Review: “Supergirl” é divertido, mas merecia mais

Vinicius Miranda

A Garota de Aço ganha sua própria aventura espacial de vingança no universo de James Gunn. O resultado diverte e tem bons personagens, mas o peso da HQ original acaba cobrando seu preço.

O novo DCU finalmente entrega seu segundo capítulo nos cinemas. Depois que Superman abriu as portas desse universo, chegou a vez de Supergirl dar continuidade ao trabalho iniciado pelo primo. A grande dúvida dos fãs é direta: a estreia solo de Supergirl entrega tudo o que se esperava? A resposta curta é que se trata de uma jornada competente e divertida, embora a sombra de sua aclamada origem nos quadrinhos acabe expondo algumas limitações ao longo da projeção.

Uma caçada espacial movida pela vingança

Supergirl – Divulgação / DC Studios

Em Supergirl, acompanhamos Kara Zor-El (Milly Alcock) em seu aniversário de 23 anos, vagando pelo espaço ao lado do fiel cão Krypto logo após os acontecimentos de Superman. Durante uma de suas paradas em bares espalhados pelo cosmos, Kara cruza com Ruthye (Eve Ridley), uma jovem cuja família foi dizimada por Krem (Matthias Schoenaerts), líder de um bando de piratas conhecidos como Bandoleiros.

Sedenta por justiça, Ruthye tenta convencer a heroína a ajudá-la. Kara só topa de vez quando Krem rouba sua nave e envenena Krypto. A partir daí, a improvável dupla embarca em uma perseguição cósmica atrás do vilão. À primeira vista, parece uma aventura comum. Contudo, a proposta vai além: a jornada serve para explorar os traumas de Kara, revelando as marcas que a destruição de Krypton deixou em sua psique e o quanto ela difere do primo. Sua relação com Krypto ganha bela profundidade, ao passo que Ruthye funciona sobretudo como muleta narrativa para esse amadurecimento.

‘A Mulher do Amanhã’ sem um passado para sustentá-la

Supergirl: A Mulher do Amanhã – Divulgação / DC Comics

O longa adapta diretamente a premiada graphic novel Supergirl: A Mulher do Amanhã (Supergirl: Woman of Tomorrow), escrita por Tom King e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely. Para muitos leitores, trata-se da melhor história já produzida para a personagem. Justamente por ser uma obra densa, era impossível encaixar tudo em um único filme dirigido por Craig Gillespie, a partir de roteiro de Ana Nogueira.

Por isso, é compreensível que muita coisa tenha sido cortada ou adaptada. Ainda assim, essa ausência faz falta. Vários momentos perdem impacto por causa da supressão de elementos que existem nas páginas originais. O principal deles é o contexto: na HQ, tanto Supergirl quanto Superman já eram heróis experientes e reconhecidos em todo o universo. A falta dessa bagagem no momento inicial do DCU, somada a uma narrativa mais corrida, faz diferença.

Inclusive, isso deixa o questionamento se realmente foi benéfico um filme da Supergirl ser feito logo no segundo longa dessa franquia. Quem sabe, se esse título fosse lançado em algum momento mais pra frente, teria sido mais benéfico.

Afinal, é o ‘Guardiões da Galáxia’ da DC?

Não, não é.

Mesmo assim, é inegável que existem semelhanças. A ambientação espacial, a estética de alguns cenários e até certos alienígenas remetem ao grupo da Marvel. Há também elementos como a protagonista ouvindo música em seus fones de ouvido. Tem até alguns figurinos que, se bobear, foram reaproveitados da franquia da concorrente.

Entretanto, em estrutura e narrativa, Supergirl é bem diferente da trilogia Guardiões da Galáxia. Aqui não há um grupo de desajustados se unindo para virar heróis, nem mesmo a formação de uma equipe. Além disso, apesar do humor presente (algo comum no gênero como um todo, inclusive), o tom geral é consideravelmente mais dramático.

Uma aventura sem rodeios

Supergirl – Divulgação / DC Studios

No quesito construção de personagens, o filme acerta. Existe um arco bem amarrado, especialmente entre Kara e Ruthye, que amadurecem ao longo da história. Por outro lado, o curto tempo de tela, já que o longa tem cerca de 1h50 e é o mais enxuto do DCU até agora, impede que esse crescimento seja ainda mais profundo.

A trama, por sua vez, é direta ao ponto, sem enrolação: as protagonistas têm um objetivo claro e seguem nele sem barrigas perceptíveis. Quanto à ação, a impressão é dividida. Há boas sequências, sobretudo no ato final, mas a coreografia de luta deixa a desejar e alguns cortes bruscos mais atrapalham do que ajudam.

E o Lobo?

Lobo em Supergirl – Divulgação / DC Studios

Capítulo à parte merece o Lobo (Jason Momoa), e por bons motivos. Não apenas por ser um dos personagens mais “badass” da DC. Mas também por realizar o sonho dos fãs de ver Momoa no papel.

E o resultado convence: o Lobo se mantém fiel aos quadrinhos e se destaca em presença e nas cenas de ação. Mesmo com as limitações de atuação de Jason Momoa, o personagem está bem retratado e a esperança é que ele ganhe mais destaque no futuro do DCU.

O que isso impacta no DCU?

Como adaptação, Supergirl é fiel ao material original, porém funciona como uma versão resumida e simplificada da HQ. Embora a decisão de enxugar a complexa mitologia da personagem faça sentido para o cinema, alguns cortes acabaram prejudicando uma construção que poderia ter beneficiado justamente este filme. Esse é o tipo de escolha que pode dividir opiniões entre quem já conhece a obra de King e Evely e quem chega à história pela primeira vez.

Sobre as conexões com o universo compartilhado, elas existem, como era de se esperar tratando-se da prima do Superman. Inclusive, Supergirl complementa Superman, de David Corenswet, ao mostrar a tragédia de Krypton sob um novo ponto de vista. Apesar dessa ligação, a boa notícia é que o longa funciona muito bem como obra isolada, podendo servir de excelente porta de entrada para quem ainda não acompanhou os demais projetos planejados por James Gunn no DCU.

No geral, Supergirl é uma aventura que agrada e diverte, mas que merecia mais. O peso de seu material original pesa contra a adaptação, e quando a comparação com a HQ entra em cena, fica difícil não se decepcionar em alguns aspectos. Mesmo assim, o resultado é um filme competente, com bons personagens e uma trama coesa.

O longa chega aos cinemas brasileiros em 25 de junho de 2026.

E você, o que achou da estreia da Garota de Aço no novo DCU? Conta para a gente aqui nos comentários!

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