A volta de Chris Evans como Steve Rogers em Vingadores: Doutor Destino deixou uma dúvida no ar. Com o escudo já nas mãos de outro personagem, como encaixar os dois na mesma história? Ao comentar o assunto, Anthony Mackie citou uma solução usada nas revistas, e a internet correu atrás.
O que o ator disse?
A resposta dele foi mais didática do que reveladora. Mackie apontou que, nos quadrinhos, Steve abandonou a identidade principal e adotou outra, e recomendou aos fãs que fossem ler o material original.
Ele não afirmou que isso acontece no filme. A menção pode ter sido apenas um exemplo de como o personagem já conviveu com outro portador do manto sem perder relevância.
A leitura alternativa também existe, claro. Talvez o nome citado tenha mesmo alguma função na trama, ainda que ninguém tenha confirmado nada.
Quem é o Nômade nos quadrinhos
A identidade nasceu em 1974, em um contexto muito específico. A editora publicou uma história politicamente carregada, na qual o herói descobre corrupção no alto escalão do governo americano e larga o escudo por decepção.
O afastamento durou pouco. Depois de conselhos de um companheiro de equipe, o Gavião Arqueiro, ele criou um traje novo, com direito à capa que sempre quis usar, e passou a atuar sem representar país algum. Nascia o Nômade.

O apelido comercial resumia a proposta. Ele foi apresentado como o homem sem pátria, e esse é um dos momentos mais lembrados da trajetória do personagem. No ano seguinte, porém, ele retomou o manto ao ver um vilão eliminando possíveis sucessores.
Por que o cinema quase foi por esse caminho
A ideia já circulou dentro do próprio universo cinematográfico. Depois dos eventos de Capitão América: Guerra Civil, o personagem virou fugitivo, abandonou o escudo e adotou visual bem diferente.
Muita gente leu aquilo como uma versão disfarçada do conceito. O filme seguinte, no entanto, nunca usou o nome em cena, o que deixou a porta aberta para o futuro.

Há um detalhe editorial que reforça o peso do conceito. Aquela fase foi das poucas em que a editora colocou o personagem em conflito aberto com as instituições que ele simbolizava, e por isso ela é lembrada até hoje como um ponto de virada na escrita do herói.
Como o significado mudaria agora
Aqui entra a parte mais interessante do raciocínio. A motivação original era política e não faria sentido em uma trama sobre uma ameaça de escala multiversal.
Existe, porém, uma releitura possível. Se o personagem passou anos vagando entre realidades depois do desfecho anterior, a palavra ganharia sentido literal, descrevendo alguém sem lugar fixo em vez de alguém sem bandeira. Um Nômade do Multiverso.
Existe também um argumento contrário que merece registro. O estúdio pode simplesmente não querer complicar a identidade de um personagem tão reconhecível em um filme que já reúne dezenas de heróis. Nesse cenário, Steve seria apenas Steve, sem apelido novo algum.
O que já está estabelecido
Alguns pontos são concretos. O escudo pertence a Sam Wilson desde a transição mostrada em Falcão e o Soldado Invernal, processo que o próprio Mackie acompanhou. O retorno de Evans, por sua vez, contraria uma posição antiga dele. O ator já havia classificado como arriscado voltar ao papel depois do encerramento que o personagem recebeu.
Até agora, o material promocional mostra Steve Rogers em roupas comuns, sem uniforme. Vingadores: Doutor Destino chega aos cinemas brasileiros em 17 de dezembro.





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