos usuários poucos dias antes, incluindo conteúdos já pagos. Na visão da autora, um código dentro de uma caixa não é um substituto adequado para o disco físico. Afinal, o disco garante a posse real do produto.

Além disso, o texto argumenta que a medida pode custar empregos ao redor do mundo. Isso porque o fim da mídia física teria um impacto enorme sobre muitos pequenos negócios do setor. Ao encerrar seu apelo, a criadora resume a essência do movimento de forma direta.

Nós não somos contra o digital. Somos contra o digital ser a única opção. Uma comunidade grande e apaixonada ainda quer um jogo físico de verdade, que possua de fato, e a Sony está prestes a tirar essa escolha.

A ironia da história da Sony

Vale destacar um ponto que torna toda a situação ainda mais curiosa. Há cerca de uma década, durante a E3 de 2013, a Sony fez exatamente o oposto do que faz agora. Na época, a empresa defendeu com orgulho a mídia física do então futuro PlayStation 4.

Naquele momento, a companhia chegou a ironizar os planos do Xbox, que exigiria uma conexão constante com a internet. A Sony destacava justamente a liberdade de emprestar, vender ou manter os jogos para sempre. Treze anos depois, os papéis parecem ter se invertido completamente.

A pressão vai funcionar?

Apesar do esforço nobre, a mobilização pode não surtir o efeito desejado. Afinal, a Sony vem reforçando sua decisão de forma bastante firme nas últimas semanas. A empresa justifica a mudança com base na preferência do público, que já migrou majoritariamente para o digital.

Curiosamente, a própria Sony deixou uma brecha técnica interessante. A empresa mencionou que ainda terá os meios de produzir discos físicos após 2028. A promessa, feita a outras distribuidoras, é de que poderá fabricar discos para jogos lançados antes de janeiro de 2028.

Ou seja, do ponto de vista técnico, a fabricação não seria impossível. Isso mantém acesa uma pequena esperança de reversão, caso a pressão popular se torne grande o suficiente. Por enquanto, no entanto, resta aos fãs aguardar os próximos desdobramentos.

Mídia física – Reprodução

A força da petição mostra que o público da mídia física ainda é numeroso e organizado. Mesmo que não reverta a decisão, o movimento coloca em pauta um debate maior sobre o que significa “possuir” um jogo na era digital. Consequentemente, outras empresas podem repensar suas próprias estratégias no futuro.

Para os fãs, especialmente os colecionadores, a campanha representa uma voz coletiva contra a perda de direitos. Por um lado, existe a frustração de ver uma escolha desaparecer. Por outro, há a satisfação de ver a comunidade se unir por uma causa comum.

Do ponto de vista do mercado, o caso expõe a tensão entre a lógica de lucro e os anseios do consumidor. Enquanto o digital oferece margens maiores para as empresas, o físico garante autonomia ao jogador. Se você acompanha o tema, vale relembrar as diferenças entre as versões digital e com leitor do PlayStation 5 e conferir outra decisão da Sony que já havia frustrado os fãs. Vale reforçar que a empresa, até o momento, mantém firme sua decisão para 2028.

E você, assinaria a petição pela mídia física ou já aceitou o futuro totalmente digital? Conte para a gente nos comentários!

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA