Segundo a roteirista Alanah Pearce, funcionários relatam as diretrizes de comunicação mais duras que já viram na empresa. A Sony segue em silêncio sobre a polêmica da mídia física.
A crise de imagem em torno do fim da mídia física no PlayStation ganhou um novo capítulo de bastidores. Segundo Alanah Pearce, ex-funcionária do Santa Monica Studio e roteirista do aguardado God of War: Laufey, a Sony teria distribuído aos funcionários de seus estúdios as diretrizes de comunicação em redes sociais mais rígidas que eles já viram, justamente por causa da decisão de encerrar a produção de discos a partir de janeiro de 2028.
Vale o enquadramento correto desde já. O relato vem de fontes anônimas ouvidas por Pearce, não foi verificado de forma independente e a Sony não comentou o assunto. Além disso, orientar funcionários sobre comunicação pública é prática corporativa comum e legítima; o que chama atenção, no caso, seria o grau de rigidez descrito.
O que diz a roteirista
Pearce, que também construiu carreira como jornalista e criadora de conteúdo, abordou o tema em vídeo recente em seu canal do YouTube. Segundo ela, a empresa sabia perfeitamente o quanto a decisão irritaria o público, e a reação interna teria sido preparada com antecedência.
Pessoas que trabalham em estúdios first-party da PlayStation me disseram que a Sony emitiu as diretrizes de redes sociais mais rígidas que elas já viram para um assunto específico (tradução livre)
Ela contextualizou com a própria experiência. A roteirista contou que a Sony costuma orientar com alguma regularidade o que os funcionários podem ou não dizer, e que ela mesma esteve, e ainda está, sob diretrizes referentes ao seu trabalho em God of War: Laufey, tendo recebido instruções específicas até para o dia do anúncio do jogo. A diferença, segundo os relatos que ouviu, é que desta vez o rigor não teria precedentes nas comunicações públicas da empresa.
A leitura por trás das regras

Para Pearce, a conclusão é direta. Na avaliação dela, a companhia só adotaria um controle desse tamanho se soubesse que enfrentaria um enorme problema de relações públicas, o que indicaria que nada da revolta atual pegou a empresa de surpresa.
O silêncio institucional reforça essa leitura. Desde o comunicado original, publicado no início de julho, a Sony seguiu postando normalmente em suas redes, mas nunca voltou a abordar diretamente o assunto, mesmo com suas publicações sendo diariamente inundadas por comentários de protesto e notas de contexto adicionadas pela comunidade.
Uma revolta que não arrefece
O pano de fundo é uma das maiores reações negativas da história recente da marca. O anúncio do fim da fabricação de discos em 2028 dominou o debate sobre preservação de jogos, gerou petições com centenas de milhares de assinaturas e transformou cada trailer da empresa em campo de batalha nos comentários, como o Ei Nerd detalhou na cobertura dos números da mídia física.
Enquanto isso, a transição avança em silêncio pelo hardware. A própria linha de consoles já sinalizava o rumo há tempos, desde que o leitor de discos virou um acessório destacável no PS5, e a mudança de 2028 apenas oficializa a direção. No calendário de jogos, o movimento também é visível, com o maior lançamento do ano, GTA 6, previsto para chegar em novembro apenas em formato digital nos consoles.
Quem é Alanah Pearce
A credencial da fonte importa para pesar o relato. Pearce trabalhou no Santa Monica Studio, o estúdio de God of War, entre outras funções, e segue creditada como roteirista de Laufey, o novo capítulo da franquia que mantém a série entre as joias técnicas do PlayStation. Antes disso, construiu reputação no jornalismo de games e mantém um canal popular no YouTube, onde comenta a indústria por dentro.
Ainda assim, convém reforçar: ela relata o que ouviu de terceiros não identificados. Até que haja confirmação oficial, o conteúdo permanece no campo do relato de bastidores, plausível, mas não comprovado.
Se o relato estiver correto, a mensagem é reveladora. Uma empresa que blinda a comunicação de seus funcionários antes de um anúncio sabe exatamente o tamanho da insatisfação que vai gerar, e escolhe seguir em frente mesmo assim, apostando que a tempestade passa.
Para o consumidor brasileiro, a lição prática é a mesma da cobertura anterior. A janela da mídia física tem data para fechar, a revolta dos fãs dificilmente reverterá a decisão, e o melhor uso da energia é se planejar para o novo cenário, seja garantindo os discos desejados enquanto existem, seja cobrando das empresas garantias claras sobre acesso e preservação das bibliotecas digitais.





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