Street Fighter: ator de M. Bison explica por que foi escalado

Andre Luiz

A escalação mais comentada do novo Street Fighter não é a de um lutador. David Dastmalchian, conhecido por papéis de coadjuvante marcante em produções de gênero, foi escolhido para viver M. Bison.

O ator é fã antigo da franquia e sabia exatamente o problema: ele não tem nada do físico associado ao líder da organização Shadaloo. Em conversa com o site Collider, ele contou como o assunto apareceu logo na primeira ligação com o diretor Kitao Sakurai.

“Não vai dar certo”

Dastmalchian relatou ter sido direto ao receber a proposta. Ele disse ao cineasta que não era o brutamontes imponente que vem à cabeça de quem pensa em M. Bison. A resposta veio na mesma medida: aquela não era a história que Sakurai queria contar.

Nos jogos, o personagem é desenhado como um paredão de músculos, com uniforme militar e uma pose que ocupa metade da tela. Some-se a isso o Psycho Power, energia que ele usa para se potencializar, e o resultado é uma ameaça essencialmente física.

Impondo respeito

A troca de foco parece deliberada. Segundo o ator, o filme quer responder a uma pergunta que os jogos nunca detalharam: por que tanta gente segue Bison a ponto de erguer uma organização como a Shadaloo. Em vez de intimidar pelo tamanho, o vilão intimidaria pela influência.

É uma escolha arriscada e, ao mesmo tempo, coerente com o material. A franquia sempre tratou o personagem como um líder de culto travestido de ditador, e não apenas como um lutador forte. Vale lembrar que o elenco de vilões da série é vasto e cheio de camadas, algo que os fãs discutem desde a época em que pediam nomes específicos para o quinto jogo.

A sombra de Raul Julia

Existe ainda um fantasma no caminho. A adaptação de 1994, estrelada por Jean-Claude Van Damme, é lembrada como um tropeço, com uma exceção quase unânime: o Bison de Raul Julia. A atuação exagerada e teatral do ator virou item de culto e foi seu último trabalho lançado nos cinemas.

Raul Julia como M. Bison em Street Fighter (1994) – Reprodução/Columbia Pictures

Dastmalchian herda essa comparação sem ter pedido por ela. Por outro lado, a abordagem escolhida por Sakurai o afasta da disputa direta, já que o caminho proposto é outro.

Um elenco improvável e a estreia

O filme reúne uma mistura curiosa de perfis. Andrew Koji vive Ryu, Noah Centineo é Ken Masters e Callina Liang interpreta Chun-Li. O time inclui ainda dois astros da luta profissional, Jason Momoa, o rapper 50 Cent e até um sumotori de verdade. Roman Reigns aparece como Akuma, um dos personagens mais temidos da série.

Cody Rhodes, que faz Guile, contou no programa de Jimmy Fallon que viver o personagem realiza um desejo antigo, já que crescia jogando Street Fighter II Turbo no Super Nintendo. Não é exagero, aliás, dizer que a franquia marcou gerações inteiras por aqui, a ponto de virar programa coletivo de vizinhança durante a pandemia.

Nos bastidores, o projeto tem lastro. A produção é da Legendary em parceria com a própria Capcom, com distribuição da Paramount, e marca a terceira tentativa de levar a franquia ao cinema em formato live-action. Momoa também assina como produtor.

A trama se passa em 1993 e mostra Ryu e Ken afastados, até serem recrutados por Chun-Li para um novo torneio mundial que esconde uma conspiração. A estreia internacional de Street Fighter foi remarcada de março para 16 de outubro de 2026.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA